André Magrinho, Professor Universitário, Doutorado em Gestão | andre.magrinho54@gmail.comAndré Magrinho, Professor Universitário, Doutorado em Gestão | andre.magrinho54@gmail.com
A Conferência das Partes (COP30), a reunião anual dos países que assinaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), criada em 1992, realizada recentemente em Belém do Pará, Brasil, marcou um momento simbólico e estratégico: pela primeira vez, a Amazónia foi palco do maior fórum global sobre clima. Este cenário reforçou a urgência de proteger ecossistemas vitais e acelerar a transição para uma economia sustentável. Apesar dos esforços, o mundo continua aquém das metas do Acordo de Paris. O objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C enfrenta obstáculos significativos: falta de consenso sobre a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, financiamento insuficiente para países vulneráveis e atrasos na implementação de políticas nacionais. A distância entre compromissos e ações concretas permanece um dos maiores desafios.
Contudo, há sinais encorajadores. A taxa de crescimento do aquecimento global está a diminuir, ainda que de forma insuficiente para garantir a contenção abaixo de 1,5°C. Este abrandamento indica que as políticas climáticas começam a produzir efeito, mas é necessário intensificar esforços. A COP30 aprovou a Meta Global de Adaptação, com indicadores claros para medir a resiliência dos países, e operacionalizou o Fundo de Perdas e Danos, com os primeiros financiamentos anunciados. Iniciativas como o Green Digital Action Hub e o AI Climate Institute apontam para uma integração crescente entre tecnologia e sustentabilidade.
Na Europa, os avanços são particularmente relevantes. O Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal) e o plano REPowerEU têm impulsionado investimentos maciços em energias renováveis, hidrogénio verde e eficiência energética. A União Europeia mantém-se na vanguarda da diplomacia climática, liderando negociações e estabelecendo padrões regulatórios globais, como o Mecanismo de Ajustamento Carbónico nas Fronteiras. O desafio agora é transformar promessas em resultados tangíveis. Mas, também é verdade que a UE experimenta fragilidades significativas, nomeadamente num domínio crítico que é a transição energética, dependendo de forma drástica de cadeias de abastecimento externas, sobretudo chinesas, tanto para baterias como painéis solares, matérias-primas críticas e equipamentos fundamentais. Sendo certo que a transição energética é inevitável e essencial para um futuro sustentável, não pode ser conduzida de forma ingénua. A descarbonização não deve gerar nova dependência, especialmente da China. É crucial que esta mudança fortaleça soberania tecnológica, resiliência económica e justiça global. Para isso, é necessária uma estratégia que combine investimento interno, diversificação e cooperação internacional. Só assim garantiremos uma transição segura e próspera para o Ocidente, equilibrando ambiente, política, economia e sociedade.
A próxima década será decisiva para garantir uma transição justa, que concilie crescimento económico, inclusão social e neutralidade carbónica. Portugal, com a sua posição estratégica no Atlântico e potencial em energias renováveis, pode desempenhar um papel central neste esforço coletivo.