Alentejo pede «tempo» para ser descoberto, sem esquecer aeroporto

19:03 - 18/06/2026 ALENTEJO
A nova campanha do Alentejo aposta no «tempo». Ou melhor, no «vagar» que é preciso para descobrir a região e as múltiplas experiências que o visitante pode ter.

Na apresentação da campanha, José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, focou a importância que a região dá à qualidade em detrimento da quantidade, bem como aos novos projetos que estão a posicionar o Alentejo como “um dos destinos de referência a nível mundial”. O aeroporto de Beja não foi esquecido, admitindo José Santos que, “se não for a própria região a liderar esse processo, ninguém o fará por nós”.

 

A nova campanha promocional do Alentejo surge num momento em que a região procura consolidar um posicionamento assente na qualidade, na autenticidade e na sustentabilidade do crescimento turístico. Durante a apresentação da campanha, o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, José Santos, reforçou aquela que considera ser uma das principais vantagens competitivas da região: o facto de ainda não ter atingido os níveis de maturidade turística de outros destinos nacionais.

Questionado sobre se essa menor maturidade turística, em comparação com regiões como o Norte e o Centro, representa atualmente uma vantagem, José Santos responde afirmativamente, enquadrando esta visão na nova estratégia nacional para o turismo, que privilegia a criação de valor em detrimento do crescimento massificado.

“O país procura cada vez mais qualidade e não quantidade”, reconheceu José Santos, defendendo que o Alentejo possui condições únicas para responder a essa procura através da sua hospitalidade, paisagens, património e produtos turísticos diferenciadores.

Segundo o presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, o turismo alentejano continua a ser uma atividade “relativamente jovem” quando comparada com outras regiões do país, mas está a construir um “posicionamento sólido como destino de referência, capaz de competir nos segmentos mais exigentes dos mercados internacionais”.

A nova campanha, que será dividida em duas vagas – esta primeira focada no verão e uma segunda no outono/inverno – recebeu um investimento total de 280 mil euros, sendo que abrange, igualmente, uma nova campanha direcionada ao Ribatejo que será, oportunamente, apresentada, esclarecendo ainda José Santos que a “divisão dos custos foram de 2/3 para o Alentejo e 1/3 para o Ribatejo”.

João Viegas, responsável pela New Ligth Pictures, agência responsável pelo conceito e criatividade, explicou que a proposta criativa parte de uma ideia simples: “há destinos que se visitam rapidamente e há destinos que pedem tempo. O Alentejo pertence à segunda categoria. Mais do que promover paisagens ou experiências isoladas, a campanha procura valorizar aquilo que verdadeiramente distingue o território: a forma como o tempo abranda e transforma a experiência de quem o vive”.

 

Projetos de luxo reforçam notoriedade internacional
A crescente aposta de marcas internacionais de luxo na região é vista como um dos fatores que mais contribuem para elevar a notoriedade do Alentejo no exterior.

José Santos destacou projetos de elevada dimensão e prestígio, nomeadamente na Comporta e na costa alentejana, considerando que estes investimentos colocam o Alentejo no “radar dos principais mercados internacionais” e ajudam a “reforçar a imagem do destino junto dos segmentos de maior valor acrescentado”.

Para José Santos, o desafio passa agora por garantir que este crescimento não fique concentrado apenas no litoral. O objetivo é construir um destino equilibrado e homogéneo, distribuindo investimento, oferta turística e benefícios económicos por todo o território.

“Queremos um destino regional forte, onde existam produtos de excelência tanto no litoral como no interior”, salientou, frisando que estão previstos 10 novos hotéis e mais de 700 camas para breve, admitindo, no entanto, que o objetivo é “crescer à velocidade do Alentejo”.

 

Verão mostra sinais positivos
Relativamente à evolução das reservas para o verão, José Santos reconheceu que os consumidores estão cada vez mais cautelosos e tendem a reservar mais perto da data da viagem, refletindo uma maior sensibilidade ao preço e alguma incerteza económica.

Ainda assim, os indicadores disponíveis são encorajadores. Segundo explicou, em poucas semanas alguns destinos passaram de taxas de ocupação próximas dos 50% para valores entre os 75% e os 80%, demonstrando uma aceleração da procura à medida que se aproxima o período de férias.

No mercado nacional, o desempenho mantém-se alinhado ou ligeiramente acima do registado no ano passado. Já nos mercados externos, o responsável destacou particularmente o crescimento da procura espanhola.

“O Alentejo foi a única região turística portuguesa a crescer no mercado espanhol no último ano”, sublinhou, acrescentando que a região registou um aumento de 22% naquele mercado durante o primeiro quadrimestre.

Apesar de algumas oscilações noutros mercados internacionais, a expectativa é que a tendência positiva se mantenha ao longo do verão. A nova campanha procura precisamente captar os turistas portugueses que ainda não decidiram o destino das suas férias ou escapadinhas de última hora, fazendo com que os 12% a 13% de dormidas de residentes possa aumentar nos próximos tempos.

A mensagem da nova campanha aposta numa imagem mais diversificada do território, promovendo não apenas a gastronomia, os vinhos e a hospitalidade, mas também os rios, as praias fluviais, os desportos náuticos, os percursos de natureza e a observação do céu estrelado.

Aeroporto de Beja: oportunidade que exige preparação
Um dos temas abordados durante a apresentação da nova campanha do Alentejo foi o futuro do aeroporto de Beja, adotando José Santos uma posição pragmática sobre o assunto. Sem alimentar expectativas excessivas, considera que “o aproveitamento da infraestrutura dependerá sobretudo da melhoria das acessibilidades e da capacidade da região em criar massa crítica suficiente para atrair companhias aéreas”, fazendo referência à eletrificação da ligação ferroviária e concretização da A26 até às proximidades do aeroporto.

José Santos reconheceu, igualmente, que a coexistência entre as componentes militar e civil da infraestrutura continua a ser um desafio, embora considere que existem exemplos bem-sucedidos, como o das Lajes, nos Açores, que demonstram ser “possível compatibilizar ambas as funções”.

Nesse sentido, revelou a realização de uma reunião com diversos agentes do setor para avaliar a viabilidade de um plano de atração de rotas. Na altura, concluiu-se que ainda não existiam condições para avançar, reconhecendo, contudo, que “o cenário está a mudar”. “Com vários projetos turísticos em desenvolvimento e centenas de novas camas previstas para os próximos anos, considero que poderá fazer sentido iniciar, dentro de dois a três anos, um trabalho estruturado de captação de ligações aéreas”.

Nesse sentido, José Santos concluiu que, “se não for a própria região a liderar esse processo, ninguém o fará por nós”. Até porque,  “temos recebido cada vez mais manifestações de interesse por parte de investidores e empresários relativamente ao potencial futuro do aeroporto”, um sinal que o presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo interpreta como “encorajador para o desenvolvimento turístico do Alentejo”.

 

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