Fernando Silva assumiu a presidência do núcleo social-democrata comprometendo-se com uma «missão, não um protagonismo», numa cerimónia que contou com a presença da vice-presidente do PSD, Inês Ramalho.
O PSD de Quarteira tem um novo líder. Fernando Silva tomou posse como presidente do núcleo local do partido numa cerimónia que juntou militantes, autarcas, dirigentes regionais e nacionais, e dezenas de jovens da JSD, neste sábado, 11 de abril. O ato, que decorreu no Auditório do Centro Autárquico de Quarteira, uma sala repleta de militantes e simpatizantes, serviu também para empossar a nova Mesa da Assembleia e a Comissão Política, num momento que o próprio presidente da Mesa da Assembleia do Núcleo, João Santos, classificou como “o início de uma nova etapa na estrutura local”.
“Não é todos os dias que assistimos à criação de uma tradição política dentro do espaço democrático que um plenário proporciona”, afirmou João Santos, sublinhando que a tomada de posse resultou da recente revisão estatutária do partido e de “uma clara visão estratégica que entende os núcleos como ferramentas políticas fundamentais”.
O apelo à união e à ação de Silvério Guerreiro: “Das atas aos planos de ação”
Antes da tomada de posse propriamente dita, foi Silvério Guerreiro, presidente da Mesa da Assembleia de Militantes do PSD Loulé, quem abriu os trabalhos com um discurso que combinou humor, memória institucional e um repto à ação concreta.
Um homem corajoso e uma energia irradiante
Silvério começou por saudar a deputada Bárbara Amaral Correia e a vice-presidente nacional do PSD, Inês Palma Ramalho, cuja presença reiterada no concelho classificou como “motivação para continuarmos a lutar pelos ideais que o nosso partido define”. Dirigiu-se depois ao novo presidente do núcleo de Quarteira, Fernando Silva, a quem chamou “um homem corajoso” e “uma força bem-viva ao longo de toda a campanha autárquica, do primeiro ao último momento”. “Dali vem uma energia irradiante”, afirmou, “ao qual nós só temos que agradecer esta disponibilidade”.
Uma terra que merece ter um núcleo
Guerreiro fez questão de enquadrar a importância do momento no contexto mais vasto do concelho. “Quarteira é a única freguesia, juntamente com Loulé, que tem um núcleo. Isso acarreta muitos direitos, mas acarreta também responsabilidades”. E desafiou os militantes: “Nós esperamos de Quarteira que nos tragam soluções, que nos tragam sugestões para que o concelho cresça. Que se entendam, que se unam em prol daquilo que é um bem maior da humanidade e do nosso concelho".
O apelo à superação de pequenas diferenças foi um dos momentos altos do seu discurso. “Gostava muito que pusessem de lado as pequenas diferenças que nós temos, que são tão pequenas quando comparadas com os desígnios, os propósitos que este concelho, um dos maiores, tem à sua frente.” E concluiu: “Só assim é que podemos ser credíveis, credibilizar a política e sermos uma alternativa credível quando chega a altura das eleições”.
A fragilidade do planeta e a união como destino comum
Num registo invulgar para um discurso político local, Silvério Guerreiro fez uma digressão pela missão espacial Artemis II, que na altura se preparava para voar. “Aqueles quatro tripulantes que tiveram a ocasião de ver a Terra por trás da Lua trouxeram-nos uma mensagem de altruísmo e da fragilidade que é o nosso planeta, aquilo que é o nosso destino comum.” E perguntou: “Será necessário irmos todos à Lua para ter essa maturidade? Eu acho que não”.
A metáfora serviu para reforçar a ideia de que a união na diversidade é um imperativo. “Se nós não estivermos unidos, não vamos muito longe. É uma falta de inteligência não percebermos que em democracia podemos ter opiniões diferentes, mas que devemos continuar sempre unidos”.
Das atas aos planos de ação: uma crítica à paralisia
A parte mais política do seu discurso foi também a mais incisiva. Silvério Guerreiro contou ter participado nessa mesma manhã num Congresso Nacional das Assembleias Municipais e ter ficado “estupefacto” com o que viu. “Depois de muitos falarem, eu apenas subi lá em cima para dizer que a minha reação perante quatro anos de atas das Assembleias Municipais foi de estupefação, porque quando fui ler as atas, pouca coisa foi feita”.
