A Ria Formosa destaca-se entre os destinos europeus para observar aves. Sabe onde fazer birdwatching e que espécies procurar.
Enquanto algumas pessoas vão até ao Algarve à procura de praias, outras levam binóculos ao pescoço e passam horas a fio a olhar para o horizonte. O objetivo não é encontrar o melhor lugar para estender a toalha, mas avistar flamingos, colhereiros, alfaiates e outras aves que fazem desta região a sua casa.
Curiosamente, o Parque Natural da Ria Formosa foi considerado o 10.º melhor destino da Europa para a observação de aves em 2026.
A área protegida portuguesa entrou numa lista liderada pela Península de Falsterbo, na Suécia, e ficou à frente de destinos bastante populares como Camargue, em França, e o Delta do Ebro, em Espanha.
Ria Formosa ocupa o 10.º lugar do ranking europeu
Com cerca de 60 quilómetros de extensão, entre a Península do Ancão e a zona da Manta Rota, a Ria Formosa desenha um labirinto de ilhas, canais, sapais, dunas e bancos de areia.
A diversidade de habitats torna este lugar particularmente importante para as aves residentes e migratórias, que aqui encontram zonas de alimentação, abrigo e reprodução.
Mas o que explica a sua posição de destaque entre os melhores destinos da Europa para a observação de aves? O ranking teve em conta os seguintes fatores:
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Número de espécies de aves registadas;
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Número de espécies consideradas distintas ou relevantes;
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Probabilidade de observação das espécies menos comuns;
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Temperatura média anual;
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Velocidade média do vento;
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Precipitação média;
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Distância até ao aeroporto mais próximo;
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Estimativa das despesas diárias de um visitante.
Cada critério recebeu uma pontuação, posteriormente integrada num resultado máximo de 100 pontos. A Ria Formosa alcançou 42,4 pontos. O estudo contabilizou 257 espécies de aves nos registos analisados, das quais 124 foram classificadas como espécies relevantes.
A proximidade ao Aeroporto de Faro, o clima ameno e os custos estimados da viagem também contribuíram para a excelente posição portuguesa.
A classificação resulta de um estudo publicado pela AllClear Travel Insurance, que analisou 115 destinos reconhecidos pela observação de aves, distribuídos por seis continentes. No entanto, não se trata de uma classificação oficial sobre o valor ecológico das diferentes áreas protegidas.
Porque é a Ria Formosa tão importante para as aves?
A Ria Formosa encontra-se numa rota utilizada por aves que viajam entre o norte da Europa e África. Algumas permanecem no Algarve durante o inverno, outras utilizam os sapais, as salinas e as zonas entre as marés para descansarem e recuperarem a sua energia antes de continuarem a migração.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas identifica mesmo a avifauna como um dos principais valores naturais do parque. A documentação oficial contabiliza mais de 200 espécies e indica que, durante a época de invernada, podem concentrar-se na Ria Formosa mais de 20.000 aves aquáticas.
Este número não significa que consigas encontrar todas as espécies numa única visita. A quantidade de aves observadas varia consoante a época, a maré, as condições meteorológicas e o tempo que permaneces no local.
A conservação dos sapais também é importante para peixes, moluscos e crustáceos. Estas zonas funcionam como locais de alimentação e reprodução, e ajudam a sustentar tanto a biodiversidade como as atividades económicas das comunidades que vivem junto à ria.
Que aves podes observar na Ria Formosa?
O caimão, também conhecido como galinha-sultana, é o símbolo mais reconhecido do Parque Natural da Ria Formosa. Reconheces esta ave pela sua plumagem azulada, pelas patas compridas e pelo bico vermelho. Era uma espécie rara em Portugal quando foi escolhida para representar o parque, mas a proteção do habitat ajudou a recuperar a população.
Entre as aves aquáticas e migratórias que podes encontrar estão ainda:
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Flamingo;
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Colhereiro;
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Garça-branca-pequena;
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Garça-real;
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Alfaiate;
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Perna-longa;
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Fuselo;
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Pilrito-comum;
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Maçarico-real;
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Pato-real;
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Piadeira;
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Marrequinho;
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Borrelho-de-coleira-interrompida;
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Andorinha-do-mar-anã.
A andorinha-do-mar-anã reproduz-se nas dunas e salinas da Ria Formosa, embora seja sensível à presença humana, ao abandono de lixo e à circulação fora dos percursos definidos.
Segundo o ICNF, a população que nidifica nesta área representa cerca de 40% dos efetivos da espécie em Portugal. Durante as migrações e no inverno, também podes observar aves de rapina, como o falcão-peregrino, o peneireiro-vulgar e diferentes espécies de tartaranhão.
Qual é a melhor época para observar aves?
