As chuvas deste inverno provocaram já estragos avultados no Centro Social e Paroquial de Loulé.
A semana passada os responsáveis paroquiais aperceberam-se de barulho de água a correr no fosso do elevador do edifício. “Ouvia-se correr como uma cascata”, contou Folha do Domingo o pároco das paróquias de Loulé. O cónego Carlos de Aquino explicou que o fosso do elevador já costuma alagar quando chove, mas não como este ano. O sacerdote explica que desta vez foi preciso colocar uma bomba que “esteve a trabalhar durante dois dias” para conseguir retirar a água daquele espaço.
E foi quando acederam à cave do edifício para entrar nas salas que servem para guardar arrumos e os alimentos e outros bens doados para pessoas cadenciadas assistidas pelas paróquias que os responsáveis se depararam com o cenário de destruição provocado pela infiltração subterrânea das águas que provocou não só uma inundação naquelas divisões, mas um forte levantamento do chão que fez rebentar o pavimento, provocando grandes fendas. Uma das escadas de acesso àquele piso também sofreu danos com a pressão a que foi sujeita.
“Chamámos logo uma vistoria de urgência da Câmara Municipal. Enviaram responsáveis com um perito e ainda voltarão cá para fazer novas prospeções mais aprofundadas quando as condições climatéricas o permitirem. Mas consideraram que o espaço de cima não oferecia perigo e permitiram que o edifício continue a ser usado”, testemunhou o cónego Carlos de Aquino.
O sacerdote acrescentou que a principal preocupação foi saber se as sapatas do edifício não tinham ficado descalças, mas o facto de as paredes permanecerem intactas parece indicar que a estrutura não foi afetada. No entanto, o pároco diz ser preciso apurar se houve ruptura de alguma conduta, se alguma passa alguma linha de água por debaixo do edifício que possa ter sido interrompida pela sua construção ou se se tratou de um acumular da água da chuva naquela zona.
O facto é que as águas provenientes dos terrenos circundantes, propriedade da Câmara de Loulé, que ficam numa quota superior, estão completamente alagados e saturados, sem mais capacidade de absorção de água, e a desaguar há mais de uma semana sob espaço envolvente do edifício do Centro Paroquial.
O cónego Carlos de Aquino está apreensivo por antever que o valor da obra de reparação dos estragos possa ser avultado, mas está confiante de que se encontre uma solução para o problema.
O Centro Paroquial e Social de Loulé foi inaugurado em 2004, após vários anos de construção e teve como impulsionador o padre Henrique Varela, pároco aposentado de Loulé, juntamente com o padre José António Nobre Duarte, já falecido.
Folha do Domingo
Fotos: Samuel Mendonça