E lançou um repto que ressoou pela sala: “Somos um país de diagnósticos, somos um país de atas, mas depois disso, pessoal, é muito pouco. O que eu vou exigir do Executivo Municipal é que as atas passem a planos de ação.” Uma frase que sintetiza a exigência de eficácia e de resultados concretos que o dirigente espera do novo ciclo político em Quarteira.
Valorização profissional e justiça fiscal
Silvério Guerreiro trouxe ainda para o debate nacional questões estruturais. A partir de uma palestra do antigo diretor da Polícia Judiciária, criticou a burocracia excessiva e a desvalorização profissional: “É com profunda mágoa que nós vemos as pessoas mais competentes, desde a intervenção da troika, a cruzarem os braços ou a saírem do país.” E defendeu que “não é possível assumir responsabilidades civis e criminais sem uma remuneração condigna”.
Apesar de reconhecer que “o salário médio atualmente é de 2.700 euros”, deixou no ar a ressalva de que “as coisas não têm estado bem com o acesso à educação, que está a impedir os jovens de se fixarem nos locais que pretendem”.
Um agradecimento especial a João Santos
Num momento de grande simbolismo, Silvério Guerreiro dirigiu-se a João Santos, agora presidente da Mesa da Assembleia do Núcleo de Quarteira, para lhe agradecer “a divulgação daquilo que é a história e a identidade de Quarteira”. “Eu, se fosse quarteirense, tinha muito orgulho em ter aqui um quarteirense como o João, que divulga os vossos valores de Quarteira, independentemente dos partidos. Isso tem de ser valorizado e reconhecido.” E rematou com um dado político relevante: “Ele estava na lista que teve mais votos que o presidente da Câmara”, numa referência às eleições autárquicas, que arrancou aplausos da assistência.
Rúben Santos (JSD Loulé): “A história de Quarteira é a história do PSD”
Num discurso breve mas incisivo, o presidente da JSD Loulé, Rúben Santos, trouxe à sala a energia da juventude social-democrata e um olhar histórico sobre a relação indissociável entre Quarteira e o partido.
“O Fernando só não é da JSD porque o estatuto não o permite”
Rúben começou por brincar com o novo presidente do núcleo, Fernando Silva, afirmando que “o Fernando Silva gostava de ser militante da JSD. E só não é militante da JSD porque o estatuto não o permite.” Um elogio disfarçado à energia e à juventude de espírito do novo líder, que a assistência aplaudiu. “Nós tratamos e consideramos como tal, até porque tem mais energia e mais juventude que muitos militantes da JSD”.
E garantiu: “A JSD conta, naturalmente, consigo e com a sua liderança agora no PSD Quarteira”.
“Quem não tem memória, não tem futuro”
Rúben Santos fez questão de recuperar a história do partido em Quarteira, afirmando que “a história de Quarteira é a história do PSD, e a história do PSD é a história de Quarteira. Estão intimamente ligadas.” Recordou as elevações da freguesia a vila e a cidade, “sempre com a mão e com o cunho do PSD”, e lembrou que “cada rua, cada esquina em Quarteira teve obra dos executivos do PSD”.
“Isto é importante que nós não nos esqueçamos”, alertou. “A JSD tem os militantes mais jovens deste partido e a JSD não se esquece disto.” E citou o provérbio: “Quem não tem memória, não tem futuro”.
As disputas servem para debater ideias, não para quezílias pessoais
Num momento em que o partido atravessava eleições internas disputadas, Rúben deixou uma mensagem de maturidade política invulgar para a sua idade: “As disputas não servem nunca, e nunca devem servir, para as quezílias pessoais, para alimentar os nossos egos. As disputas devem servir para debatermos ideias, trocarmos argumentos e, mais do que isso, estimularmos quem ganha a trabalhar”.
E concluiu, dirigindo-se à equipa de Fernando Silva: “Estou convencido de que o contributo que todos os militantes deram, quer os que ingressaram nesta lista, quer todos os restantes, deu um grande estímulo a esta lista para fazer um trabalho meritório e notável aos olhos dos quarteirenses”.
A conquista da juventude pelas ideias
Rúben Santos deixou ainda uma reflexão sobre o que atrai os jovens à política: “Os jovens são sobretudo cativados para a política pelas ideias.” E desafiou a nova equipa: “Que saiba lutar, debater-se pelas ideias e, assim, conquistar o futuro — o futuro dos mais novos, o futuro dos mais velhos”.
