Portugal com aumento significativo de casos de hepatite A associados a surtos em 2025

09:30 - 28/07/2026 ATUALIDADE
Portugal registou um aumento expressivo de casos de hepatite A, que passaram de 319 em 2024 para 1.164 em 2025, associados a surtos resultantes da falta de salubridade e à transmissão sexual, indica um relatório da DGS hoje divulgado.

“Mantém-se o aumento significativo do número de casos confirmados de hepatite A”, salienta o relatório de 2025 do Programa Nacional para as Hepatites Virais da Direção-Geral da Saúde (DGS), que aponta para mais 845 casos confirmados no último ano, face a 2024, um crescimento de 265%.

O documento atribui esse aumento de casos a dois surtos que tiveram início em 2024, um dos quais associado à transmissão de pessoa a pessoa, influenciado por condições deficitárias de salubridade, afetando sobretudo crianças do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo.

O outro surto está ligado à transmissão por contacto sexual, afetando predominantemente homens entre os 18 e os 44 anos, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte, adianta o relatório divulgado no Dia Mundial das Hepatites que hoje se assinala.

“Adicionalmente foram identificados 28 surtos, contabilizando um total de 150 casos confirmados, estando a maioria relacionados com transmissão pessoa a pessoa”, avança ainda a DGS, que salienta que aumento do número de casos e de surtos de hepatite A em Portugal está, porém, em linha com os crescimentos reportados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) em diversos países europeus.

Apesar do crescimento de casos confirmados no último ano, a DGS salienta que Portugal é considerado como um país de baixa endemicidade para a hepatite A, apresentando, de forma recorrente, valores anuais inferiores a um caso confirmado por 100.000 habitantes, e que a situação dos surtos “aparenta estar em resolução decorrente de medidas implementadas”.

Na vacinação contra a hepatite A, o relatório indica que se verificou um aumento expressivo do número de vacinas administradas, como resposta aos surtos e no seguimento da atualização da estratégia nacional de imunização, que tem permitido controlar a transmissão comunitária que se verificou em 2024 e 2025.

Quanto à hepatite B, o documento sobre um dos programas de saúde prioritários da DGS refere que também se registou um aumento do número de casos confirmados, que passaram dos 271 em 2024 para os 354 em 2025, representando um crescimento de 31%.

Trata-se do segundo ano consecutivo de aumento das notificações, o que exige um reforço da vigilância e prevenção, alerta a DGS.

Apesar de poder estar relacionado com uma maior consciencialização da importância do rastreio e com uma maior literacia sobre a doença, o aumento dessas infeções poderá também dever-se a um “possível aumento do número de casos de hepatite B a nível europeu e com movimentos migratórios de pessoas oriundas de países com maior endemicidade da doença e menores taxas de coberturas vacinais”, admite o relatório.

De acordo com a DGS, verificou-se a manutenção de coberturas vacinais muito elevadas contra a hepatite B, superiores a 98%, incluindo a vacinação universal ao nascimento, colocando “Portugal entre os países com melhor desempenho a nível mundial”.

Já em relação à hepatite C, o documento refere que foi introduzida em 2024 uma alteração metodológica, condicionando uma quebra de série, que pode justificar o aumento do número de notificações registadas em 2024 e 2025.

Dez anos depois do acesso universal ao tratamento da hepatite C em Portugal, mais de 38 mil pessoas tiveram acesso ao tratamento, com taxas de cura próximas dos 97%, e com impacto comprovado na redução dos internamentos, da cirrose hepática, do transplante hepático e da mortalidade associada, salienta ainda o relatório.

As hepatites virais continuam a representar importante causa de doença hepática crónica, cirrose e carcinoma hepatocelular, sendo os vírus das hepatites B e C responsáveis pela maioria da mortalidade associada a esta doença.

 

Lusa