Sábado, 16 de Dezembro de 2017 |
Sobre a História de Quarteira: O Paludismo III

15:32 - 05/08/2017     318 visualizações OPINIÃO
Atualizado em: 05/08/2017
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por João Carlos Santos | Licenciado em Património Cultural - Historiador | jcsantos87@gmail.com

Uma carta enviada ao Jornal O Primeiro de Maio, na edição de 1 de Maio de 1919, apela à Câmara Municipal de Loulé para a necessidade da existência de um médico residente na freguesia de Quarteira, que com o aproximar da época balnear essa necessidade aumentava, não só para servir a povoação, mas também os banhistas que a visitam. Não bastando estes argumentos, a carta avança com outros, lendo-se: “a residência do médico, podendo muito economicamente servir Quarteira, terra essencialmente pobre, não deixando igualmente de prestar os seus prontos socorros médicos as freguesias de Boliqueime e Almancil, limítrofes daquela.” Não sabemos em concreto, se o médico terá tido residência em Quarteira, não obstante, está patente nessa carta ao Jornal O Primeiro de Maio, uma necessidade na melhoria das condições de vida dos fregueses e na acessibilidade a serviços médicos, dada a distância em que se encontra a Vila de Loulé. No entanto, existe outra fonte a qual não deveremos descurar: trata-se de Raul Proença, o autor do “Guia de Portugal” datada de 1927. Na sua obra, Quarteira é descrita da seguinte forma: “Quarteira é uma modesta praia de banhos, frequentada sobretudo por famílias do conc. de Loulé [...] é infelizmente prejudicada pelas más condições higiénicas”.

Esta questão da salubridade e do saneamento, apontada por Raul Proença é-nos explicada pela falta de requisitos fundamentais, caso existissem, não contribuiriam para a propagação de doenças, segundo o autor: “mau sistema de esgotos, pouca abundância e má qualidade das águas, regime sezonático de algumas regiões”. Há que evidenciar um ditado popular, não fazendo justiça às terras Algarvias, exalta de forma bastante explícita os problemas de salubridade da região: “Quem ir ao céu queira, Vá-se primeiro a Aljezur E às bandas da Quarteira”. Aljezur, seguramente - embora distante pela geografia - partilhava dos mesmos problemas sezonáticos. De notar que a presença de Raul Proença no concelho de Loulé e em consequência na freguesia de Quarteira, dá-se em 1924.  

 
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