25 > 27 junho | 28 junho Open Day
Tapé - Curador das Poesias do Mundo
Há dez anos que a poesia encontrou no Festival MED um espaço privilegiado de encontro entre culturas e línguas de todo o mundo. Sob a curadoria de Tapé, o projeto «Poesias do Mundo» tem crescido de edição para edição, afirmando-se como uma das expressões culturais mais singulares do festival. Em 2026, ano em que celebra uma década de existência, o projeto apresenta novas iniciativas e reforça a missão de aproximar povos através da palavra.
Colaborar no MED, com a responsabilidade de programar a área da poesia, tem sido uma experiência muito estimulante e enriquecedora. O projeto literário “Poesias do Mundo” foi criado em 2016 (celebrando agora 10 anos) precisamente para se enquadrar, por um lado, nos valores do Festival MED e, por outro, para preencher um espaço e uma valência cultural ainda não existente.
Sendo o “Poesias do Mundo” um projeto inclusivo e multicultural, assume a responsabilidade e o compromisso de “abrir as portas” do MED ao maior número possível de diferentes nacionalidades. Tem sido particularmente interessante pensar a poesia no contexto de um festival como o MED, onde existe um forte cruzamento entre música, culturas e linguagens artísticas. A programação procura precisamente esse diálogo: criar momentos de proximidade entre os poetas e o público, dar espaço a diferentes geografias e gerações e mostrar como a poesia pode ocupar o espaço público de forma viva e acessível.
Uma década depois da primeira edição, encontra-se agora no prelo uma publicação com apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Fundação António Aleixo, que reúne traduções de parte da obra do poeta António Aleixo para quatro línguas, num gesto que honra a sua voz universal e reforça a missão do projeto de aproximar culturas através da palavra poética.
Para a edição XXII do Festival MED, foram preparadas várias surpresas. Diariamente, por volta das 18h00, terão início no centro da cidade de Loulé duas ações de rua: o “Flash Mob de Poesia” (multilingue), seguido da Manif “Frases e Vozes de (des)Ordem Cultural”, que partirá da Praça da República em direção ao Largo de São Francisco, seguindo depois para o interior do recinto, até ao espaço onde decorrem, como habitualmente, as apresentações de poesia em diversas línguas.
Por fim, destaca-se a celebração simbólica do 10.º aniversário das “Poesias do Mundo”, que terá lugar no sábado, dia 27 de junho, por volta das 20h30, no espaço MED Lounge, com o tradicional bolo e o momento de soprar as velas.
Marco Martins - Curador MED JAZZ
Sob a curadoria de Marco Martins, o MED Jazz continua a afirmar-se como um dos espaços de excelência do Festival MED, oferecendo ao público concertos intimistas e propostas musicais que percorrem diferentes linguagens do jazz contemporâneo. Para o curador, programar esta área é sempre um processo marcado pela felicidade, pela partilha e também por uma grande expectativa, acompanhado por um profundo sentido de responsabilidade, tanto na escolha dos artistas como na forma como são tratadas todas as questões ligadas à produção.
A programação de 2026 apresenta-se diversificada e abrangente. Ao contrário da edição anterior, que privilegiou exclusivamente projetos algarvios editados pela MdC Records, editora da Mákina de Cena, este ano o palco abre-se a novas propostas, a artistas consagrados do panorama nacional e também a músicos internacionais.
No dia 25 de junho, sobe ao palco o Javier Orí Quartet, vindo de Sevilha, para apresentar o álbum "Revelación", um trabalho marcado pelo jazz contemporâneo, pela sensibilidade melódica e pela improvisação.
A 26 de junho, será a vez do quinteto liderado por Francisco Neves, acompanhado por Luís Cunha, Desidério Lázaro, João Custódio e João Ribeiro, interpretar a obra intemporal de Oscar Pettiford, considerado um dos mais importantes contrabaixistas da geração do bebop e uma figura determinante na criação de uma nova linguagem para este instrumento.
O encerramento acontece a 27 de junho, com o Trio de Miguel Ângelo, que apresenta o seu mais recente trabalho, "Distopia". Depois do aclamado "Utopia", lançado em 2019, o músico regressa com uma obra intensa e envolvente, distinguida com uma nomeação para os Prémios Play 2026, na categoria de Melhor Álbum de Jazz. O disco foi ainda considerado um dos melhores álbuns portugueses de 2025 pela revista Jazz.pt.
Três noites, três propostas distintas e um convite aberto a todos os que desejam descobrir ou redescobrir a riqueza e a diversidade do jazz no ambiente único do Festival MED.
Sérgio Leite - Curador do MED Classic
No vasto universo cultural do Festival MED, o MED Classic conquistou um lugar próprio, afirmando-se como um espaço privilegiado para a música erudita e para a descoberta de sonoridades que atravessam séculos de história. Desde 2022, a curadoria desta rubrica está a cargo de Sérgio Leite, Diretor do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado, que tem apostado numa programação eclética, marcada pela diversidade de artistas, repertórios e instrumentos. "O que mais me gratifica é perceber que o MED Classic já conquistou um público fiel, pessoas que procuram especificamente esta rubrica", refere. Mas há outro aspeto que o entusiasma particularmente: aqueles visitantes que entram na Igreja Matriz por mera curiosidade e acabam surpreendidos pela experiência.
