Fotos: Samuel Mendonça
Diocese do Algarve rezou pela paz e pela conversão do mundo

18:06 - 13/06/2026 FARO
A Diocese do Algarve correspondeu no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, 10 de junho, ao pedido do Papa Leão XIV que tem apelado, por diversas vezes, a que se faça oração pela paz e pela conversão do mundo e proposto a recitação do rosário como instrumento para isso.

Iniciativa de um movimento laical da diocese, a oração teve lugar ao final da tarde na catedral de Faro, presidida pelo cónego Carlos de Aquino, que realçou a paz como “um dos maiores dons que Deus oferece à humanidade”. “Num mundo marcado por conflitos, preocupações e inquietações, a Palavra de Deus vem recordar-nos que a verdadeira paz não nasce das circunstâncias externas, mas da presença de Deus no nosso coração”, referiu o sacerdote, lembrando que “a paz que Cristo oferece é diferente da paz do mundo, talvez da paz que o mundo espere”.

“Muitas vezes pensamos que teremos paz quando todos os problemas desaparecerem. No entanto, é curioso saber que Jesus pronunciou essas palavras pouco antes da sua paixão”, prosseguiu, sustentando que “a paz cristã nasce da confiança profunda em Deus”. “Quando entregamos as nossas preocupações ao Senhor, descobrimos que não caminhamos sós”, referiu.

O cónego Carlos de Aquino explicou que apesar de a paz ser “dom recebido”, todos são “chamados a ser construtores da paz”, “nas famílias, nas comunidades e nos locais de trabalho, em cada palavra de perdão, em cada gesto de reconciliação e em cada atitude de compreensão”, advertindo que “a paz não nasce de estratégias nem de acordos, mas de um coração que se deixa tocar pela presença de Deus”. “É uma paz que não se impõe pela força nem se protege pelo medo. Recebe-se como graça e floresce onde há confiança, perdão e esperança”, sustentou.

“Quais são as «armas» que ainda carregamos dentro de nós?”, questionou o sacerdote, esclarecendo que “podem não ser armas de metal”, mas “talvez preconceitos, ressentimentos, julgamentos apressados, incapacidade de acolher quem pensa e vive de modo diferente”. “Quanto isto faz mal à Igreja, povo santo do Senhor, à nossa própria vida. A verdadeira paz começa quando permitimos que essas «armas» caiam de nossas mãos e de nosso coração”, continuou.

“Receber a paz como dom e assumi-la como tarefa significa tornarmo-nos artesãos de reconciliação no lugar onde vivemos. Só assim a paz deixa de ser ideal e se transformará em realidade concreta, capaz de iluminar as relações e o mundo”, disse ainda.

Concelebrada pelo cónego Manuel Rodrigues e pelos padres Nelson Rodrigues e Vasco Figueirinha, a celebração que contou também com a participação do diácono Rogério Egídio e de católicos de vários pontos do Algarve, ficou ainda marcada pela oração pelos “que sofrem”, “os que vivem mais sós, os que se perderam no medo, abatidos pela tristeza, os necessitados de paz e de esperança” num “mundo ferido pela indiferença, pela violência e pela cultura do descarte”. “Não podemos permanecer indiferentes diante das injustiças, das guerras, da fome e de tudo aquilo que ameaça a vida dos mais frágeis”, afirmou-se ainda.

A recitação do Terço pela Conversão do Mundo e pela Paz teve transmissão em direto nos canais do YouTube da Diocese do Algarve e da Mais Algarve, tendo sido assegurada por aquele órgão de comunicação social.

 

Folha do Domingo