A Associação 289 convida o público e a comunicação social para a inauguração simultânea de dois novos projetos artísticos no próximo dia 11 de julho, às 18h00.
A sede da associação abre as portas à exposição “Aula de Retórica: Amor e Carne de Talho” de Ricardo Cruzes e Mirian Tavares e a uma nova intervenção no Project Room, assinada pela artista Rosa Guedes.
AULA DE RETÓRICA: Amor e Carne de Talho
Sob o título Aula de Retórica, este projeto constrói-se como um conjunto de três exposições que se reinventam a cada contexto. O nome indicia um ponto de partida, mas cada exposição é pensada especificamente para o espaço que a acolhe, dialogando com as particularidades do lugar em que se situa. A primeira de subtítulo "Amor e Carne de Talho" acontece na Associação 289, com inauguração no dia 11 de julho de 2026 às 18h.
Comum às três exposições e estruturante do projeto é a reflexão em torno do que teve início em 1755. A partir dessa rutura, interrogamo-nos: o que emerge da derrocada? Pensamos no silêncio e na matéria, na carne e no vinho, no fogo. Nos meandros que separam o grotesco do sublime. Pensamos o amor. O mar, a superfície e o azul profundo. Amor e Carne de Talho evoca o subsídio literário do Marquês de Pombal que instituiu o “imposto sobre o vício”, para investir na criação de escolas laicas após a expulsão dos Jesuítas. Pagava-se mais sobre a carne e sobre o vinho para que as crianças pudessem ter aulas de retórica, matéria fundamental, e fundante, do novo regime. A palavra, e sua organização num discurso, adquirem peso num país que se reinventa após a destruição.
Movemo-nos entre tempos, num percurso de idas e voltas, cruzando épocas e sentidos, enquanto refletimos sobre a derrocada que se tornou um vir-a-ser na contemporaneidade. Através de dispositivos diversos, a exposição convoca memórias pessoais e históricas que se misturam como para lembrar que a arte é um lugar de negociações de afetos, de sentidos e de vivências.
PROJECT ROOM - ROSA GUEDES
Paralelamente, no Project Room, espaço dedicado à experimentação da associação, recebe o projeto de Rosa Guedes, com curadoria de Joana R. Sá.
O ponto de partida da investigação de Rosa Guedes encontra-se numa série de textos autobiográficos escritos ao longo do Mestrado em Processos de Criação, concebidos como registos de diário a partir de uma experiência de violência sexual e dos processos emocionais que lhe sucederam. A ambiguidade criada entre a superfície da tela e o espaço envolvente impede perceber onde termina a obra e onde começa a arquitetura, sugerindo que a memória traumática ultrapassa qualquer limite físico.
Ambos os projetos estarão patentes até 22 de agosto, reforçando a missão da Associação 289 em promover a arte contemporânea e o diálogo cultural na região do Algarve.
Associação 289