A Câmara de Mourão, no distrito de Évora, contestou ontem o projeto de instalação de uma nova central fotovoltaica flutuante na albufeira de Alqueva, manifestando preocupação com os impactos no concelho e na região.
“Trata-se de uma infraestrutura de grande dimensão, com ocupação significativa do espelho de água, numa área de elevada sensibilidade ambiental, paisagística e económica”, alertou, em comunicado, o município, cujo território confina com a barragem.
Segundo a autarquia, o projeto prevê a instalação da central no plano de água da albufeira, através da colocação de painéis solares sobre estruturas flutuantes ancoradas.
“Face às preocupações identificadas”, o município defendeu que “deverá ser emitido parecer desfavorável no âmbito da AIA em curso, conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo”.
Assinalando que a albufeira “assume um papel estratégico nacional”, a Câmara de Mourão aludiu às vertentes de produção de energia, abastecimento de água, atividades agrícola e náutica de recreio e desenvolvimento turístico da região.
“A introdução de novas infraestruturas desta escala no plano de água levanta a necessidade de uma análise rigorosa dos impactos cumulativos, considerando os diversos projetos energéticos já existentes no território”, salientou.
No comunicado, assinado pelo presidente da câmara, o social-democrata João Fortes, o município alentejano considerou que o projeto desta central “coloca igualmente em causa parte da biodiversidade existente”.
“Num concelho reconhecido pelo seu valioso património ambiental e excelência da sua paisagem natural, a dimensão prevista para esta infraestrutura poderá conduzir a um processo de artificialização e descaracterização da paisagem”, alegou.
E vai comprometer, continuou, “a imagem de um território que se tem vindo a afirmar de forma consistente como destino de turismo sustentável”.
A autarquia afirmou que “o turismo representa um dos principais motores da economia local e regional” e advertiu que “a instalação da central poderá funcionar como fator inibidor de investimento e de iniciativas ligadas ao turismo e às atividades náuticas”.
Esta posição, explicou, resulta de reuniões e diligências promovidas pelos autarcas da zona do Alqueva junto da tutela e da Agência Portuguesa do Ambiente, com vista a obter informação sobre o projeto e o seu impacto.
No final de novembro de 2025, as câmaras de Moura, no distrito de Beja, e de Reguengos de Monsaraz, Portel, Alandroal e Mourão, no de Évora, todas na zona de Alqueva, já tinham contestado o projeto desta central fotovoltaica flutuante.
O projeto é promovido pela EDP, que em 2022 venceu o leilão para a exploração de 70 megawatt (MW) de energia solar na albufeira de Alqueva.
E está previsto para uma área do lago nos concelhos de Moura, Portel e Reguengos de Monsaraz.
A EDP possui, desde 2022, uma central solar flutuante na albufeira de Alqueva, de cinco MW de potência, com 12 mil painéis solares que flutuam em quatro hectares da albufeira de Alqueva, perto do paredão da barragem.
Lusa