Em 2024 saíram 65 mil portugueses, menos 7,1% que em 2023, maioria com ensino secundário ou menos.
Em 2024, a emigração portuguesa recuou 7,1%, com cerca de 65 mil pessoas a deixarem o país, menos cinco mil do que em 2023. Esta redução não se deve apenas a fatores sazonais, mas reflete uma mudança estrutural, marcada sobretudo pelo impacto do Brexit, que levou a uma forte queda das saídas para o Reino Unido. Portugal regressa assim a níveis de emigração próximos dos observados na primeira década do século XXI, longe dos picos registados durante a crise da dívida soberana.
Segundo o ECO, a diminuição do fluxo migratório para o Reino Unido explica grande parte do recuo. Enquanto outros destinos europeus registaram apenas pequenas variações, a Suíça consolidou-se como principal destino dos emigrantes portugueses, seguida de Espanha, França, Alemanha e países do Benelux. “É a queda da emigração para o Reino Unido que explica grande parte da diminuição da emigração portuguesa”, afirma Inês Vidigal, coordenadora executiva do Observatório da Emigração.
Apesar de uma evolução positiva em termos de qualificação – cerca de 30% dos emigrantes possuem ensino superior –, a maioria continua pouco qualificada, com mais de metade não tendo completado além do ensino secundário. O jornal destaca que esta realidade cria desafios para Portugal, que perde mão-de-obra necessária enquanto recebe imigrantes cujas competências muitas vezes não são devidamente reconhecidas, desperdiçando potencial humano importante para o desenvolvimento económico.
Idealista News