Efeitos do aumento das taxas diretoras por parte do BCE não se limitam ao empréstimo da casa. Conselhos da Deco para as famílias.
A subida da inflação na Zona Euro fez soar os alarmes no Banco Central Europeu (BCE), que decidiu voltar a aumentar as respetivas taxas de juro diretoras em 25 pontos base, depois de as manter inalteradas durante sete reuniões consecutivas. Para muitas famílias esta não é uma boa notícia, visto que são vários os impactos a ter em conta no orçamento, desde logo os relacionados com a prestação do crédito habitação. No artigo desta semana da Deco Alerta explicamos, entre outras coisas, como se podem as famílias proteger e que cuidados devem ter em conta.
A rubrica semanal Deco Alerta é assegurada pela Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor* para o idealista/news e destina-se a todos os consumidores em Portugal.
Já é público que o Banco Central Europeu (BCE) decidiu subir as taxas de juro. A maioria dos consumidores está aflita e não consegue apertar mais o cinto. Como se pode proteger as famílias neste contexto de maior incerteza financeira? O que nos aconselha a Deco?
O aumento que bem referes surge num contexto de renovadas pressões sobre os preços, impulsionadas, entre outros fatores, pela subida dos custos da energia e pela instabilidade geopolítica internacional.
A decisão do BCE de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, elevando a taxa de referência para 2,25%, marca uma inversão da tendência dos últimos anos e constitui um sinal claro de que os riscos inflacionistas continuam a preocupar as autoridades monetárias europeias.
Para muitas famílias, estas decisões podem parecer distantes, mas os seus efeitos vão refletir-se rapidamente no orçamento familiar, sobretudo para quem tem crédito habitação.
Porque sobe o BCE as taxas de juro?
A sua principal missão é garantir a estabilidade dos preços, procurando manter a inflação próxima dos 2% no médio prazo. Quando a inflação acelera e ameaça permanecer acima desse objetivo, o banco central tende a aumentar as taxas de juro. O objetivo é tornar o crédito mais caro, moderar o consumo e o investimento e, dessa forma, reduzir as pressões sobre os preços.
Contudo, esta estratégia tem consequências para as famílias e para a economia. O dinheiro torna-se mais caro, os encargos financeiros aumentam e a margem disponível para poupar ou consumir diminui.
O impacto no orçamento das famílias
As famílias portuguesas encontram-se entre as mais expostas da Europa às alterações das taxas de juro, devido ao peso significativo do crédito habitação com taxa variável indexada à Euribor.
Embora os mercados já antecipassem esta decisão e a Euribor tenha vindo a subir desde março, muitas famílias sentirão os seus efeitos à medida que os contratos forem sendo revistos. Quem teve a prestação atualizada nos últimos meses começou já a verificar aumentos nos encargos mensais com a habitação.
Mas os impactos não se limitam ao crédito da casa:
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O acesso a novo crédito poderá tornar-se mais caro;
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Os créditos ao consumo poderão apresentar taxas de juro mais elevadas;
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As empresas enfrentarão custos de financiamento superiores, que podem refletir-se nos preços de bens e serviços;
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A capacidade de poupança das famílias poderá ser reduzida, atendendo ao aumento dos encargos financeiros e manutenção de um custo de vida elevado;
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Alguns projetos familiares, como a compra de habitação, obras ou aquisição de bens duradouros, poderão ser adiados.
Para muitas famílias, o principal risco não decorre apenas da subida da prestação do crédito habitação, mas da conjugação de vários fatores de pressão sobre o orçamento, nomeadamente o aumento generalizado das despesas essenciais e dos encargos financeiros.
Perante este cenário, aconselhamos todas as famílias a:
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Rever regularmente o orçamento familiar, identificando oportunidades de poupança e controlando a evolução das despesas;
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Acompanhar a evolução da Euribor e simular o impacto de futuras revisões da prestação do crédito habitação;
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Avaliar periodicamente a taxa de esforço para garantir que os encargos com créditos continuam compatíveis com o rendimento disponível do agregado familiar;
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Reforçar a poupança de emergência, criando uma almofada financeira que permita fazer face a despesas inesperadas ou a um aumento dos encargos mensais;
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Evitar assumir novos compromissos financeiros que possam comprometer o equilíbrio do orçamento ou aumentar significativamente a taxa de esforço;
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Comparar regularmente as condições dos créditos existentes e avaliar a possibilidade de renegociar o contrato ou transferir o crédito para outra instituição, analisando cuidadosamente os benefícios e os custos associados a cada solução;
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Procurar apoio especializado aos primeiros sinais de dificuldade financeira. Quanto mais cedo forem identificados os problemas, maiores serão as possibilidades de encontrar soluções adequadas e evitar situações de sobre-endividamento.
Idealista News
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