O que verificar e cuidar todos os meses para que a casa funcione bem e evitar grandes problemas (e obras caras).
Limpar e organizar é manter a casa agradável. Manter é garantir que a casa funciona. E há uma diferença enorme entre as duas coisas: a limpeza costuma ser visível e imediata, a manutenção é silenciosa - até ao dia em que deixas de ter água quente, aparece uma mancha de humidade no teto, a sanita começa a “correr” ou o ralo entope numa semana em que não tinhas tempo para nada - ou o orçamento mensal apertado.
É aqui que entra um calendário de manutenção de casa: um sistema que junta limpeza, organização e pequenas verificações preventivas (aquelas que evitam avarias, surpresas e grandes gasto inesperados).
Pequenas verificações frequentes evitam grandes chatices.
A boa notícia é que a maior parte dos problemas domésticos pode ser evitada com verificações curtas, de 5 a 10 minutos, distribuídas ao longo do mês e reforçadas nas mudanças de estação.
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Mês
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Manutenção e limpeza (foco interior)
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Janeiro
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Vigiar humidades e condensação; arejar diariamente; confirmar cheiros nos ralos.
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Fevereiro
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Aspirar estofos e colchões a fundo; rever vedantes de janelas e portas (correntes de ar/condensação).
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Março
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Primeira limpeza profunda do ano; limpar vidros; fazer destralhe nas arrumações.
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Abril
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Tratar têxteis e pó em zonas altas (cortinas, candeeiros e apliques); atenção a alergias.
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Maio
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Cozinha “por dentro”: despensa, armários e exaustor; rever prazos de validade e descartar o que já não serve.
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Junho
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Preparar a casa para o calor: estores, ventilação e filtros (se tiveres ar condicionado).
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Julho
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Manter rotina mínima viável; reforçar limpeza do frigorífico; deixar a casa organizada antes das férias.
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Agosto
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Prevenir cheiros (ralos e lixo); arejamento estratégico (de manhã cedo e ao fim do dia).
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Setembro
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Retomar o ritmo semanal; reorganizar roupeiros; verificação pós-verão (humidades, poeiras e arrumações).
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Outubro
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Segundo “recomeço” do ano; preparar para as chuvas; rever silicones e sinais de humidade.
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Novembro
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Reforçar casas de banho e lavandaria; usar tapetes de entrada para reduzir lama e água dentro de casa.
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Dezembro
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Simplificar; focar nas zonas de maior impacto (cozinha, sala e casa de banho).
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2x por ano
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Limpezas profundas (idealmente na primavera e no outono).
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Canalização da casa de banho: o ponto crítico
A canalização casa de banho é das áreas mais sensíveis porque junta água, vapor e utilização diária. E quase tudo o que corre mal começa pequeno: um escoamento ligeiramente mais lento, um cheiro discreto, um silicone a abrir, uma torneira a pingar. Se apanhares cedo, resolves fácil. Se deixares andar, entras no território das infiltrações, do bolor e das reparações caras.
Sempre que houver sinais persistentes (humidade que volta, cheiros contínuos, água a aparecer onde não deve), o mais sensato é chamar um profissional, sobretudo para despistar infiltrações.
O que vale a pena incluir no teu calendário:
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Ralos e escoamentos: se a água demora a descer no lavatório ou no duche, há acumulação (cabelos, sabonete, resíduos).
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Cheiros: podem indicar sifão seco, acumulação no ralo ou problema na ventilação do esgoto.
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Silicones e juntas: quando abrem, a água entra onde não deve (paredes e pavimentos).
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Autoclismo: quando “corre” silenciosamente, estás a desperdiçar água e pode haver calcário ou peça gasta.
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Humidade em redor: manchas junto ao lavatório, base do móvel, rodapé ou canto do duche nunca são “normais”.
Cozinha: manutenção invisível
A cozinha é o motor da casa e também um dos sítios onde mais se acumula gordura, humidade e resíduos orgânicos. Aqui, a manutenção passa por dois eixos: canalização e ventilação.
Na canalização, o alvo é o sifão do lava-loiça e o ralo: gordura e restos alimentares criam entupimentos e maus cheiros. Na ventilação, o exaustor (filtros) é o herói silencioso: quando está saturado, a gordura deposita-se em tudo, o ar fica pesado e a limpeza duplica.
O que deves calendarizar:
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Limpeza dos filtros do exaustor (regular, porque influencia tudo o resto).
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Verificação de fugas debaixo do lava-loiça (sifão e ligações).
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Cheiros no ralo (um sinal precoce de acumulação).
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Vedantes do frigorífico (se não selam bem, o frigorífico trabalha mais e pode haver condensação).
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Descalcificação de chaleira/máquina de café, se necessário (água dura faz estragos).
Humidades e ventilação: manutenção “portuguesa”
Em muitas casas em Portugal, o problema não é falta de limpeza, é excesso de humidade. E humidade, quando não é tratada, transforma-se em bolor, tinta a descascar, cheiro persistente, roupa que nunca seca bem e até alergias.