Terminou com uma nota de confiança nos dados nacionais: “O governo conquistou a juventude. Todos os estudos de opinião dizem que a AD, o PSD, é o partido mais votado na faixa entre os 18 e os 35 anos. Isto dá-se exatamente porque a juventude acredita em projetos, em ideias que consigam mudar efetivamente a sua vida”.
E deixou a garantia de colaboração: “Termino deixando a nossa total disponibilidade para colaborar com os órgãos e eleitos. Estamos aqui todos para a mesma causa. Um bem maior que é o PSD e, sobretudo, a freguesia de Quarteira e o concelho de Loulé”.
União interna e combate à abstenção: os desafios de Quarteira
O discurso dos vários intervenientes foi unânime quanto à necessidade de unir o partido e aproximá-lo das populações. O presidente cessante, Ricardo Proença, desejou “muita força, muito trabalho e sorte” ao novo líder, lembrando que o caminho “nem sempre é direito” e que por vezes “é preciso tomar decisões que não se espera tomar”. Proença confessou que liderar o PSD em Quarteira foi “um privilégio enorme” e um sonho alcançado, ao lado de outros como a presidência da JSD local.
Já o presidente da Secção do PSD Loulé, Vítor Coelho, residente em Quarteira há mais de uma década, apelou à união entre as freguesias urbanas do concelho: “Nós só conseguiremos ser verdadeiramente líderes deste concelho se Quarteira e Loulé estiverem unidos. E para isso, em primeiro lugar, temos que ter Quarteira unida”. Coelho recordou ainda que o partido “ficou à beira de ganhar a Câmara” nas últimas autárquicas e que conquistou “uma grande e larga maioria das freguesias do concelho”, com mais de 100 autarcas eleitos. “O nosso objetivo é chegar a 2029 em condições de vencer tudo. Quando digo tudo, é mesmo tudo”, rematou.
O “Estado de Quarteira” e os gabinetes de ação
Fernando Silva, que se define como “um homem da gestão, não da política”, estruturou o seu discurso em três partes: agradecimentos, visão e ação concreta. E foi na parte prática que mais surpreendeu. O novo presidente anunciou a criação de seis gabinetes temáticos, Urbanismo e Infraestruturas, Saúde e Coesão Comunitária, Educação e Juventude e Cultura, Economia Local e Turismo, Eventos e Desporto, entre outros, cada um com líderes nomeados e objetivos mensuráveis.
“Assumimos os cargos como missão e não como protagonismo”, afirmou Silva, perante aplausos. “A nossa ideia-chave é servir Quarteira, com responsabilidade e compromisso”. Entre as metas imediatas estão o mapeamento de zonas degradadas, a criação de um canal de escuta ativa da população, a realização de um “Estado de Quarteira”, um plenário com todos os órgãos locais do PSD para diagnosticar os problemas da cidade e o reforço da base de militantes: “Vamos comprometer-nos a fazer dez novos militantes cada um, no mínimo, até ao final do ano”.
Silva dedicou ainda um agradecimento especial à JSD, que classificou como “algo que está no sangue. Não há decisão nenhuma que este grupo venha a tomar que não passe por uma boa decisão da JSD, porque todas as ideias são boas e válidas”, afirmou, arrancando uma ovação dos jovens presentes. “O futuro é dos jovens. Eu só quero empurrar a camioneta para ela começar a andar”.
Proximidade, pescadores e a Feira do Livro
No plano das prioridades locais, Fernando Silva destacou a valorização da comunidade piscatória (“nunca mais me esqueço de vir de férias e vir ao peixinho fresco”), o reforço do comércio local, com uma crítica velada à descaracterização da Rua Vasco da Gama e a atenção aos seniores, denunciando as longas listas de espera para lares e centros de dia. Anunciou ainda a intenção de “batalhar” pela reativação da Feira do Livro de Quarteira, “que juntava música, gastronomia, umas imperiais… Porque não?”.
O novo presidente não esqueceu as associações desportivas e culturais, prometendo visitá-las “já, quatro anos antes das eleições”, para que o partido seja reconhecido pela presença constante e não apenas em período de campanha.