A edição deste ano apresenta um programa de excelência, com quatro momentos distintos. No dia 25 de junho, sobe ao palco o Quarteto do The English Concert, proporcionando uma rara viagem pela música antiga, interpretada em instrumentos históricos por Charlotte Spruit e Manani Mizumoto, no violino, Joseph Crouch, no violoncelo, e Sergio Bucheli, na teorba.
No dia seguinte, 26 de junho, o Duo Berten D'Hollander & Anna Granik propõe um recital intimista, onde a delicadeza da flauta transversal se funde com a expressividade do piano.
A 27 de junho, o encerramento dos recitais estará a cargo do Duo Pedro Costa & Ilker Arcayürek. A excelência vocal do tenor alia-se à profundidade do piano num concerto que se anuncia emotivo e memorável.
O MED Classic termina em grande no dia 28 de junho, durante o Open Day do Festival. A partir das 19h00, a Igreja Matriz recebe a Orquestra e Coro do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado, sob a direção do maestro Henrique Constância. A atuação contará ainda com a participação especial de alunos do programa Erasmus, provenientes de Espanha e da Estónia, num concerto que promete ser vibrante, celebrando a música como linguagem universal e reforçando o espírito de partilha cultural que caracteriza o Festival MED.
Sylva Drums - Curador do MED Lounge
Uma das grandes novidades do Festival MED 2026 é a criação do MED Lounge, um espaço pensado para proporcionar momentos de descontração, convívio e descoberta musical, sem perder a identidade multicultural que caracteriza o festival. A curadoria deste novo palco foi confiada a Sylva Drums, artista com uma longa ligação ao MED e cuja carreira se cruza, há vários anos, com a história do próprio festival.
O convite partiu do diretor Paulo Silva e foi recebido por Sylva Drums com entusiasmo e sentido de responsabilidade. O artista não esconde o orgulho de assumir a programação de um espaço inserido num festival que considera ter sido determinante no início do seu percurso artístico. "O MED está na essência do meu projeto musical", afirma, sublinhando a vontade de criar um ambiente onde a eletrónica orgânica e as sonoridades do mundo se fundem de forma natural.
A programação do MED Lounge foi concebida para oferecer ao público uma viagem musical diversificada. No dia 25 de junho, sobe ao palco Bruno Zarra, DJ e produtor ligado à eletrónica tribal, atualmente identificada com os estilos Afro House e Afro Deep, apresentando um DJ Set que percorre a sua essência musical e uma abordagem mais contemporânea.
No dia 26 de junho, chega de Espanha o artista Osaba, que promete surpreender com um DJ Set acompanhado por guitarra ao vivo, num encontro entre as tradicionais guitarradas flamencas e a eletrónica moderna.
Já no dia 27 de junho, será a vez de Divenitto, que apresentará o seu Hybrid Live DJ Set, uma experiência sonora enriquecida por flautas e instrumentos ancestrais executados ao vivo.
Rui Tendinha - Curador do Cinema MED
O Cinema MED afirma-se como uma das áreas mais singulares do Festival MED, cruzando a linguagem cinematográfica com a música e outras expressões artísticas num ambiente de descoberta e partilha. A curadoria desta programação está a cargo de Rui Tendinha, que sublinha a dimensão humana e afetiva desta experiência, marcada pela ligação ao território e às suas raízes algarvias, bem como pelo trabalho desenvolvido pela equipa do Loulé Film Office.
Para o curador, programar o Cinema MED tem sido descrito como uma verdadeira aventura humana, onde se cruzam duas paixões centrais: o cinema e a música. Essa fusão reflete-se numa programação pensada para dialogar com diferentes públicos, mantendo sempre uma identidade própria dentro do festival.
A edição deste ano distingue-se pela diversidade e pela recusa de fórmulas repetidas. Segundo Rui Tendinha, trata-se de uma programação que “não tem rimas”, onde os contrastes são assumidos como elemento estruturante. Entre os destaques, surge o diálogo entre os filmes “Vizinhas” e “Falem com Ela”, obras que, apesar das diferenças, são atravessadas por duas figuras femininas centrais: Helena Caldeira e Inês Meneses, mulheres livres que reforçam a força narrativa desta seleção.
Outro momento de destaque será a exibição de “O Faroleiro”, um filme clássico que ganha uma nova dimensão com banda sonora ao vivo de Tô Trips, criando uma experiência imersiva entre imagem e som. A programação inclui ainda “Respirar Debaixo de Água”, obra recentemente restaurada, cuja apresentação contará com a presença do realizador António Ferreira, que participará numa conversa com o público.
O Cinema MED reforça assim o seu papel dentro do festival como espaço de encontro entre cinema, música e debate, afirmando-se como uma proposta cultural diferenciadora no panorama do Festival MED.