Vender e arrendar casa: agentes imobiliários estão menos otimistas

18:00 - 26/01/2026 ECONOMIA
Confiança do setor caiu e maioria dos profissionais inquiridos pelo idealista admite que os preços deverão estabilizar este ano.

crise de acesso à habitação em Portugal tem feito correr muita tinta nos últimos meses. E esperam-se alterações legislativas para breve com o novo pacote fiscal do Governo destinado a resolver esta questão por via do aumento da oferta de casas, que será reavaliado em 2029. Tudo isto traz instabilidade para o setor, num contexto de subidas recorde dos preços das casas e aumento dos custos dos créditos habitação. Talvez por isso é que os níveis de confiança nos mercados de venda e arrendamento dos profissionais do mundo imobiliário estão cada vez mais baixos, tendo mesmo registado mínimos dos últimos anos no início de 2026.

O Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário (ISSI) - elaborado pelo idealista, a partir de um inquérito colocado aos agentes imobiliários – revela como a confiança destes profissionais foi caindo nos últimos anos em ambos os mercados até ter chegado a novos mínimos em 2026:

  • Compra e venda de casas: as expectativas dos profissionais neste mercado têm vindo a cair desde o arranque de 2025 com o nível de confiança a chegar a 72,1 pontos no início de 2026 numa escala de 0 a 100. É o menor valor do ISSI na venda desde o verão de 2024;
  • Mercado de arrendamento: os níveis de otimismo – que sempre foram mais baixos do que na venda – assumiram uma tendência de descida desde o fim de 2024. E caíram tanto que atingiram o menor nível de confiança no início de 2026 (de 54,2 pontos) desde que há dados disponíveis do ISSI de arrendamento.

Estes dados indicam, portanto, que os agentes imobiliários estão menos otimistas sobre a venda e arrendamento de casas no início de 2026 do que estavam num passado recente. A verdade é que o contexto também mudou. Agora, os preços das casas à venda estão em níveis muito superiores depois de ter registado aumentos recorde durante 2025. E os custos dos novos créditos habitação também tendem a subir por via da Euribor e de ajustes de preços da banca. 

Por outro lado, os promotores, proprietários e construtores estão agora a aguardar que o pacote fiscal para a habitação do Governo veja a luz do dia – já passou no primeiro crivo do Parlamento, estando agora a ser analisado na especialidade. Isto porque o documento, se obtiver luz verde, trará um conjunto de benefícios fiscais que ajudam a colocar casas no mercado, como a redução do IVA para 6% na construção e a redução do IRS para 10% em todos os contratos de arrendamento a preços moderados (ou seja, até 2.300 euros).

 

 

Venda de casas a crescer – mas preços a estabilizar no início de 2026

Apesar dos altos preços das casas que se fazem sentir – sobretudo, nas grandes cidades -, a maioria dos profissionais do imobiliário ouvidos pelo idealista continua a acreditar que vai vender mais casas no início de 2026 (67,3%). Afinal, os apoios aos jovens para adquirir a sua primeira habitação (isenção de IMT e garantia pública) estão para ficar. E embora o crédito habitação esteja a ficar mais caro, continua a haver apetite da banca em conceder empréstimos e as prestações da casa conseguem ser assumidas pelas famílias. 

Ainda assim, cerca de um quinto dos inquiridos espera que os negócios de compra e venda de casas se mantenham e quase 12% acredita que vai transacionar menos habitações até março de 2026.

Metade dos agentes imobiliários admite mesmo que os preços das casas se vão manter nos atuais níveis nos primeiros três meses de 2026, o que seria uma boa notícia para quem quer comprar casa. Ainda assim, quatro em cada dez profissionais assume que pode haver novas subidas dos preços no arranque deste ano. Só cerca de 7% admite quedas nos preços neste período.

Esta perspetiva mais partilhada de manutenção dos preços das casas pode estar relacionada com os níveis de oferta. Cerca de 65% dos profissionais acredita que vai angariar mais casas para vender no arranque de 2026, o que se traduz um aumento do stock disponível. Já um profissional em cada quatro diz que os níveis de angariação na venda se vão manter.

 

Imobiliário aponta para estabilização das rendas das casas

O sentimento que paira no mercado de arrendamento habitacional é de otimismo moderado, com cerca de três profissionais em cada dez a acreditar que vão arrendar mais casas e uma proporção semelhante a esperar uma manutenção dos negócios no início de 2026.

Mais de metade dos especialistas espera mesmo que as rendas das casas estabilizem até março. E o mercado já dá sinais disso mesmo: em dezembro de 2025 o preço das casas para arrendar cresceu apenas 0,9% face ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o índice de preços do idealista. Menos de um quarto dos inquiridos admite que poderá haver novos aumentos das rendas.

Tal como nos contratos de arrendamento, há uma clara diferença de perspetivas sobre as angariações neste mercado para o início do ano. Enquanto menos de um terço dos agentes imobiliários diz que vai ter mais casas para arrendar, cerca de 30% diz que vai manter-se igual e 22,6% admite que vai angariar menos casas.

 

Inquérito sobre sensibilidade do setor imobiliário 

O idealista calcula o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário (ISSI) a partir da visão de profissionais do setor imobiliário em Portugal, que participam num inquérito trimestral. Este índice nacional mostra o grau de satisfação e as previsões do setor imobiliário para o mercado de compra e venda de casas, bem como para o mercado de arrendamento habitacional. A escala do ISSI é de 0 a 100, em que o zero corresponde a um descontentamento generalizado e o 100 corresponde a um grau máximo de satisfação.

Se trabalhas numa agência imobiliária e gostarias de participar no painel de especialistas auscultados para formular o Índice de sensibilidade do setor imobiliário (ISSI), entra em contracto com o teu agente do idealista para que possas fazer parte do próximo inquérito trimestral. 

 

Idealista News