“Os algarvios são gratos” e o governo nacional faz a diferença
A deputada Bárbara Amaral Correia e a vice-presidente nacional do PSD, Inês Ramalho, marcaram presença e trouxeram a perspetiva nacional. Amaral Correia, que confessou ter “crescido politicamente com dois quarteirenses, Miguel Encarnação e Ricardo Proença”, destacou os investimentos do governo da AD no Algarve: o novo hospital central, a dessalinizadora do Algarve em Albufeira, a captação de água no Pomarão e as novas unidades de saúde familiar que vão dar médico de família a 40 mil algarvios. “Em 2018, o PS criou um plano de camas para estudantes sem alocar qualquer verba. Em 2024, a taxa de execução era de 3%. Este governo, em dois anos, já concluiu 28 residências e 3 mil camas”, comparou, aplaudida.
Inês Ramalho, que se confessou “apaixonada pelo Algarve”, deixou um alerta sobre o crescimento do Chega, comparando-o às “listas dos Marretas” da sua época académica: “São um partido que não tem ideias, não joga pelas regras da política normal, só lança problemas, nunca soluções. Para os combater, precisamos de estar unidos, de falar com factos e com a verdade”. E concluiu: “Nós somos o partido das soluções, da entrega, do trabalho e da esperança”.
“Assumimos os cargos como missão, não como protagonismo”: o discurso de Fernando Silva na tomada de posse do PSD Quarteira
Novo presidente do núcleo social-democrata estruturou a ação em seis gabinetes temáticos e traçou metas concretas para os próximos dois anos
A cerimónia terminou com a assinatura simbólica dos compromissos pelos membros dos gabinetes, numa encenação que Fernando Silva quis que fosse “uma tomada de compromisso, não uma tomada de posse”. O novo presidente do PSD Quarteira prometeu “reuniões regulares com militantes, canais de escuta ativa e uma preparação estratégica antes de cada assembleia de freguesia”.
Com um discurso que alternou entre a seriedade da gestão e a descontração de quem se sente em casa, Fernando Silva deixou uma certeza: “O nosso adversário não está cá dentro. Está lá fora. E às vezes chega".
O PSD Quarteira renova-se, organiza-se e promete não esperar por 2029 para começar a trabalhar.
Fernando Silva iniciou o seu discurso de tomada de posse com uma confissão que marcou todo o tom da cerimónia: “Faz-se um bocado difícil porque, depois desses grandes discursos a nível político, eu sou um pouco verde ‘nisto’. Só ‘nisto’, noutras coisas não”. A modéstia inicial deu lugar a uma exposição clara, metódica e ambiciosa do que pretende para o PSD em Quarteira. E a primeira distinção que fez foi entre política e gestão: “Eu não sou da política, sou da gestão. Mas, de qualquer forma, isto está muito ligado, umas coisas com as outras”.
Foi com esta premissa, a de que a atividade política deve ser orientada por princípios de gestão, eficiência e compromisso, que Fernando Silva estruturou a sua intervenção em três partes: os agradecimentos, o conteúdo programático e os compromissos concretos.
Agradecimentos e reconhecimento institucional
Antes de apresentar o seu plano, Silva fez questão de elogiar a direção cessante e o seu presidente, Ricardo Proença: “Aqui fica o agradecimento por ter efetuado um bom trabalho durante a campanha eleitoral”. Um gesto de união que foi sublinhado por vários oradores ao longo da cerimónia. Mas o agradecimento mais emotivo foi reservado à JSD. “A JSD é daquelas coisas que está no sangue”, confessou. “Fui treinador durante muitos anos, fui atleta durante imensos anos. Sempre lidei com a juventude”. E prometeu integração plena: “Não há decisão nenhuma que este grupo venha a tomar que não passe por uma boa decisão da JSD, porque todas as ideias são boas e válidas. As novas ideias vêm complementar aquilo que nós ainda não temos”. E rematou com uma metáfora que arrancou aplausos: “O futuro é dos jovens, não é de gajos como eu. Eu só queria aqui empurrar a camioneta para ela começar a andar. E depois, quando tiver em andamento, ‘xau’, eu cá estou para bater palmas”.
A visão: servir Quarteira com responsabilidade
“Assumimos os cargos como missão e não como protagonismo”. Foi esta a frase-chave que Fernando Silva escolheu para definir o espírito do seu mandato. A ideia de servir a cidade, e não servir-se dela, percorreu todo o discurso.
