Juros na habitação continuam a subir refletindo incerta da guerra nos mercados. Famílias refugiam-se na taxa mista, revela BdP.
Mesmo com os juros a subir, o montante dos novos contratos de crédito habitação deu o salto para 2.345 milhões de euros em julho, atingindo o valor mais elevado de sempre, segundo o Banco de Portugal (BdP). Esta recorde é registado precisamente no mês que antecede da entrada em vigor do novo limite máximo da taxa de esforço.
No passado dia 1 de agosto entrou em cena a nova recomendação macroprudencial do BdP que reduz o limite da taxa de esforço de 50% para 45%, tornando mais difícil o acesso ao crédito habitação. Um mês antes desta medida entrar em vigor observou-se uma corrida ao financiamento bancário destinado à compra de casa.
Os novos contratos de empréstimos habitação aumentaram 166 milhões de euros num mês, para 2.345 milhões de euros em julho, atingindo “o valor mais elevado da série”, de acordo com o boletim do BdP divulgado esta quarta-feira (dia 2 de setembro).
Já as renegociações dos empréstimos habitação caíram 109 milhões de euros para 491 milhões em julho, o menor valor desde o fim de 2025. Contas feitas, as novas operações de empréstimos para habitação – que incluem novos contratos e contratos renegociados - aumentaram 57 milhões de euros, para 2.836 milhões de euros em julho.
Juros continuam a subir – famílias refugiam-se na taxa mista
Embora de forma lenta, os juros na habitação em Portugal estão a refletir a incerteza sentida nos mercados financeiros e o agravamento da política monetária do Banco Central Europeu, que deverá voltar a subir os juros na reunião da próxima semana na ordem dos 25 pontos base, elevando a taxa de referência para 2,5%.
“A taxa de juro média das novas operações de crédito habitação aumentou 0,02 p.p. [pontos percentuais] em julho, para 2,96%. Esta subida resultou dos novos contratos e dos contratos renegociados, cujas taxas de juro médias aumentaram 0,02 p.p., para 2,95% e 2,97%, respetivamente”, lê-se no boletim do banco central.
Os juros no nosso país acabaram por subir menos do que a taxa média na área euro, cujo aumento foi de 0,04 p.p. para 3,52%. E, assim, Portugal manteve a posição entre os países da zona euro, permanecendo com a quinta taxa média mais baixa.
Esta evolução dos juros pode ser explicada pela alta adesão a taxas mistas em Portugal, que continuam acessíveis apesar das ligeiras subidas. “Em julho, 86% dos novos empréstimos habitação foram contratados a taxa mista, isto é, com uma taxa de juro fixa num período inicial, seguida de taxa variável”, informa o BdP. Cerca de 12% dos créditos foram contratados a taxa variável (e indexada à Euribor), enquanto apenas 2% dizem respeito a contratos a taxa fixa.
O que se sente é que a taxa mista tem vindo a ajustar-se lentamente ao novo cenário de agravamento dos juros impulsionado pela guerra no Médio Oriente. Nas novas operações a taxa mista, a taxa de juro média aumentou 0,02 p.p., para 2,83% em julho, continuando pouco acima dos 2,71% registado em fevereiro (antes do conflito e o valor mais baixo dos últimos quatro anos).
Já as taxas variáveis – que refletem diretamente as subidas da Euribor – tem subido a maior ritmo, fixando-se em julho em 3,19% (+0,04 p.p. face ao mês anterior) Já a taxa fixa continua a ser mais elevada por ter menos risco, situando-se em 3,78%.
Prestação da casa no total dos contratos em máximos
O que a nota do BdP também revela é que a prestação da casa, considerando todos os créditos habitação existentes no país, atingiu um valor recorde em julho, o que pode ser explicado pela subida dos juros e também pelos altos preços das casas.
“A prestação média mensal do stock de empréstimos habitação aumentou pelo 11.º mês consecutivo e atingiu um novo máximo da série histórica: 441 euros, mais 5 euros do que em junho e mais 23 euros do que no final de 2025”, lê-se na nota.
“Este aumento resultou do acréscimo quer da prestação média dos contratos já existentes, quer dos novos contratos, estes últimos com prestações médias mais elevadas”, diz o BdP. Isto deve-se ao facto de as famílias, hoje, estarem a pedir mais dinheiro à banca para conseguir acompanhar a evolução ascendente do custo da habitação no país.
Idealista News