Atletismo/Mundiais: Gerson Baldé foi descontraído para o ouro porque ia correr bem

10:09 - 23/03/2026 DESPORTO
O Algarvio Gerson Baldé afirmou ontem sentir-se descontraído na final do salto em comprimento dos Mundiais de atletismo em pista curta, em Torun, na Polónia, por saber que ia correr bem

O atleta do Sporting, natural de Albufeira, de 26 anos, conquistou a medalha de ouro com os 8,46 metros do sexto e último salto, decidindo uma final em que esteve praticamente sempre arredado do pódio, com os 8,17 do primeiro ensaio e os 8,19 da quinta tentativa,

O italiano Mattia Furlani e do búlgaro Bozhidar Sarâboyukov, os dois concorrentes que o precediam no ranking anual, foram tomando conta da disputa, com 8,39 do italiano, campeão em título e ‘vice’ em 2024, e os 8,31 do campeão da Europa em Apeldoorn2025.

“Tive de ter calma no último salto, o meu treinador disse sempre que eu tenho de ter muita calma, para ir descontraído, e que tudo ia correr bem. Claro que tenho tendência a ficar ansioso, mas respirei fundo e fazer o que tinha de fazer”, recordou o saltador, na zona mista.

Além da tranquilidade conferida pelo seu novo treinador, o antigo Diretor Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo José Barros, o agora atleta do Sporting, clube ao qual regressou após seis anos no Benfica, reconheceu que a terceira melhor marca do ano à partida também lhe deu confiança para abordar os Mundiais.

“O ranking acaba por nos dar confiança, mas partimos todos do zero e temos de saltar para mostrar o que valemos”, referiu, após confirmar com o ouro o domínio luso no salto em comprimento, horas depois da vitória de Agate Sousa na final feminina.

Baldé tinha como melhor resultado em finais de grandes competições o quarto lugar em Apeldoorn2025, já depois de ter feito três nulos na decisão dos Europeus ao ar livre Roma2024.

“O professor deixou-me mesmo muito calmo. Gostei do que ele me passou. Foram poucas palavras e, basicamente, para eu fazer na final o que treinámos. Eu também sou uma pessoa mais madura, estou mais velho e, agora, com objetivos mais altos, que quero alcançar”, vincou.

E a ambição é justificada pela capacidade de decidir o concurso no último salto, com um ‘voo’ a 8,46 metros, mais 14 centímetros do que a sua anterior melhor marca, alcançada este ano e que ainda estava por homologar, que secundava os 8,22 obtidos pelo seu antecessor Carlos Calado, em 2002.

Uma marca que supera também, em 10 centímetros, o recorde nacional ao ar livre de Calado, estabelecida ainda antes de Baldé nascer, em 20 de junho de 1997.

Depois dos 8,17 a abrir a final, Baldé prosseguiu com um 8,07, entre dois nulos, fechando, já com a necessidade de arriscar, para, pelo menos, chegar ao pódio, com 8,19 e, sobretudo, com a melhor marca do ano (8,46).

Portugal conquistou de forma inédita três medalhas numa edição dos Mundiais 'indoor', duas de ouro, também de forma inédita, ambas no comprimento, por Baldé e Agate Sousa, e a prata de Isaac Nader, nos 1.500 metros.

O quarto lugar no ‘medalheiro’ de Torun2026, atrás de Estados Unidos (oito ouros, sete pratas e seis bronzes), Reino Unido (quatro ouros) e Itália (três ouros e duas pratas), aumenta o histórico nacional aumenta para 20 'metais', sete dos quais de ouro.

 

Lusa