Nero leva poesia a Olhão

20:01 - 13/01/2026 OLHÃO
O poeta algarvio Nero apresenta o seu mais recente livro, Akbar — Lunário Poético duma Alma ainda Árabe, na Associação Cultural República 14, em Olhão, na próxima quinta-feira, 15 de janeiro, pelas 19h00. A sessão, de entrada livre, tem curadoria de Rogério Cão.

Sediada na Avenida da República, em Olhão, a Associação Cultural República 14 tem-se afirmado como um espaço de referência na divulgação da poesia no Algarve, acolhendo autores consagrados da literatura algarvia, como Fernando Cabrita e Pedro Jubilot, bem como vozes mais recentes, entre as quais Sara Monteiro e Tiago Marcos. O ano de 2026 abre, assim, com a apresentação da obra de Nero, com especial destaque para Akbar — Lunário Poético duma Alma ainda Árabe.

Durante a sessão, o poeta estará à conversa com Rogério Cão e Cátia Guerreiro, num encontro que culminará com momentos de recitação poética, abertos à participação do público e de outros poetas e escritores presentes. O programa inclui ainda sessão de autógrafos e convívio com o autor. Falar-se-á também do ensaio recém-publicado na revista Meridional, em que Nero comparou a Argonáutica de Apolónio de Rodes com a epopeia O Novo Argonauta, de José Agostinho de Macedo, sobre os já lendários pescadores de Olhão que, num pequeno caíque, partiram para o Brasil, com vista a informar o rei do sucesso frente às tropas napoleónicas invasoras.

Natural de Silves, com 38 anos, Nero tem-se afirmado como uma das vozes mais relevantes da poesia contemporânea portuguesa. É autor de Oceano — O Reino das Águas (2021), Telúria (2023) e do recente Akbar — Lunário Poético duma Alma ainda Árabe (2025). Concebida como uma espécie de almanaque espiritual, esta última obra percorre simbolicamente as origens e a expansão da fé islâmica, refletindo sobre as relações entre o divino e o humano.

Para Nuno Campos Inácio, escritor, editor e investigador que assina o prefácio, “Nero encarna a essência mourisca do Gharb al-Andalus como poucos”, acrescentando que, nesta obra, o poeta assume o papel de mestre numa caminhada iniciática. Já Esmeralda Lopes Alves, especialista em Literatura Portuguesa e crítica da obra, considera Akbar uma criação singular: “Em pleno século XXI, quando o mundo parece desmoronar-se, há um poeta que nos devolve uma parte de nós, adormecida, e nos obriga a revermo-nos por dentro.”

Após o lançamento em Silves, cidade a que o livro é dedicado, Nero tem apresentado Akbar em várias cidades do país e participado em eventos de relevo,

como o Festival MED (Loulé), a Feira Medieval de Silves e a Feira do Livro de Lisboa. Recentemente distinguido como “Melhor Mestre” pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o poeta, recitador e professor de Português e de Literatura Portuguesa esteve também em destaque no 1.º Festival Internacional de Cinema e Literatura de Tétouan, em Marrocos.

 

Nero