Enquanto o preço das casas no país cresceu 92%, o rendimento médio líquido subiu apenas 43%.
A crise de acesso à habitação em Portugal está a agravar-se à medida que os preços sobem muito mais do que os salários das famílias, num contexto de alta procura e falta de oferta residencial. Desde 2019, o preço das casas vendidas no nosso país subiu 92%, enquanto o rendimento médio líquido cresceu apenas 43%. Isto quer dizer que o custo de comprar casa subiu mais do dobro do crescimento salarial.
Entre 2019 (ano antes da pandemia) e 2025, os preços das casas subiram, em média, 91,8% no último trimestre. E, no mesmo período, o rendimento médio líquido (nominal) cresceu 43,3%, mostram as contas do Jornal Económico tendo por base os dados do Instituto Nacional de Estatística.
Se recuarmos mais três anos, a diferença entre estes dois indicadores é ainda mais expressiva. O mesmo jornal revela que os preços das casas em Portugal deram o salto de 155,7% entre 2016 e 2025, enquanto o rendimento médio líquido no país subiu 53,3%.
Mesmo comparando estes dados entre 2023 e 2025 – período em que os aumentos salariais foram, em média, “historicamente elevados” para compensar a perda de rendimentos devido à inflação gerada pela guerra na Ucrânia -, a subida dos rendimentos (20,4%) continuou a não acompanhar a escalada dos preços das casas (32,6%), indica o mesmo meio.
Olhando para os dados mais recentes do Eurostat - que mostram que Portugal foi o segundo país com maior subida dos preços das casas entre 2015 e 2025 (+180%) -, o mesmo jornal conclui que os países com os maiores aumentos no preço das casas têm, na sua maioria, alguns dos salários mais baixos da União Europeia. E Portugal é um deles.
Idealista News