TAP chega ao 4.º ano consecutivo com lucro depois de resultado líquido positivo de 4,1M€ em 2025

19:00 - 09/04/2026 ECONOMIA
Apesar de ter mantido os lucros no ano passado, com um resultado líquido positivo de 4,1 milhões de euros, naquele que foi «o quarto ano consecutivo de lucros», a companhia aérea de bandeira nacional viu o resultado líquido do ano passado descer mais de 90% face aos 53,7 milhões apurados em 2024.

A TAP registou, no ano passado, um resultado líquido positivo de 4,1 milhões de euros, naquele que foi o quarto ano consecutivo em que a companhia aérea de bandeira nacional deu lucro, segundo um comunicado da transportadora.

“Num contexto marcado pela incerteza e pressão de custos em toda a indústria, a companhia reforçou a posição financeira e concluiu os compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia”, congratula-se a TAP, na informação divulgada.

Apesar de ter mantido os lucros no ano passado, naquele que foi “o quarto ano consecutivo de lucros”, o resultado líquido da TAP no ano passado traduz uma descida superior a 90% face aos 53,7 milhões apurados em 2024.

A TAP explica que o resultado do ano passado poderia ter sido ainda mais positivo e ter chegado aos 46 milhões de euros, caso fosse excluído “o impacto da atualização das taxas de IRC”.

As receitas dos bilhetes dos passageiros aumentaram 0,8%, enquanto as do negócio de manutenção cresceram 10,7%, o que permitiu uma receita total de 4 313 milhões em 2025, traduzindo um aumento de 1,2% face a 2024.

Já a capacidade aumentou 3,1% e os RPK cresceram 5,5%, elevando o Load Factor para 84,2% (+1,9 p.p.), enquanto a “evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados e efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano, com o PRASK a fixar-se em 6,96 cêntimos (-2,3%)”.

Os custos operacionais recorrentes também aumentaram (+3,6%) e atingiram 4 070 milhões de euros em 2025, refletindo aumentos nos custos de tráfego (+6,7%), pessoal (+7,9%) e depreciações e amortizações (+10,8%), que foram parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível (-5,4%).

A TAP registou ainda um EBITDA recorrente de 742,9 milhões de euros, com uma margem de 17,2%, assim como um EBIT recorrente de 243,4 milhões de euros, numa margem de 5,6%, com a companhia aérea a realçar que estes resultados foram alcançados “num ano marcado por um primeiro trimestre particularmente desafiante”.

A TAP lembra ainda que 2025 foi o ano em que a transportadora concluiu “o cumprimento os compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia”, que reconheceu que as medidas operacionais exigidas foram “implementadas atempadamente e que a companhia alcançou resultados que restabelecem a sua viabilidade a longo prazo”.

A 31 de dezembro de 2025, a TAP apresentava uma posição de liquidez de 765,3 milhões de euros, um aumento de 113,7 milhões de euros face a 31 de dezembro de 2024, e um rácio dívida financeira líquida/EBITDA de 2,6x.

“Foi igualmente aprovada a extensão do prazo para a alienação das participações na Cateringpor e na SPdH (Sociedade Portuguesa de Handling, S.A.) até 30 de junho de 2026, comprometendo-se a TAP a devolver ao acionista 24,99 milhões de euros no âmbito desta extensão”, lembra ainda a companhia aérea.

 

4.º trimestre foi “substancialmente impactado por efeito externo”

No comunicado divulgado, a TAP revela também que o quarto e último trimestre de 2025 foi “substancialmente impactado por um efeito externo”, que levou o resultado líquido para os -51,0 milhões de euros, o que se ficou a dever ao ajuste no IRC.

“O resultado líquido atingiu -51,0 milhões de euros no 4T25, substancialmente impactado por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de 42,0 milhões de euros, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC introduzida pela Lei n.º 64/2025”, explica a TAP, revelando que, sem esse ajustamento, o resultado líquido teria sido -9,1 milhões de euros, melhoria de 74,9 milhões de euros face a período homólogo do ano anterior.

Já o EBITDA recorrente atingiu os 151 milhões de euros no 4. trimestre de 2025, com uma margem de 14,6%, registando um aumento de 31,7 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior.

O EBIT recorrente totalizou ainda 16,2 milhões de euros, com uma margem de 1,6%, melhorando 20,2 milhões de euros face ao período homólogo, ainda que, considerando itens não recorrentes, o EBIT tenha totalizado 36,9 milhões de euros.

No 4º. trimestre, as Receitas Operacionais totalizaram 1 032 milhões de euros, num aumento de 3,7% face ao mesmo período de 2024, o que foi impulsionado pelo desempenho das receitas de passagens, que aumentaram 32,8 milhões de euros (+3,8%) para 904,7 milhões de euros, suportadas pelo crescimento da capacidade e pelo aumento das receitas unitárias, com o PRASK a aumentar em 0,2% para 6,64 cêntimos.

As receitas de Manutenção aumentaram 6,8 milhões de euros (+9,5%) face a período homólogo do ano passado, atingindo 77,9 milhões de euros, suportadas por “níveis de atividade estáveis num contexto de persistentes constrangimentos na cadeia de abastecimento, e por um efeito preço associado ao aumento dos custos de material e a serviços de maior valor acrescentado”, enquanto as receitas de Carga e Correio atingiram 36,9 milhões de euros, diminuindo 18,9% em termos homólogos.

Os custos operacionais recorrentes totalizaram ainda 1 016 milhões de euros, representando um aumento de 1,7% face ao mesmo período de 2024, impulsionado pelo aumento dos custos com combustível, que aumentou 6,5 milhões de euros, e pelos custos de manutenção de aeronaves, que cresceram 29,6%, enquanto os materiais consumidos subiram 25,0%, refletindo o “aumento do preço dos materiais, aplicados na frota da TAP e em serviços externos de manutenção, respetivamente”.

Entre outubro e dezembro de 2025, a TAP transportou quatro milhões de passageiros, número que reflete um aumento de 4,9% face ao quarto trimestre de 2024, tendo a companhia aérea operado aproximadamente 29 mil voos, um aumento de 1,1% face ao período homólogo.

 

Crescimento “disciplinado e sustentável” é previsão para 2026

A TAP deixa ainda algumas previsões para o corrente ano, no qual estima um “crescimento disciplinado e sustentável”, que deverá ser “suportado pela expansão e modernização da frota com aeronaves Airbus NEO” e impulsionado pelos voos para o Brasil e América do Norte.

“O crescimento deverá ser impulsionado sobretudo pela rede transatlântica, com destaque para o Brasil, e pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo novas rotas e o desenvolvimento de um hub de Manutenção. Em paralelo, a companhia continuará a investir no produto e na experiência do cliente, incluindo uma nova cabina e melhorias na oferta a bordo”, garante a TAP.

A companhia aérea de bandeira nacional estima ainda que a “resiliência da procura e a dinâmica positiva das reservas” possam suportar “Load Factors mais elevados e a melhoria das receitas unitárias, apesar do aumento da capacidade” e do aumento do preço do combustível.

“A evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigada por ajustamentos de pricing alinhados com as tendências de mercado, mantendo-se o foco nos principais mercados e na qualidade da receita”, defende a TAP.

Luís Rodrigues, CEO da TAP, reconhece o “contexto desafiante” em que a TAP está a viver, mas congratula-se com o facto da transportadora ter conseguido manter “margens resilientes” e reforçado a sua “posição financeira”.

“Em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia”, afirma o CEO da TAP.

 

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