Quinta, 29 de Junho de 2017 |
Tavira, o «25 de Abril» e o Processo Revolucionário – PARTE III

12:33 - 06/06/2017     425 visualizações OPINIÃO
Atualizado em: 06/06/2017
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Por: Miguel Peres Santos – Mestre em Gestão Cultural pela Universidade do Algarve – miguelsantostavira@gmail.com

OS PRIMEIROS ENCONTROS E REUNIÕES DE CLASSES EM DEMOCRACIA – PARTE I

Após o “25 de Abril”, um pouco por todo o país, generalizou-se a organização democrática de diversos movimentos, que tinham como objetivo a reivindicação de medidas de progresso social, politico e democrático. Em Tavira, estas movimentações, iriam ter lugar dentro de diversas associações, instituições públicas ou mesmo de forma espontânea em vários sectores da população, um pouco por todo o concelho.

No dia 5 de Maio, os Bombeiros Municipais de Tavira reuniram no seu quartel com as corporações de Faro, Loulé, Olhão, Lagos, Monchique, Portimão, São Brás de Alportel, Silves e Vila Real de Santo António como forma de demonstrar o seu total apoio ao programa da Junta de Salvação Nacional. Nesta reunião foi deliberado que fosse solicitado a reestruturação orgânica dos bombeiros e a dotação de melhor material para o desempenho da sua missão.

Alguns dias depois desta reunião, a 10 de Maio realizava-se uma Assembleia de Funcionários da Câmara Municipal de Tavira, com o objetivo de eleger um representante numa Comissão Distrital que tinha como objetivo organizar o Sindicato Nacional dos Funcionários Civis e Administrativos do Estado, essa escolha iria recair no Chefe de Secretaria, Manuel José Romana Martins. Como esta decisão foi votada por unanimidade, foi prestado o seguinte esclarecimento por esta Assembleia:

“Ao tomarem esta decisão, desejam os funcionários da Câmara Municipal de Tavira, no atual momento que o País atravessa em que se houve e lê com certa insistência o pedido de demissão de diretores e chefes de diversos departamentos e serviços, manifestar ao seu chefe de secretaria de diversos departamentos e serviços, manifestar ao seu Chefe de Secretaria Sr. Manuel José Romana Martins, o total apoio e confiança de todos, podendo continuar a contar com o maior carinho, colaboração desinteressada e firme vontade de o ajudar no prosseguimento da obra em que tem sido trabalhador incansável para o bem comum e progresso do nosso concelho. Nesta manifestação, sincera e voluntária, ainda é justo realçar o facto do Sr. Romana Martins que não sendo de Tavira e somente aqui trabalhando há cerca de dois anos, ter dado o maior esforço, inteligência e grande vontade, muitas vezes com prejuízo da sua vida particular, na defesa dos interesses de Tavira e dos seus subordinados, como se nosso conterrâneo fosse.” (Jornal “O Tavira”, Nº 30, 16/05/1974, ANO II, P. 3)

A necessidade de um esclarecimento à imprensa e de uma justificação da escolha que fosse divulgada perante a população, assim como o conteúdo deste mesmo documento, demonstra por parte da Assembleia de Funcionários da Câmara Municipal de Tavira, alguma preocupação por parte dos seus membros, pois a escolha de uma figura que havia sido nomeada chefe de departamento pelo anterior regime poderia causar algum ruído entre os mais fervorosos democratas, podendo mesmo gerar e levar a alguma revolta em alguns sectores da população, e este tipo de situações num momento como este teria de ser evitado, pois além de questões de ordem pública, estava acima de tudo, a credibilização de algumas personalidades locais.

 

 
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