A manutenção aqui tem mais a ver com hábitos e inspeção do que com produtos:
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Arejar diariamente (sim, mesmo no inverno, por alguns minutos).
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Não encostar grandes móveis a paredes frias sem deixar espaço para o ar circular.
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Vigiar cantos, tetos de casas de banho e quartos, e zonas atrás de roupeiros.
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Manter grelhas e saídas de ar desobstruídas.
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Se houver condensação constante, considerar desumidificador e avaliar causas (isolamento, ventilação, pontes térmicas).
Silicones, vedantes, estores e caixilharias
Há um tipo de manutenção que parece insignificante até ao dia em que chove a sério: silicones, vedantes e caixilharias. Quando estes elementos falham, tens infiltrações, correntes de ar, condensação e perda de conforto térmico.
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Revisão de silicones em casas de banho e cozinha (se estão a abrir ou a escurecer).
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Vedantes de janelas e portas (se estão ressequidos ou descolados).
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Calhas e caixilharias (limpar sujidade acumulada para não reter água).
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Estores/persianas (verificar se correm bem e se não há fitas gastas).
Equipamentos: filtros, água quente e conforto
Se tens ar condicionado, caldeira, esquentador ou termoacumulador, a manutenção não é opcional, é o que garante eficiência, segurança e contas controladas.
Atenção! Quando se fala de gás e combustão, a regra é clara: se há cheiro a gás, falhas repetidas ou comportamento estranho, não é DIY, é assistência técnica.
O calendário básico:
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Ar condicionado: limpar filtros com regularidade e prever manutenção técnica periódica (sobretudo antes de uso intensivo).
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Termoacumulador/caldeira/esquentador: atenção à revisão e sinais de alerta (ruídos, falhas de chama, água a pingar, pressão instável).
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Exaustor: filtros (volta aqui porque muda mesmo a cozinha).
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Máquinas de lavar (roupa/loiça): limpar filtros e borrachas; evitar maus cheiros e entupimentos.
Segurança doméstica: manutenção que salva
Esta parte raramente entra nos calendários de “limpeza”, mas devia entrar em qualquer plano anual de manutenção:
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Testar detetores (fumo/monóxido de carbono, se existirem).
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Verificar extintor (se tens) e acessibilidade.
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Quadro elétrico: se os disjuntores disparam com frequência, isso é sinal, não ignores.
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Tomadas e fichas: aquecimento anormal, cheiro a queimado ou faíscas é assunto sério.
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Ventilação adequada em áreas com gás.
Telhados e caleiras: a manutenção que evita obras caras
O telhado é, literalmente, o “escudo” da casa. E quando falha, o problema raramente aparece logo no sítio certo: começa com uma mancha discreta no teto, um cheiro a humidade no sótão/arrumos, tinta a descascar numa parede interior ou bolor a surgir sem explicação. Por isso, a manutenção do telhado não é um luxo, é prevenção básica.
O que deves calendarizar é simples e, na maioria dos casos, não te exige subir ao telhado: inspeções visuais regulares e atenção às zonas críticas. Depois de períodos de chuva intensa e vento, vale a pena confirmar se há telhas deslocadas (em telhados de telha), se existem detritos acumulados e se as caleiras estão a escoar bem. As caleiras e tubos de queda entupidos são um clássico: a água transborda, infiltra-se por onde não deve, e o resultado aparece mais tarde (e mais caro). Outra área frequentemente ignorada são os rufos (as peças de remate em chaminés, claraboias e encontros de telhado com paredes), onde pequenas falhas deixam entrar água.
Se vives numa casa com árvores perto, redobra a atenção no outono e inverno: folhas, ramos e musgo acumulam-se com facilidade. E se tens um prédio, é precisamente este tipo de manutenção que convém estar previsto no plano do condomínio, porque evita obras maiores.
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Verificar caleiras e tubos de queda (sem folhas e sem transbordo).
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Inspeção visual após chuva e vento (telhas deslocadas, peças soltas).
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Confirmar rufos e remates (chaminés, claraboias e encontros de paredes).
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Vigiar sinais interiores: manchas, cheiro a humidade, tinta a descascar.
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Fazer uma revisão mais completa 1–2 vezes por ano (idealmente antes das chuvas fortes).
Jardim e exterior
O jardim (ou qualquer exterior, varanda, terraço, pátio) tem uma característica: se o deixas acumular, o trabalho duplica. E aqui manutenção não é só “estética”. É drenagem, segurança e preservação de materiais. Folhas acumuladas entopem ralos, criam manchas, deixam o piso escorregadio e podem levar a infiltrações (sobretudo em terraços). Plantas descontroladas encostadas a paredes aumentam humidade e atraem pragas. E mobiliário exterior, quando não é limpo e protegido, envelhece muito mais depressa.
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Limpar ralos e pontos de escoamento (especialmente no outono).
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Controlar folhas, musgo e sujidade no pavimento (segurança e infiltrações).
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Poda e manutenção de plantas por estação (evita pragas e humidade).
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Rever rega (fugas, emissores entupidos, ajustes verão/inverno).
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Proteger mobiliário e materiais exteriores (capas, limpeza e arrumação sazonal).
Idealista News