Animalife recebeu mais de 6.000 pedidos de apoio social-animal em 2025

11:00 - 17/01/2026 ATUALIDADE
Em 2025, a Animalife recebeu mais de 6.000 pedidos de apoio por parte de famílias em situação de vulnerabilidade social e económica com animais de companhia.

Embora inferior aos anos anteriores, este número confirma a persistência de uma pressão significativa sobre as respostas sociais-animal, refletindo o impacto prolongado da instabilidade económica no bem-estar das famílias multiespécie. 

Em 2024, a Animalife recebeu mais de 7.400 pedidos de apoio. O número registado em 2025, apresenta uma descida, comparativamente com o número de pedidos do último ano, no entanto, confirma a persistência de uma pressão significativa sobre as respostas sociais-animal, refletindo o impacto prolongado da instabilidade económica no bem-estar das famílias multiespécie. 

Atualmente, a Animalife acompanha mais de 1200 agregados familiares em situação de vulnerabilidade social, assegurando apoio regular a mais de 2.350 animais de companhia, através de respostas integradas que combinam apoio alimentar, cuidados veterinários e acompanhamento social-animal. 

Esta redução progressiva no número de pedidos de apoio não traduz uma diminuição da vulnerabilidade social, mas sim o impacto da implementação de respostas mais próximas, articuladas e preventivas, desenvolvidas em colaboração com as autarquias. 

A maioria dos pedidos continua a ser sinalizada pelas equipas de Ação Social das câmaras municipais e juntas de freguesia com as quais a Animalife mantém protocolos. Atualmente, a associação trabalha com mais de 30 autarquias, de norte a sul de Portugal, o que evidencia a abrangência nacional do fenómeno. 

Uma resposta criada para atuar antes da rutura 
Os apoios são prestados no âmbito do Programa de Apoio Social-Animal (PASA), uma resposta pioneira desenvolvida pela Animalife para apoiar famílias antes da rutura, prevenindo situações de abandono, negligência involuntária ou entrega de animais a associações por incapacidade económica. 

"O abandono animal não começa quando um animal é deixado na rua. Começa quando uma família deixa de conseguir responder às suas necessidades básicas", afirma Rodrigo Livreiro, Presidente da Direção da Animalife. "O PASA foi criado precisamente para atuar nesse momento crítico, protegendo os animais através da proteção das pessoas." 

Respostas diferenciadas para necessidades concretas 
Ao longo de 2025, a Animalife reforçou e diversificou as suas respostas em função das realidades territoriais e das necessidades identificadas no terreno. 

Nos municípios da Amadora e do Seixal, foi realizado um investimento específico na criação de respostas de cuidados veterinários ao domicílio, destinadas a famílias com limitações económicas, físicas ou sociais que impedem o acesso aos serviços veterinários convencionais. Estas respostas permitem assegurar cuidados essenciais, prevenir o agravamento clínico dos animais e reduzir o risco de abandono. 

Em Lisboa, a Animalife tem vindo a consolidar e expandir o projeto Vet na Rua, uma resposta de intervenção veterinária e social desenvolvida em contexto comunitário, em articulação com juntas de freguesia e serviços locais. O projeto permite levar cuidados veterinários essenciais diretamente às populações em situação de maior vulnerabilidade, através de equipas de proximidade que integram medicina veterinária, serviço social e acompanhamento no terreno, garantindo uma resposta regular, acessível e ajustada às realidades de cada território. 

Na sequência desta consolidação, a Animalife avançou também com uma resposta inovadora no âmbito da saúde mental, dirigida a pessoas em situação de sem-abrigo, através do projeto Patas Amigas, reconhecendo o papel dos animais de companhia como fator de estabilidade emocional, vínculo e suporte psicológico, integrado numa abordagem social mais ampla e humanizada. 

"Os dados confirmam aquilo que as equipas sentem diariamente no terreno: há famílias que querem cuidar dos seus animais, mas não conseguem fazê-lo sozinhas", sublinha Francisco Gonçalves, Diretor do Departamento de Desenvolvimento Social-Animal da Animalife. "É por isso que o PASA aposta na proximidade, na prevenção e na articulação com os serviços locais." 

Reforço da proximidade em novos territórios 
Com o estabelecimento de novos protocolos nos municípios de Vila Franca de Xira, Azambuja e Alenquer, a Animalife prepara-se para implementar equipas de maior proximidade, reforçando o acompanhamento social-animal, a articulação com os serviços municipais e a capacidade de resposta no terreno. 

Este reforço permitirá atuar de forma mais precoce, reduzindo situações de rutura e promovendo uma intervenção integrada junto das famílias e dos seus animais de companhia. 

Um indicador social que exige respostas estruturadas 
Para a Animalife, os mais de 6.000 pedidos registados em 2025 confirmam que a pobreza continua a afetar milhares de famílias multiespécie e que a ausência de respostas sociais que integrem os animais de companhia aumenta significativamente o risco de abandono. 

"A proteção animal não pode ser dissociada da proteção social", conclui Rodrigo Livreiro. "Enquanto os animais continuarem fora das respostas sociais, estaremos sempre a atuar tarde demais." 

 

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