O Campus de Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg) recebeu, no dia 20 de novembro, a plantação das chamadas Árvores da Paz, num gesto simbólico ligado à memória dos 80 anos dos lançamentos das bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
A iniciativa partiu de José Pedro Simões, antigo docente de Botânica na UAlg e impulsionador da criação do Herbário da Universidade. Foi também um dos primeiros a sugerir, logo após a mudança das instalações da Casa dos Rapazes para Gambelas, a criação de um jardim de espécies autóctones ou de um parque botânico na UAlg.
Do desastre nuclear de 1945 ficaram registadas oito espécies de árvores que sobreviveram. Entre elas, a Ginkgo ou nogueira-do-japão (Ginkgo biloba L.) destacou-se em Hiroshima pelo maior número de indivíduos sobreviventes, enquanto a canforeira (Cinnamomum camphora (L.) J.Presl) se evidenciou em Nagasaki. Por essa capacidade de resistência, ambas são hoje reconhecidas como símbolos de paz e resiliência.
As jovens árvores agora plantadas no Campus de Gambelas foram oferecidas pela Reserva Botânica da Amorosa, no âmbito de um acordo de colaboração estabelecido há cerca de quatro anos entre a UAlg, através do Herbário da Universidade do Algarve (ALGU), e esta reserva botânica privada fundada pela família de José Pedro Simões.
Por razões meteorológicas, a plantação foi realizada no dia 20 de novembro, na semana seguinte àquela em que se tencionava celebrar a Semana Internacional da Ciência e da Paz estabelecida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A iniciativa não só pretendeu ajudar à preservação da memória histórica, mas também reforçar a missão da UAlg, porque o conhecimento, a paz, e o desenvolvimento sustentável estão profundamente ligados aos valores da Academia, tal como salientou o Reitor Paulo Águas.
Para além das Árvores da Paz, foram ainda plantados quatro exemplares de Metrosideros, oferecidos pelo Zoomarine ao futuro Parque Botânico da UAlg no âmbito do projeto Montanha Verde.
Espera-se que estas plantações e ações, que podem parecer pontuais, contribuam para dinamizar o desenvolvimento do Parque Botânico do Campus de Gambelas em todas as suas vertentes: pedagógica, científica, paisagista, de conservação e de lazer.
UAlg