António Dores | antonio.humberto.dores@gmail.com
Sem querer ofendi gente com a palavra indigente
Pedi perdão à oratória, fiz da contrição memória
Sem prejuízo da responsabilidade,
Fiz da palavra saudade, satisfação e respeito
Palavra que eu levo no peito para não fugir à verdade...
Sem querer, usei esse diccionário
Feito de palavras explicadas
Esse fiel companheiro, das palavras enunciadas
São páginas e páginas de abecedário
De letras pequeninas catitas
Pintadas a tinta preta, nas folhas amarelecidas
Pela passagem dos anos, vintage de qualidade
Onde medra a sabedoria, em toda a sua verdade
Mas o erro também consta, do dicionário fiel
Pois ao longo destes anos
Desde a fundação do País, ao Panteão, Pantagruel,
Deixa qualquer Chef infeliz...
A palavra Gourmet, é para ser apreciada,
Acompanhada com molho
Um fio de azeite e ervas finas
No vulgo da profissão; um apontamento de coentrada
Para se degustar o conceito,
De uma leve sopinha de letras bem miudinhas
Servida à mesa como entrada…
Já o prato enfarta brutos
Que do diccionário também consta
Mesmo antes do Otário
E das palavras mesa posta...
Sem prejuízo da dúvida, fiz das tripas coração
Dei graxa ao obituário, das palavras em desuso
Ressuscitei as relíquias, das palavras arcaicas
Dei espaço aos Neologismos Liberais descarados
Aos pontapés com a Lexicografia,
Dos nossos antepassados...
E sem querer ofender, ofendi gente sensível
Que ensandeceu ao ler, este poema impossível
Dei graxa ao cágado, cagado, que estava sujo de lama
Ficou um mimo o bicho, nem mais cágado se chama...