ENTREVISTA: Ivo Oliveira só quer ganhar com a camisola de campeão nacional

14:00 - 20/02/2026 DESPORTO
Ivo Oliveira quer ganhar com a camisola de campeão nacional vestida, depois de em 2025 ter contribuído para o recorde de vitórias numa temporada da UAE Emirates, um feito que o ciclista português descreveu como «especial».

“Acho que é a segunda vez que faço o Algarve como campeão nacional e, para mim, é um orgulho mostrar as cores aqui em Portugal. Tenho poucas oportunidades de correr [no país]. Já corri na [Clássica da] Figueira e aqui, sente-se o calor do público e é muito bonito”, contou à agência Lusa.

As (discretas) listas verde e vermelha que estampam a camisola do gaiense não passam despercebidas ao público que diariamente rodeia o autocarro da UAE Emirates, com o atual campeão nacional de fundo – também o foi em 2023 – a ser muito aclamado de cada vez que aparece.

“É óbvio que as pessoas me reconhecem mais um bocado”, confessa com um sorriso, antes de revelar qual o seu objetivo para esta época: “gostava de ganhar com a camisola de campeão nacional”.

“Nunca o fiz. Tive quatro vitórias no ano passado, mas foi tudo antes dos Nacionais. Agora, gostava de levantar os braços com estas cores, seja em que corrida for”, pontuou.

Ter uma vitória por ano é “sempre aquilo que toda a gente quer”, reconhece o luso de 29 anos, para quem, “hoje em dia, ganhar em qualquer corrida, seja de nível menor em termos de pontuação ou maior, é extremamente difícil”.

No ano passado, Ivo Oliveira foi um dos ciclistas que contribuiu para o recorde de vitórias numa temporada (97) estabelecido pela UAE Emirates, algo que descreveu como “especial”.

“Foi a primeira vez que batemos o recorde. Agora, a própria equipa pode bater o mesmo recorde, mas a primeira vez, saber que contribuí para isso, foi especial. Gostava de ter tido mais [triunfos]”, admitiu à Lusa.

Agora, o campeão nacional espera que a sua formação não estabeleça como objetivo chegar aos 100 triunfos este ano.

“Se não, são demasiadas corridas para toda a gente. Acho que isso já vem natural. Quando tens corredores como o Tadej [Pogacar] e o [Isaac] Del Toro, que fazem 20, 10 corridas cada um, depois torna-se bastante mais fácil, como é óbvio. Mas eu acho que isso não é um foco, não é isso que nos pedem, não é dizer ‘agora vamos chegar às 100’. Vem consequentemente, mas, mesmo que não cheguemos, já estamos a fazer um início é espetacular”, avaliou.

E Oliveira e a sua UAE Emirates esperam prolongar esse bom arranque na 52.ª Volta ao Algarve, onde João Almeida continua na disputa pela geral, numa edição que tem “um dos níveis mais altos de sempre” entre os candidatos.

“É tudo focado neles [em Almeida e Brandon McNulty]. Obviamente, quero ver como é que no ‘crono’ me vou encontrar, mas é mais uma motivação pessoal, mas nada que conte para contas de geral ou isso. É mesmo para ver como é que me vou sentir no primeiro ‘crono’”, revelou, referindo-se aos 19,5 quilómetros de exercício individual agendados para hoje, em Vilamoura.

Com tarefas a cumprir na estrada, o gaiense falhou os Europeus de pista, confessando que custa “mais ver de fora do que estar lá”.

“Foi uma pena. O calendário de competição não deu mesmo. No dia em que estavam a começar os Campeonatos da Europa, eu estava a voltar das corridas da Austrália, por isso foi impossível ir aos Campeonatos da Europa, era uma coisa que eu gostava imenso. Mas espero poder ir aos Mundiais”, declarou.

Assim, e como tem feito até agora, Oliveira vai “sempre que possa” conciliar a pista com a estrada. “Sempre que tiver essa abertura no calendário, é o que eu vou tentar”, prometeu.

 

Lusa