A informação é avançada por várias publicações britânicas, que citam fontes do trade turístico do Reino Unido e que confirmam a mudança de planos de muitos viajantes, que estão a trocar as reservas para destinos no Médio Oriente, Turquia, Chipre ou Egito, pelas Caraíbas ou pelo Mediterrâneo Ocidental, incluindo Portugal.
O recente conflito no Médio Oriente está a levar os turistas britânicos a alterar os seus planos de férias e a fugir de destinos próximos à zona afetada, o que deve favorecer Portugal e os destinos do Mediterrâneo Ocidental, que continuam a ser vistos como seguros e acessíveis.
A informação é avançada por várias publicações britânicas, que citam fontes do trade turístico do Reino Unido e que confirmam a mudança de planos de muitos viajantes, que estão a trocar as reservas para destinos no Médio Oriente, assim como para a Turquia, Chipre ou Egito, pelas Caraíbas ou pelo Mediterrâneo Ocidental.
A publicação britânica especializada em turismo Travel Weekly avança que, no Reino Unido, os agentes de viagens e operadores turísticos têm notado que a procura sobre o Mediterrâneo Oriental e o Médio Oriente diminuíram desde o início dos ataques dos EUA e da resposta iraniana.
“Por mais que gostemos de garantir aos clientes que o Chipre e a Turquia são destinos perfeitamente seguros para viajar, percebemos que os clientes procuram menos essas viagens”, afirma Katelyn Cook, da agência de viagens independente Seaside Travel.
Já Jonathon Woodall-Johnston, da Hays Travel, revela que a procura por viagens para a Páscoa “não está nos mesmos níveis” do ano passado e, principalmente, face ao período anterior a 28 de fevereiro, quando o conflito teve início, registando-se ainda um aumento de cancelamentos para a Turquia e Chipre.
“Houve uma mudança notável no comportamento do consumidor, com os viajantes a optarem cada vez mais por viagens para o Mediterrâneo e no Reino Unido”, explica o responsável da Hays Travel.
A opinião de Katelyn Cook e Jonathon Woodall-Johnston é ainda confirmada por John Sullivan, da Advantage Travel Partnership, que revela que, até agora, as reservas “diminuíram ligeiramente”, principalmente para destinos como o Chipre, o Egito e a Turquia.
Já a Kuoni Travel, que disponibiliza vários serviços turísticos, confirma que os seus clientes continuam “com vontade de viajar”, ainda que se notem diferenças nos destinos escolhidos, uma vez que as preferências estão a recair mais nas Caraíbas, Maurícias e África, além de destinos europeus como Itália, Portugal e Espanha.
Apesar de admitirem algumas quebras para as férias da Páscoa, as agências de viagens e operadores turísticos britânicos mantêm-se confiantes de que os britânicos vão continuar a viajar em 2026, apesar de existirem diferenças nos destinos selecionados.
Portugal entre os destinos mais procurados
Tal como a Travel Weekly, também o The Times avança que Portugal está entre os destinos mais procurados pelos britânicos que estão a mudar os seus planos de férias, seja pela proximidade ao conflito, por receio de alterações operacionais devido à guerra ou pelo aumento dos preços, já que muitas companhias aéreas estão a aumentar as tarifas ou a cobrar suplementos, devido ao aumento do preço do combustível.
O The Times lembra que o governo britânico “desaconselha viagens” para a região do Médio Oriente, o que está a levar os turistas do Reino Unido a optar por outros destinos, com destaque para as Caraíbas.
O jornal britânico cita o grupo hoteleiro Sandals, que confirma que, nas últimas semanas, houve um aumento nas reservas para os seus hotéis em Barbados e Antígua, enquanto a TUI, a segunda maior empresa de pacotes turísticos do Reino Unido, admitiu que está a assistir a uma “demanda particularmente forte” por destinos como República Dominicana e Jamaica, além de Phuket, na Tailândia, e Goa, na Índia.
E também os agentes de viagens confirmam a mudança, com Nicki Tempest-Mitchell, da agência Barrhead Travel, a revelar que “as Caraíbas, o Canadá e Orlando [EUA] estão entre os destinos mais reservados, mostrando que muitos clientes ainda estão ansiosos para viajar para lugares mais distantes nas suas férias anuais”.
No entanto, o The Times diz que a “Europa Ocidental deve ser a grande vencedora deste verão”, uma vez que se tem verificado um aumento nas reservas para destinos no Mediterrâneo Ocidental, como Espanha, como revela a rede de agências de viagens independentes britânica Advantage Travel Partnership.
Já a TUI relata um aumento recente no interesse por Espanha, Portugal e Grécia, já que “os clientes optam por destinos familiares”, tal como a easyJet, a maior companhia aérea britânica, que também reconhece que houve um aumento no número de clientes que optaram por destinos no Mediterrâneo Ocidental, como Espanha e Portugal.
Espanha, Portugal, Itália e Croácia são, segundo Ashley Quint, da TravelTime World, considerados “destinos confiáveis”, uma vez que oferecem segurança, preços acessíveis e boas praias.
“O Mediterrâneo continua a ser o favorito dos nossos clientes. Destinos como Grécia, Portugal, Malta e a Costa do Sol espanhola estão a apresentar um desempenho particularmente bom, já que os viajantes buscam sol garantido e um ótimo custo-benefício em resorts populares”, acrescenta Nicki Tempest-Mitchell.
Recorde-se que os ataques dos EUA e Israel ao Irão, que tiveram início na manhã de sábado, 28 de fevereiro, e que levaram à morte do líder iraniano, Ali Khamenei, ditaram uma resposta iraniana, que atacou vários países do Médio Oriente, levando ao encerramento do espaço aéreo em praticamente toda a região.
O conflito no Médio Oriente já levou ao cancelamento de perto de 24 mil voos, segundo a Cirium, e tem vindo a provocar perdas no setor do turismo que chegam aos 600 milhões de dólares por dia, de acordo com o World Travel & Tourism Council (WTTC).
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