A visão assenta em vários pilares:
- Defesa dos interesses de Quarteira dentro do concelho de Loulé, “sempre a contar com o concelho de Loulé”;
- Valorização da comunidade piscatória, “uma coisa muito importante dentro de Quarteira” que, segundo o novo presidente, ainda não tinha sido devidamente referida nos discursos anteriores;
- Fortalecimento do comércio local, que considerou “um bocado ‘chinês’”, numa crítica velada à descaracterização da Rua Vasco da Gama, onde abrem lojas chinesas com grandes áreas (“vai abrir mais uma Sereia… mas o que é isto? É comércio local?”);
- Atenção aos seniores, com especial enfoque nas listas de espera para lares e centros de dia. Silva revelou ter conhecimento de um caso concreto em que “uma pessoa estava em 73.º lugar para entrar num lar e, de um momento para o outro, passou para primeiro”. “Coisas dessas não devem acontecer aqui”, afirmou;
- Reativação da Feira do Livro, que considerou “uma coisa tão importante aqui, que podia juntar música, gastronomia, umas imperiais… Tudo pode entrar dentro da Feira do Livro. Porque não?”;
- Apoio ao movimento associativo, desportivo e cultural, com a promessa de visitar as associações “já, quatro anos antes das eleições”, para que o partido seja reconhecido pela presença constante e não apenas em período de campanha.
A força da união interna e o apelo à família social-democrata
Silva foi perentório quanto à necessidade de união dentro do partido: “O nosso adversário não está cá dentro. O nosso adversário está lá fora e às vezes chega”. Sem nunca nomear o Chega, a referência foi clara e foi aplaudida.
O novo presidente pediu que se valorizem “as diferentes sensibilidades dentro do partido”, considerando que “é perfeitamente normal” que existam, “se isto é um partido democrático”. E anunciou a intenção de promover um plenário alargado, uma espécie de “Estado da Quarteira”, que reúna todos os órgãos locais do PSD, incluindo a Comissão Política de Secção e os representantes das várias freguesias, para fazer um diagnóstico conjunto da cidade. “Queremos saber como é que Quarteira está. Onde é que estão os quarteirenses? Porque é que só existem estes? Está assim tão mau?”.
Este diagnóstico, explicou, será feito através de “reuniões regulares com militantes, canais de escuta ativa da população” e, sobretudo, através de “visitas, reuniões” no terreno. “A pesquisa atual requer visitas. E essa pesquisa vai ser feita no Turismo, na Habitação, na Mobilidade, na Segurança e, por regra geral, na qualidade de vida”.
O compromisso com a ação: “Vamos começar já”
Uma das mensagens mais fortes do discurso foi a rutura com o ciclo eleitoral tradicional. “Para que não digam, daqui a três anos, ‘ah, vai haver eleições outra vez, vocês estão aqui’, não. Nós vamos começar já. Vamos começar quatro anos antes, três anos e meio antes. Vamos começar já, que é para quando eles nos virem, já saberem quem vocês são, já saberem que cá estão e já saberem o que vocês querem, porque nós já vos ouvimos”.
E para operacionalizar esta estratégia, Fernando Silva apresentou uma estrutura inovadora: a criação de gabinetes temáticos, cada um com líderes nomeados e objetivos específicos. “É impossível o que eu estou a dizer ser feito por uma pessoa só”, justificou. “Somos dez. Portanto, vamos dividir”.
