O ritmo e a voz calorosa de Nanook o Vagabundo aqueceram a noite de 21 de julho no Mercado de Verão de Quarteira, num espetáculo que fez jus ao seu nome artístico, uma viagem sem destino fixo, mas com paragem obrigatória na alma de quem ouve.
O artista, nome artístico de Tércio Jorge Cristiano de Macedo Freire, subiu ao palco e levou consigo um repertório repleto de histórias musicais, onde originais e versões se cruzaram num estilo único que atravessa géneros como o folk, o jazz, o rock n’roll e a música portuguesa. Com uma presença cénica envolvente e uma cumplicidade rara com o público, Nanook convidou residentes e turistas a viajar por melodias que vão do intimista ao energético e muitos foram os que pararam para ouvir, dançar e até cantar, num ambiente descontraído e familiar.
Das ilhas ao Algarve: uma vida dedicada à música
Nascido a 25 de outubro de 1976, em Ponta Delgada, nos Açores, Nanook descobriu cedo a paixão pela música, dedicando-se ao piano e à guitarra. Em 1997, mudou-se para Faro, onde mergulhou no cenário musical algarvio, integrando e formando várias bandas universitárias e locais. Dois anos depois, começou a atuar a solo em bares e hotéis por todo o Algarve, consolidando uma carreira que já atravessa mais de duas décadas.
A sua busca por aperfeiçoamento levou-o, no ano 2000, a estudar jazz com nomes como Zé Eduardo (Zé Eduardo Unit) e Fernando Aires Ramos (Pedro Abrunhosa Quintet e Rapazes do Jazz), integrando depois projetos sob a sua orientação. Essa formação refinou o seu estilo, conferindo-lhe uma versatilidade que hoje marca os seus espetáculos.
A partir daí, a sua carreira artística entrou num outro registo, com a gravação de vários EP e LP e o reconhecimento foi chegando, palco a palco, disco a disco.
Contador de histórias, músico de alma
Com uma carreira que já percorreu palcos por todo o país, Nanook o Vagabundo continua a ser uma presença marcante no Algarve, levando a sua música a quem a quiser ouvir, sempre com a alma de um verdadeiro contador de histórias.
No Mercado de Verão de Quarteira, não houve plateia: houve cúmplices de uma viagem, onde cada canção era uma paragem, cada silêncio uma pausa para respirar a música. E quando a noite acabou, ficou a certeza de que Nanook não passa apenas: fica, ecoa, e faz questão de deixar uma marca na memória de quem o escuta.
Há músicos que tocam para serem ouvidos. E há músicos que tocam para serem sentidos. Nanook o Vagabundo é dos segundos e ontem, em Quarteira, a noite agradeceu.
Jorge Matos Dias