Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) diz que muitos proprietários não encaixam nas linhas criadas para empresas ou habitação própria.
A associação que representa o alojamento local em Portugal recebeu “alguns pedidos de informação de proprietários”, que manifestaram dificuldade em encaixar-se nas linhas de apoio criadas para responder ao impacto do mau tempo que se tem feito sentir.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) explicou que isso é, em parte, natural, desde logo porque muitos alojamentos locais não são residências primárias.
Por outro lado, “as linhas de apoio empresarial não estão vocacionadas para empresários em nome individual”, notou Eduardo Miranda, recordando que esta situação já aconteceu antes, durante a pandemia de covid-19, pelo que a ALEP está a verificar se é possível “dar alguma volta” às regras previstas para estas ajudas em particular.
Isto porque a associação não tem condições para disponibilizar apoio financeiro aos seus associados. “Estamos a falar de casos em que um telhado todo foi à vida e são investimentos razoáveis”, assinalou.
O Governo anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros para minorar o impacto da passagem por Portugal das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram 16 mortos e muitas centenas de feridos e desalojados.
Até agora, a ALEP recebeu apenas “casos específicos e pontuais” de proprietários de alojamentos locais, desde logo porque o Centro, mais afetado pelo mau tempo, “não é uma zona com uma presença grande” da atividade.
Porém, a atividade “estava a crescer” na região, que “tem uma característica muito interessante”, porque, sendo “relativamente pequena, tem uma diversidade turística enorme”, destacou Eduardo Miranda, detalhando que, na maioria dos casos, são segundas casas no Interior, que as pessoas aproveitam para alojamento local.
“Não é uma zona de forte presença turística; algumas regiões são mais turísticas, mas não é uma zona de grande densidade. Não deixa de ser, obviamente, dramático para todos, até porque (…) perde toda a comunidade, com o turismo e a economia parados. Portanto, é um drama complicado a que a associação está obviamente muito sensível”, garantiu.
Porém, “ainda é um pouco cedo para fazer uma avaliação mais global”, realçou, destacando que o setor do alojamento local está envolvido nos programas de acomodação do Turismo de Portugal para as pessoas que estão a trabalhar nas zonas afetadas pelo mau tempo.
“Aqueles que estão em condições estão a inscrever-se e a participar”, mencionou, acrescentando que há grupos que estão também a recolher fundos para “ajudar não só o alojamento local, mas ajudar, em geral, toda a população mais atingida”.
Claro que este período longo de mau tempo tem um “impacto generalizado” na atividade de alojamento local, desde logo no “interesse” dos potenciais hóspedes em visitar Portugal.
O atual estado de calamidade “afeta, obviamente, as reservas” e “cria também preocupações para as reservas futuras, porque ainda estamos numa fase (…) de análise do impacto”, observou, reconhecendo que a situação foi “mais amenizada” por se estar no inverno. “O mais complicado é se isto ainda tiver efeitos mais para a frente, na primavera/verão”, alertou.
A situação de calamidade foi prolongada até dia 15 para 68 concelhos das regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, as mais afetadas pelo mau tempo que se tem feito sentir e que resultou em inundações e cheias que causaram a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e o corte de energia, água e comunicações.
Idealista News
*Com Lusa