Interesse por terrenos mantém-se expressivo em regiões como Lisboa, Faro e Madeira, apesar da quebra no número de anúncios
Entre abril e junho de 2025, foram publicados 139.394 anúncios de terrenos no Imovirtual, o que representa uma quebra de 22% face ao mesmo período do ano anterior. Apesar desta descida, o trimestre ficou marcado pela entrada em vigor da nova Lei dos Solos, que permite, mediante critérios definidos, a reconversão de terrenos rústicos em urbanos — uma mudança com potencial para reconfigurar o mercado e estimular novas dinâmicas de investimento no setor imobiliário.
Do lado da procura, o número de pesquisas por terrenos registou uma ligeira descida de 2,9% face ao mesmo trimestre do ano anterior, o que poderá indicar uma estabilização após o pico de atenção gerado pela entrada em vigor da nova lei. Ainda assim, o interesse mantém-se elevado, com mais de 4.000 sessões mensais únicas dedicadas à pesquisa de terrenos no portal. Também em destaque está a valorização do preço por metro quadrado, que atingiu os 42€, refletindo um crescimento de 7,7% face ao trimestre anterior (39€/m²). A dimensão mediana dos terrenos procurados manteve-se estável nos 1.900 m², revelando uma preferência contínua por espaços amplos, sobretudo fora das grandes áreas urbanas.
Do lado da oferta, além da quebra no número de anúncios, os dados revelam uma redução na dimensão média dos terrenos anunciados, que passou de 1.497 m² em dezembro de 2024 para 1.078 m² em junho de 2025 — uma descida de 28% em apenas seis meses. Esta tendência poderá refletir a entrada no mercado de terrenos mais pequenos e urbanizáveis, agora mais atrativos face ao novo enquadramento legal.
Este desfasamento entre o que se procura e o que está a ser oferecido poderá traduzir uma dualidade emergente no mercado: por um lado, uma oferta cada vez mais adaptada ao potencial de reconversão urbana; por outro, uma procura que se mantém firme em torno de projetos com maior área e dimensão, frequentemente associados a habitação fora dos grandes centros ou a usos de caráter mais rural.
Em termos regionais, destacam-se algumas variações relevantes nos valores por metro quadrado:
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Lisboa continua a apresentar o preço por m² mais elevado do país, com 130€/m², apesar de uma descida de 7% face ao ano anterior.
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Faro, com 44€/m², registou uma queda de 25% em termos homólogos, mas mantém níveis expressivos de procura.
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Ilha da Madeira destacou-se com um crescimento homólogo de 15%, atingindo os 113€/m², o que reflete um aumento sustentado da procura por terrenos na região.
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Portalegre, embora com valores absolutos mais baixos, registou uma valorização de 14%, com um preço médio de 16€/m².
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Setúbal apresentou um aumento de 2,75%, atingindo os 187€/m².
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Braga, por sua vez, viu o preço por m² cair para 56€, com uma descida de quase 7%.
Quanto à dimensão dos terrenos, os dados confirmam a preferência por espaços amplos fora dos grandes centros urbanos:
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Beja destaca-se com 9.650 m² de dimensão mediana, sendo uma das regiões com maiores áreas disponíveis.
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Évora apresenta terrenos com uma média de 8.375 m², mantendo a mesma dimensão que no ano anterior.
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Guarda oferece terrenos com cerca de 4.940 m², também acima da média nacional.
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Na Ilha do Porto Santo, registou-se um aumento de 29% na dimensão dos terrenos face a 2024, fixando-se agora nos 2.620 m².
A entrada em vigor da nova Lei dos Solos introduz um novo paradigma na gestão do território, ao permitir a reclassificação de terrenos rústicos como urbanos. Esta medida pretende facilitar a construção de habitação em zonas com menor pressão urbanística e parece já estar a influenciar o mercado. A expectativa de valorização futura está a reposicionar o interesse por determinadas regiões.
Por: Imovirtual