16 Municípios algarvios deram entrada hoje com Providências Cautelares contra a prospeção e exploração de hidrocarbonetos
A perfuração exploratória tem como objetivo inequívoco a produção e comercialização de hidrocarbonetos; assim, apesar dos impactos efetivos da perfuração, deve-se ter em conta os impactos efectivos e potenciais na exploração. Desde as descargas de águas residuais nocivas até aos múltiplos acidentes que comprometem a vida dos trabalhadores, o ambiente, e, directa ou indirectamente, a população.
A Quercus reafirma a sua visão de que o caminho para Portugal deverá passar por investimentos mais sólidos em energias renováveis compatíveis com a conservação da natureza, assim como pela eficiência energética, e não pela aposta na exploração de hidrocarbonetos, que entra em contradição com os compromissos assumidos pelo Estado Português na cimeira COP21.
Considera ainda que um projecto desta natureza deve ser muito bem justificado do ponto de vista económico e se os ganhos imediatos daí derivados são relevantes para o país, compensando potenciais riscos que podem existir, não só do ponto de vista económico, mas também ambiental e social, em caso de acidente.
Do ponto de vista económico, o que se perspectiva é um desastre, não só porque a plataforma se localizará muito perto da Beirinha, o maior banco de pescada branca do Algarve, como também matará quantidades apreciáveis de peixe e os afastará para outras bandas.
A Quercus lembra que o sector do turismo, uma das atividades de relevo da região, deverá fazer-se ressentir logo que for conhecida a exploração e possíveis focos de contaminação das águas, o que certamente convidará os turistas a procurarem outras paragens.
Além disso a exploração de gás natural poderá provocar um aumento da actividade sísmica na região.
No que respeita aos benefícios para os cidadãos em questões de ocupação de postos de trabalhos, o valor será residual, logo não justificável.
A Quercus reafirma que não foram cumpridas todas as normas de proteção ambiental, nomeadamente em sede de avaliação de impacto ambiental e existe uma clara sub-avaliação dos riscos de catástrofe ambiental para o Algarve.
A Quercus apoia a união de todos os Municípios da região e reforça a importância da luta pelos interesses dos cidadãos e por um Algarve Livre de Petróleo e Gás Natural.
Por Quercus