O número de vítimas de violência escolar ajudadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou quase 60% nos últimos seis anos, divulgou hoje a organização, a maioria raparigas entre os 11 e 14 anos.
As estatísticas são divulgadas por ocasião do Dia Internacional de Não Violência e da Paz nas Escolas para demonstrar que a violência nas escolas é um fenómeno que “continua a afetar estudantes, docentes, profissionais não docentes e outros membros da comunidade educativa”.
De acordo com a APAV, entre 2020 e 2025, a associação apoiou 1.249 vítimas, “o que representa um aumento de 58,9% ao longo destes seis anos”.
O ano com maior número de vítimas apoiadas foi 2022, com 246, tendo depois baixado para 229 em 2023, 215 em 2024 e aumentado novamente em 2025 com 232 casos registados.
“A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (64,7%) e a faixa etária mais representativa, à data do primeiro contacto com a APAV, foi a dos 11 aos 14 anos”, refere a associação.
A quase totalidade (81,2%) das vítimas era de nacionalidade portuguesa e os distritos com mais casos reportados foram Lisboa (289), Porto (170) e Faro (130), “refletindo uma distribuição alargada do fenómeno”.
Pouco mais de metade (50,1%) das vítimas que pediram ajuda à APAV fizeram queixa junto das entidades judiciais ou judiciárias, enquanto 40,4% não o fizeram.
Relativamente ao perfil da pessoa agressora, a APAV revela que foram identificados 1.349 agressores, maioritariamente do sexo masculino (55,6%), com “uma forte incidência entre pares” quando é feita análise sobre a relação com a vítima, “com destaque para colegas de escola ou de trabalho (39,4%)”.
A APAV esclarece que estão em causa todas as formas de violências que acontecem dentro e nas imediações dos estabelecimentos de ensino, que podem ir desde agressões físicas, ameaças ou assédio, até à violência praticadas nos meios digitais.
Lusa