Podes praticar observação de aves na Ria Formosa durante todo o ano, mas cada estação oferece uma experiência diferente.
O outono marca a passagem de muitas aves migratórias que se deslocam para sul. No inverno, os sapais e as salinas recebem milhares de aves aquáticas provenientes do norte da Europa. Já na primavera podes acompanhar a chegada de espécies migradoras e o início da época de reprodução.
O início da manhã e o final da tarde costumam proporcionar boas condições, tanto pela atividade das aves como pela luz. Também é útil consultar os horários das marés, afinal a maré baixa expõe zonas de lodo onde várias espécies procuram alimento, enquanto a subida da água pode aproximar as aves de determinados pontos de observação.
Como observar as aves?
Leva binóculos, água, calçado confortável e roupa de cores discretas. Durante a observação, fala baixo, evita música e não reproduzas gravações de cantos para atrair as aves. Mantém também uma distância segura, sobretudo de ninhos e zonas de reprodução.
Se encontrares uma ave jovem no chão, não assumas de imediato que foi abandonada. Os progenitores podem estar nas proximidades e continuar a alimentá-la, mesmo que não os consigas ver. Além disso, não alimentes as aves porque poderás colocá-las em risco.
Onde observar aves na Ria Formosa?
A área protegida da Ria Formosa atravessa diferentes concelhos do Algarve e não possui uma única entrada.
Podes começar a visita em Faro, Olhão, Tavira, Loulé ou Vila Real de Santo António, dependendo dos habitats e das espécies que pretendes observar. Entre os principais locais encontram-se:
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Quinta de Marim, em Olhão: é um dos melhores pontos para uma primeira visita. O Centro de Educação Ambiental de Marim permite obter informação sobre os percursos, os habitats e as espécies presentes. Existem trilhos e observatórios junto a sapais, pinhal, lagoas e salinas;
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Ludo e Quinta do Lago: esta zona a oeste de Faro reúne lagoas, sapais, salinas e áreas florestais. É conhecida pela observação do caimão, de flamingos, patos, garças e limícolas;
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Parque Ribeirinho de Faro e Praia de Faro: oferecem pontos acessíveis para observares aves sem te afastares muito da cidade. A zona da barrinha, no extremo da Praia de Faro, é interessante durante as migrações;
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Salinas de Tavira e Santa Luzia: os tanques de sal atraem flamingos, alfaiates, pernilongos e várias aves limícolas. Respeita sempre os acessos e lembra-te de que algumas áreas fazem parte de explorações em funcionamento;
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Quatro Águas e Arraial Ferreira Neto: situados junto à foz do rio Gilão, permitem observar canais, sapais e salinas. Podes combinar o passeio com uma visita ao centro de Tavira;
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Cacela Velha: a posição elevada da aldeia oferece uma vista ampla sobre a ria e as ilhas-barreira. Para uma observação mais próxima, podes explorar os caminhos autorizados nas áreas envolventes.
Também existem passeios de barco, caminhadas e visitas guiadas dedicados ao birdwatching, com guias que ajudam a identificar espécies e explicam os comportamentos adequados a adotar durante a observação.
Quais são os melhores destinos europeus para observar aves?
A Península de Falsterbo, no sul da Suécia, ficou no primeiro lugar deste ranking, com 50,7 pontos. A sua localização transforma-a num corredor de migração, sobretudo durante o outono, quando os grupos de aves evitam atravessar diretamente o mar Báltico.
A reserva britânica de Titchwell Marsh ficou em segundo lugar, enquanto a ilha escocesa Fair Isle ficou em terceiro. Só em Inglaterra consegues encontrar cinco destinos entre os primeiros 15 lugares. Eis a classificação completa:
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Península de Falsterbo, Suécia, 50,7 pontos;
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Titchwell Marsh, Inglaterra, 50,2 pontos;
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Fair Isle, Escócia, 49,7 pontos;
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Salinas de Kalloni, Lesbos, Grécia, 47,7 pontos;
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Minsmere, Inglaterra, 46,4 pontos;
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Parque Nacional do Lago Kerkini, Grécia, 45,2 pontos;
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Rutland Water, Inglaterra, 44,7 pontos;
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Slimbridge Wetland Centre, Inglaterra, 44,3 pontos;
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Bowling Green Marsh, Inglaterra, 43,3 pontos;
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Parque Natural da Ria Formosa, Portugal, 42,4 pontos;
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Camargue, França, 41,2 pontos;
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Delta do Ebro, Espanha, 38,2 pontos;
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Parque Nacional de Hortobágy, Hungria, 37,6 pontos;
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Parque Nacional de Monfragüe, Espanha, 36,5 pontos;
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Loch Gruinart, Escócia, 36,4 pontos.
Se estiveres à procura do próximo destino para observar aves já sabes até onde ir.
Idealista News