Vencedores já foram escolhidos pelo público português e há muitos lugares que poderás visitar. Contamos-te tudo.
Quase 20 anos depois da primeira edição, Portugal voltou a escolher as sete maravilhas do seu património. Desta vez, a seleção vai além dos monumentos históricos, dando também espaço à arquitetura contemporânea e a obras que mostram como aquilo que é tão nosso continua a ser construído no presente.
As Novas 7 Maravilhas de Portugal foram anunciadas depois de uma fase final que reuniu 21 candidatos, três em cada uma das sete categorias: História, Grandes Obras, Arquitetura do século XX, Arquitetura do século XXI, Turismo, Castelos e Religião. Mas onde ficam as novas maravilhas e o que podes encontrar em cada uma delas? Revelamos agora os vencedores deste ano com todos os detalhes.
Aqueduto da Usseira, Óbidos
O Aqueduto da Usseira, em Óbidos, venceu na categoria Grandes Obras. Construído no século XVI, durante o reinado de D. Catarina de Áustria, tinha como objetivo transportar água até à vila e responder às necessidades da população.
A estrutura prolonga-se por seis quilómetros, três dos quais são subterrâneos e tornou-se parte da paisagem à entrada de Óbidos.
A sua escolha recorda também que o património português não se resume a palácios, igrejas ou fortalezas. As infraestruturas construídas para facilitar a vida quotidiana são igualmente testemunhos da forma como as localidades se desenvolveram.
Mercados de Olhão
Na categoria Arquitetura do século XX, a escolha recaiu sobre os Mercados de Olhão, dois edifícios que ocupam um lugar central na frente ribeirinha desta cidade algarvia. A construção começou em 1912 e os mercados abriram oficialmente a 1 de maio de 1916, com um edifício destinado ao peixe e outro às verduras.
Mais de um século depois, continuam a cumprir a função para a qual foram concebidos e mantêm uma ligação próxima à atividade piscatória e à gastronomia da região. Quem passa por Olhão pode visitar um exemplo de património que não ficou parado no tempo. A sua essência continua a sentir-se logo pela manhã, quando as bancas e os corredores se enchem de quem ali vai fazer as compras.
Tiago Cabaço Winery, Estremoz
A Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, conquistou a categoria Arquitetura do século XXI. A adega dedicada à produção de vinhos mostra como um edifício com uma função essencialmente produtiva pode também tornar-se uma referência da arquitetura contemporânea.
A escolha leva-nos novamente ao Alentejo, mas desta vez através da relação entre arquitetura e vinho. Estremoz encontra-se numa das principais regiões vitivinícolas portuguesas, e uma visita permite conhecer não só o património da cidade, como também as vinhas e adegas que fazem parte da paisagem envolvente.
Jardim do Paço Episcopal, Castelo Branco
Na categoria Turismo, foi distinguido o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco, um dos espaços históricos mais conhecidos da cidade. Este jardim barroco foi construído por volta de 1720 pelo bispo da Guarda D. João de Mendonça e organiza-se em diferentes patamares, escadarias, lagos e áreas de vegetação.
Um dos elementos que mais chama a atenção é o conjunto de estátuas em granito, onde surgem reis de Portugal, apóstolos, virtudes, signos do Zodíaco e as estações do ano. É um jardim onde podes caminhar tranquilamente, sozinho ou com os mais novos.
Se quiseres visitar o Jardim do Paço Episcopal, fica a saber que encontra-se aberto das 9h00 às 19h00 entre abril e setembro e das 9h00 às 18h00 entre os meses de outubro e março. Encerra no dia de Natal e no domingo de Páscoa.
Castelo de Leiria
Na categoria Castelos, o vencedor foi o Castelo de Leiria, situado num ponto elevado sobre a cidade. O conjunto reúne elementos de arquitetura militar, residencial e religiosa, resultado das diferentes utilizações e intervenções realizadas ao longo dos séculos.
A história do castelo está ligada à formação do território português e às disputas entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média. D. Afonso Henriques ordenou a construção de uma fortificação em Leiria no século XII, posteriormente reconstruída e ampliada.
Durante a visita, podes conhecer espaços como o Paço Real, a Igreja de Nossa Senhora da Pena e as muralhas, de onde tens uma vista panorâmica sobre a cidade.
Sé de Lisboa
A Sé de Lisboa também faz parte das Novas 7 Maravilhas de Portugal, ao vencer na categoria Religião. Também conhecida como Igreja de Santa Maria Maior, começou a ser construída no século XII, depois da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, sendo um dos edifícios religiosos mais antigos da capital.
Ao longo de quase nove séculos, os terramotos, as reconstruções e as diferentes intervenções deixaram marcas na sua arquitetura. A fachada com aparência fortificada tornou-se uma das imagens mais reconhecidas do monumento.
No interior, podes conhecer outros espaços e elementos históricos antes de continuares a visita pelas ruas de Alfama, onde a Sé ocupa um lugar incontornável na paisagem de Lisboa. Além disso, não podemos negar a importância que tem para os apaixonados, uma vez que ali se casam os noivos de Santo António.
Ruínas Romanas de São Cucufate, Vidigueira
Na categoria História, as Ruínas Romanas de São Cucufate, em Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, foram escolhidas como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal. O conjunto arqueológico ajuda a compreender a presença romana no Alentejo e a forma como as grandes propriedades rurais se organizavam durante esse período.
São Cucufate distingue-se sobretudo pelas ruínas de uma antiga villa romana, cuja ocupação atravessou vários séculos. O edifício que hoje domina o conjunto resulta de diferentes fases de construção e conserva estruturas que permitem perceber a dimensão alcançada pela propriedade. Mais tarde, o espaço conheceu outras utilizações, incluindo de natureza religiosa.
Que maravilhas ficaram de fora da lista?
Nem todos os 21 finalistas conseguiram conquistar o título de Nova Maravilha de Portugal. A decisão ficou nas mãos do público, que votou nos seus candidatos favoritos para eleger um vencedor em cada uma das sete categorias. Entre os espaços que ficaram de fora está o Monte Palace Madeira, no Funchal, que chegou à final na categoria Turismo. O jardim ocupa cerca de 70.000 metros quadrados e reúne espécies botânicas de diferentes partes do mundo, lagos, painéis de azulejos e coleções de arte.
A presença na final teve um significado particular para a Madeira, já que o Monte Palace foi o único dos sete representantes regionais a ultrapassar a meia-final nacional. Nos Açores também houve vários candidatos ao longo da competição, entre os quais a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na categoria Castelos; o Convento da Caloura, na Lagoa, em São Miguel, na categoria História; e o Cella Bar, na Madalena do Pico, na categoria Turismo.
No total, a Grande Final reuniu 21 patrimónios, três por cada uma das sete categorias, o que significa que 14 candidatos terminaram a competição sem conquistar o título.
A edição de 2026 marcou o regresso da iniciativa quase duas décadas depois da primeira eleição das 7 Maravilhas de Portugal, realizada a 7 de julho de 2007. Nessa edição, os portugueses elegeram o Castelo de Guimarães, o Castelo de Óbidos, o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio da Pena e a Torre de Belém.
As escolhas de 2026 não substituem nem retiram o título atribuído a estes sete monumentos em 2007. O objetivo voltou a passar pela valorização do património nacional e por chamar a atenção dos portugueses para lugares que ajudam a contar diferentes momentos da história e da arquitetura do país.
Idealista News