Pedro Castelo-Branco
Investigação do cancro junta dois prémios Nobel e jovens cientistas no Algarve

16:30 - 22/04/2026 ALGARVE
Vilamoura vai acolher entre 11 e 17 de maio um curso de verão sobre investigação do cancro, reunindo jovens cientistas e dois prémios Nobel da Medicina, reforçando a cooperação entre Portugal e os Estados Unidos da América.

O evento faz parte da Iniciativa EUA-PT contra o Cancro (UPIC), envolvendo cerca de duas dezenas de instituições académicas de referência dos dois países, visando promover a colaboração transatlântica na área da oncologia.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da Universidade do Algarve, Pedro Castelo-Branco, explicou que a iniciativa é dirigida a “30 participantes, maioritariamente doutorandos, mas também médicos, cientistas e pós-doutorados em início de carreira”.

“É para estes jovens investigadores que preparámos este curso”, afirmou, acrescentando que a organização procurou “trazer investigadores de renome internacional e nacional para lecionar e abordar áreas como as características do cancro", o microambiente tumoral, os mecanismos de resistência às terapias, a epigenética e o metabolismo das células cancerígenas.

Entre os oradores convidados estão os laureados com o Prémio Nobel da Medicina James Patrick Allison, distinguido com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2018 - galardão partilhado com o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas sobre o papel do sistema imunitário no combate ao cancro -, e William Kaelin Jr., distinguido em 2019, pelos trabalhos sobre os mecanismos de resposta celular à hipoxia.

Segundo Pedro Castelo-Branco, “todos os dias haverá dois investigadores, nomeadamente norte-americanos e portugueses”, num modelo que pretende equilibrar a participação internacional e nacional, permitindo “que se criem laços e pontes com cientistas e instituições norte-americanas”.

O formato do curso inclui “uma aula inicial de cerca de 45 minutos, de caráter didático, seguida de um período de perguntas e respostas, e depois uma apresentação de cerca de 20 minutos sobre a investigação de ponta que cada investigador está a desenvolver no seu laboratório”.

O também vice-reitor da Universidade do Algarve para a Investigação e Inovação sublinhou que a escolha dos especialistas internacionais “advém da qualidade reconhecida na área, sendo provenientes das melhores universidades e com currículos de elevado nível”.

Os convidados portugueses “são também investigadores reconhecidos, procurando-se garantir uma representação de norte a sul do país”, apontou.

“A investigação do cancro em Portugal está num bom nível. Temos bons centros e, nas últimas décadas, a realidade tem-se transformado, sendo hoje possível fazer investigação de ponta no nosso país”, afirmou.

Ainda assim, considerou que a colaboração internacional é essencial: “A possibilidade de nos aliarmos a grandes universidades norte-americanas, concorrendo a projetos em conjunto e treinando os nossos alunos de forma transversal, eleva-nos ainda mais”.

Apesar de reconhecer a diferença de escala no investimento, Pedro Castelo-Branco destacou que “com os recursos disponíveis já se fazem em Portugal trabalhos reconhecidos internacionalmente”.

O programa contará também com outros especialistas de referência mundial, incluindo Douglas Hanahan, que abrirá o curso, sendo descrito por Pedro Castelo-Branco como “uma das principais figuras na definição dos conceitos fundamentais da investigação em cancro”, e Ronald DePinho, antigo diretor do MD Anderson Cancer Center e “grande dinamizador do projeto" Iniciativa EUA-PT contra o Cancro (UPIC).

O curso vai decorrer em Vilamoura, mas, devido à qualidade dos oradores, na tarde de sexta-feira, 15 de maio, será transferido para a Universidade do Algarve, numa sessão aberta à comunidade.

“Nesse dia, o curso deixa de ser limitado a 30 participantes e passa a uma sessão pública dirigida à comunidade estudantil e médica, não só do Algarve, mas de todo o país”, concluiu o coordenador do Centro de Investigação em Biomedicina.

 

Lusa