Quadro dos Gabinetes Temáticos do PSD Quarteira
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Gabinete
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Áreas de Intervenção
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Líderes
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Objetivos Estratégicos
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Gabinete de Urbanismo e Infraestruturas
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Ordenamento do território, requalificação urbana, mobilidade, espaços públicos
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Carlos Jones, Tiago Gravata, Rosa Freiras
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Mapeamento de zonas degradadas; propostas de requalificação urbana; identificação de carências em infraestruturas (pavilhões desportivos, iluminação pública, saneamento); articulação com a Câmara Municipal para execução de projetos prioritários
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Gabinete de Saúde e Coesão Comunitária
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Acesso a cuidados de saúde, apoio a seniores, lares, centros de dia, combate à solidão
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Elisa (ausente na cerimónia), Vânia Alegre, Zé Brás
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Identificação de listas de espera em lares e centros de dia; acompanhamento de casos críticos; propostas para reforço de respostas sociais; articulação com a Unidade Local de Saúde do Algarve; criação de rede de voluntariado de proximidade
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Gabinete da Educação, Juventude e Cultura
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Ensino, formação profissional, políticas para jovens, dinamização cultural, Feira do Livro
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Vítor Alberto, Luísa Saraiva, Emília Moleiro, Canedo (JSD)
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Criação de um Gabinete da Juventude (anunciado por Silva como “primeira vez”); escuta ativa nas escolas secundárias e profissionais; reativação da Feira do Livro como evento agregador; apoio a associações culturais; programas de literacia e combate ao abandono escolar
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Gabinete de Economia Local, Turismo, Eventos e Desporto
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Comércio local, pescas, turismo, eventos municipais, clubes desportivos
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Tiago Gravata, Vítor Alberto, Luísa Saraiva, Marcos Pereira, JSD
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Valorização da comunidade piscatória; diagnóstico do comércio tradicional (preocupação com descaracterização); visitas a associações desportivas (Quarteirense, Quarteira Futsal, Tubarões, etc.); propostas para dinamização de eventos que atraiam visitantes e fixem população; criação de um calendário desportivo e cultural integrado
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Gabinete de Comunicação e Relações Institucionais
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Estratégia de comunicação interna e externa, redes sociais, relação com imprensa, transparência
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(a designar, mas anunciado como prioridade)
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Criação de canais de escuta ativa da população; comunicação regular com militantes; transparência nas decisões; resposta ágil a questões da comunidade; aproximação às juntas de freguesia e à Câmara Municipal
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Gabinete de Militância e Formação Política
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Captação de novos militantes, formação ideológica, integração de novas sensibilidades
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(a designar, com coordenação da Comissão Política)
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Meta concreta: “dez novos militantes cada um, no mínimo, até ao final do ano”; organização de debates temáticos (sessões fechadas e abertas); afirmação dos valores social-democratas (liberdade, responsabilidade, solidariedade); integração de diferentes sensibilidades internas
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Nota: A distribuição dos líderes pelos gabinetes foi anunciada por Fernando Silva durante o discurso, com base nas nomeações que fez em público, complementadas pela estrutura operativa que delineou.
Metas concretas e compromissos mensuráveis
Além da estrutura dos gabinetes, Fernando Silva anunciou compromissos específicos:
- Reforço da militância: “Todos nós vamos comprometer-nos a fazer militantes. Temos que fazer militantes até ao final do ano: dez cada um, no mínimo.” Uma meta ambiciosa que, segundo o novo presidente, visa “fortalecer a base” e “aproximar o núcleo das pessoas, ir ali tomar um café, sentarmo-nos ali, falarmos com as pessoas, sejam elas militantes do PSD ou não”.
- Preparação estratégica das Assembleias de Freguesia: “Nós faremos isto com a nossa Comissão Política. Teremos uma preparação estratégica das Assembleias de Freguesia, antes de cada junta, antes de cada Assembleia.” Uma novidade que visa alinhar os eleitos locais com as posições do partido.
- Debates temáticos: “Promover debates temáticos em sessões fechadas e sessões abertas”, para aprofundar questões como habitação, mobilidade, juventude e saúde.
- Gabinete de juventude: “Temos um gabinete, e eu estou a falar pela primeira vez no gabinete, um gabinete para a juventude, onde a juventude vai estar inserida e onde eu quero que nós consigamos ouvir a juventude. Nem que seja ali em cima na escola”.
Conclusão: um novo ciclo com trabalho, união e ambição
O discurso de Fernando Silva ficará na memória dos militantes presentes pela clareza da visão, pela humildade do tom e pela ambição das metas. Ao contrário dos discursos políticos tradicionais, focados na crítica ao adversário, Silva preferiu apresentar soluções, organizar equipas e definir prazos.
“Nós temos espírito de equipa”, afirmou, recorrendo a uma metáfora futebolística: “Às vezes algum fica fora de jogo porque corre demais e a bola já lá estava. Fica fora de jogo, mas o espírito de equipa está lá, porque isso a gente recupera”.
E foi com essa imagem, a de uma equipa que recupera, que treina junta e que joga para ganhar, que Fernando Silva encerrou a sua intervenção, deixando um repto aos militantes e à cidade: “Quarteira pode. PSD, gestão, à altura destes destinos. Vocês vão todos contar connosco. Nós vamos contar com todos vós.”
A partir de agora, a “camioneta” começou a andar. E os próximos meses dirão se a missão, ou o protagonismo, ditará o ritmo.
Jorge Matos Dias