Cerca de 37% dos jovens portugueses vive em casa própria e 26% pagam renda, enquanto 3 em cada 10 ainda vive com familiares.
Os custos com a habitação em Portugal continuam a representar uma das maiores fatias do orçamento dos jovens, seja para os que vivem em casa própria, que correspondem a 37% (23% destes com empréstimo), ou para os que vivem em casa arrendada, que são 26%. O elevado peso com estes encargos faz com que 3 em cada 10 jovens portugueses ainda vivam em casa de familiares.
De acordo com o estudo “Intenções de Consumo 2026”, lançado pelo Observador Cetelem, metade dos inquiridos afirma que os encargos com a habitação representam até 30% do seu rendimento mensal e para um em cada três jovens o pagamento da prestação ou da renda representa entre 31% a 50% do seu rendimento.
Jovens reajustam consumo
Além do pagamento da respetiva residência, outras despesas fixas relacionadas à habitação (como eletricidade, água, gás e alimentação) representam mais 30% do orçamento de metade dos inquiridos jovens. Ainda assim, despesas com a saúde representam uma fatia maior (35%), tal como a restauração (34%), seguindo-se o vestuário (30%).
Mas a maior prioridade dos jovens portugueses entre os 18 e os 35 anos é o bem-estar, com especial destaque para as viagens (23%), as subscrições digitais (21%) e o desporto (20%). Segundo o referido estudo, 65% dos jovens tendem a gastar mais do que o planeado em atividades de lazer, devido, principalmente, às promoções (53%), recomendações de familiares e amigos (39%) e redes sociais (25%). Praticamente nove em cada dez reconhecem ser influenciados.
Uma grande parcela dos jovens assume também ter de reajustar os seus hábitos relativos à mobilidade, uma vez que 70% possui carro e, devido ao aumento dos preços dos combustíveis, 73% desses jovens com viatura admite ter de fazer ajustes. Cerca de metade (52%) afirma reduzir as deslocações e 17% começa a dar prioridade aos transportes públicos. Mais a longo prazo, 67% dos jovens inquiridos pensa comprar um veículo elétrico. Entre os principais fatores que podem influenciar esta decisão encontram-se o preço (42%) e o preço dos combustíveis (35%).
Reforma supera compra de casa nas poupanças
Apesar de todos os custos já mencionados, que representam grande parte do rendimento dos jovens inquiridos, 78% afirmam conseguir poupar, em média, 15% do salário. E os principais objetivos podem surpreender: 24% dos jovens destinam as suas poupanças a preparar a reforma, 23% a criar um fundo de emergência e apenas 13% para a compra de casa.
Os depósitos são a opção mais comum (40%) entre os 70% dos jovens até 35 anos que possuem produtos financeiros, seguindo-se os ETFs (23%) e as criptomoedas (18%). Quanto aos inquiridos com idades superiores a 35 anos, os depósitos tradicionais são a principal opção (44%), logo depois surgem os PPR (29%) e, depois, os Certificados de Aforro (25%).
Maioria dos jovens têm ou pondera ter segundo rendimento
O estudo “Intenções de Consumo 2026” revela que o rendimento médio dos jovens inquiridos é de 1.489 euros e que 74% já têm ou ponderam ter uma segunda fonte de rendimento, seja por um segundo emprego ou por um projeto paralelo, sendo esta uma das principais conclusões deste recente estudo Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance.
E a percentagem de jovens entre os 18 e os 35 que tem já um rendimento extra é superior (40%) à dos que ainda pensam fazê-lo futuramente (34%). Isto acontece porque 41% avalia de forma negativa o seu poder de compra, enquanto 33% admite precisar de apoio financeiro para manter o estilo de vida. Por esse motivo, metade dos inquiridos jovens prevê reduzir o consumo, um terço prevê adiar compras não essenciais e 26% procura alternativas mais económicas.
Devido a estas medidas de contenção financeira, 55% dos jovens admite não ter orçamento disponível para projetos que gostaria de concretizar. Entre os principais projetos encontram-se as viagens (47%), a compra de casa (30%) e a realização de obras ou renovações (25%), com 38% a admitir ter de recorrer a apoio financeiro da família para conseguir realizar estes projetos, enquanto 49% consideram contratar um crédito.
Perspetiva é positiva, apesar dos constrangimentos
Embora todos os constrangimentos acima referidos, 48% dos jovens até aos 35 anos demonstram-se positivos quanto à possível melhoria da sua situação financeira (com respostas sete a dez numa escala de um a dez), enquanto nos inquiridos com idades superiores a 35 anos essa esperança reduz para 31%. Os mais jovens também se demonstram mais positivos em relação à atual situação do país (5,2 face a 4,9, numa escala de 1 a 10): 28% acreditam que a situação vai melhorar e 39% confiam numa recuperação do poder de compra.
Em comunicado, Hugo Lousada, Marketing, B2B & B2C Diretor do Cetelem, refere que “os dados mostram que muitos jovens portugueses entre os 18 e 35 anos estão a responder ao custo de vida procurando reforçar o seu poder de compra com um segundo rendimento e ajustando hábitos de consumo”. De acordo com o responsável, estes jovens, “apesar dos desafios atuais, mantêm confiança na melhoria da sua situação financeira, procurando poupar e investir de forma a terem capacidade para responder a imprevistos e para preparar o futuro”.
Idealista News