Segunda, 16 de Setembro de 2019 |
Encontrar casa através do programa de rendas acessíveis? Mais de 50% da população não consegue

11:38 - 11/09/2019     98 visualizações ECONOMIA
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Em dois meses foram celebrados 20 contratos no âmbito do Programa de Arrendamento Acessível (PAA), direcionado às famílias de classe média com dificuldades em encontrar casa a preços acessíveis.

Mas, afinal, será que uma família com rendimentos medianos tem capacidade para aceder a um apartamento considerado mediano? Um estudo recente conclui que, no caso de Lisboa, 80% da população não conseguiria encontrar casa ao abrigo deste programa. Cerca de 70% da população enfrentaria a mesma dificuldade no Porto.

A análise do programa foi realizada pelo jornal Público, em parceria com uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Uma das principais conclusões é esta: o PAA tem um impacto limitado nas zonas onde os preços são mais elevados, nomeadamente nos maiores centros urbanos do país, como Lisboa ou Porto.

Os investigadores procuraram avaliar qual seria a capacidade da totalidade da população residente de alguns municípios, de acordo com o seu rendimento, para aceder àquele que seria um apartamento-tipo, concluindo que grande parte da população não conseguiria fazê-lo, mesmo com os preços que o PAA propõe - rendas 20% abaixo dos valores praticados no mercado. A análise conclui que o programa exclui cerca de metade da população em quase todo o território nacional, com particular destaque para as cidades de Lisboa e Porto, que ultrapassam em larga escala os 50%.

No caso de Lisboa, diz o Público, quase 80% da população não conseguiria aceder ao T2 do PAA. No Porto, essa percentagem atinge os 70%. Nos municípios de Bragança e Castelo Branco o programa do Governo permitiria o acesso a habitação a 65% e a 70% dos agregados.

 

 

“O que fica claro com estes dados é que há uma camada de grande dimensão que fica entre os segmentos-alvo dos programas já avançados, isto é, entre o 1.ºDireito e o PAA, e para a qual ainda não há resposta”, refere um dos investigadores, Nuno Travasso, que considera ser este o segmento mais desafiante da Nova Geração das Políticas de Habitação do Governo.

 

Por: Idealista

 
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