Estudo da DECO PROteste revela que 79% dos idosos não conseguem pagar um lar apenas com a reforma e que o tempo médio de espera por uma vaga ultrapassa os cinco meses
No Dia dos Avós, que se assinala a 26 de julho, a DECO PROteste alerta para uma realidade que afeta milhares de famílias portuguesas, envelhecer com dignidade continua a depender, em muitos casos, da capacidade financeira dos próprios idosos e dos seus familiares.
Um estudo realizado pela organização junto de 694 familiares de utentes de estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) revela que 79% dos idosos não conseguem suportar os custos do lar apenas com os seus rendimentos, sendo frequentemente obrigados a recorrer às poupanças acumuladas ao longo da vida ou ao apoio financeiro da família.
Em média, a permanência num lar representa uma despesa mensal de 1.343 euros, entre mensalidade e custos adicionais, valor que supera em 462 euros os rendimentos médios dos utentes. A situação é particularmente gravosa na Área Metropolitana de Lisboa e na região Norte, onde o diferencial entre rendimento e despesa é ainda mais elevado.
"A forma como cuidamos dos nossos idosos diz muito sobre a sociedade que queremos construir. Não é aceitável que tantas famílias tenham de suportar um esforço financeiro tão elevado para garantir cuidados essenciais aos seus pais e avós", defende a DECO PROteste.
Conseguir um lugar continua a ser um desafio
Para muitas famílias, o problema começa ainda antes da entrada no lar. O estudo mostra que 44% dos inquiridos sentiram dificuldades em conseguir uma vaga, sobretudo nas IPSS e Misericórdias, onde os tempos de espera são mais prolongados. Em média, decorrem 157 dias entre a inscrição e a admissão, podendo ultrapassar os sete meses nestas instituições.
Perante a falta de oferta, cerca de um terço das famílias acaba por escolher uma instituição que não era a sua primeira opção, privilegiando muitas vezes a disponibilidade em detrimento da localização ou das condições pretendidas.
Dependência crescente exige resposta adequada
O estudo revela ainda que os idosos entram, em média, para uma estrutura residencial aos 84 anos, já com elevados níveis de dependência.
Problemas de mobilidade (79%), dificuldades na higiene pessoal (79%) e limitações cognitivas estão entre as situações mais frequentes, sendo igualmente comuns doenças como demência (52%), incapacidades físicas (50%), depressão (37%) ou doença de Alzheimer (28%).
Apesar de a maioria das instituições disponibilizar cuidados de enfermagem e consultas médicas, serviços como apoio psicológico, fisioterapia ou nutrição continuam menos acessíveis ou implicam custos adicionais para as famílias.
Satisfação moderada, mas persistem falhas importantes
A avaliação global dos familiares situa-se nos 72 pontos em 100, refletindo uma satisfação apenas moderada. Os aspetos mais valorizados são a transparência dos custos, as condições dos quartos e os cuidados de enfermagem.
Em sentido contrário, destacam-se como principais motivos de insatisfação a escassez de apoio psicológico e o reduzido número de funcionários durante o período noturno. Também foram reportados problemas relacionados com os cuidados de higiene, despesas inesperadas e comunicação com as famílias.
DECO PROteste pede reforço da resposta aos idosos
Num contexto de envelhecimento da população portuguesa, a DECO PROteste considera urgente reforçar a capacidade de resposta das estruturas residenciais para pessoas idosas, tornando-as mais acessíveis e financeiramente sustentáveis para as famílias.
A organização defende igualmente maior transparência nos custos, mais recursos humanos e um reforço dos cuidados prestados, em particular nas áreas da saúde mental e do acompanhamento especializado, para que o acesso a um envelhecimento digno não dependa exclusivamente da capacidade económica das famílias.
"No Dia dos Avós celebramos o papel insubstituível que desempenham nas famílias. Mas para milhares de portugueses, a preocupação maior é garantir-lhes cuidados dignos numa fase de maior dependência, uma missão que continua a ser dificultada pelos elevados custos dos lares e pela escassez de vagas.", conclui a organização.
Como foi feito o estudo
O inquérito decorreu entre setembro e novembro de 2025, junto de 694 familiares de utentes que estiveram em lares, também designados por estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI), nos cinco anos anteriores. Os dados recolhidos foram ponderados de modo a refletirem a distribuição nacional de camas disponíveis nestas estruturas por zona geográfica, e traduzem as experiências e as opiniões dos inquiridos.
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