GENEALOGIA por Manuel da Silva Costa | mscosta2000@hotmail.com
“Os Navegadores” é um livro da autoria da antropóloga e jornalista Norueguesa Erica Fatland, editado no seu país em 2024; foi traduzido este ano para Português.
Segundo a autora, trata-se de “uma viagem pelo império perdido de Portugal”.
“Este livro esteve pendurado em todas as árvores de Natal, na Noruega”, segundo a livreira do aeroporto de Oslo …
A jovem Erica deslocou-se aos locais onde os Portugueses deixaram a sua marca. Para isso utilizou principalmente cargueiros como transporte … além da língua Portuguesa que teve que aprender para o efeito.
Saindo da Biscaia (os cargueiros já não aportam em Portugal), fez paragens em Ceuta, Cabo Bojador, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo da Boa Esperança, Moçambique, Índia, Sri Lanka, Malaca, Ilhas Banda, Timor-Leste, Japão, Macau, Ilha de Santa Helena, Brasil e … o no que resta do império – Açores, Madeira e Portugal.
Da simbiose perfeita entre antropologia e jornalismo, associados ao seu distanciamento em termos geográficos e culturais, ficou acessível esta obra monumental …
O método seguido foi o de entrevistar pessoas locais e deixar ao leitor a tarefa de tirar conclusões. Nesse sentido, disponibilizou informação histórica que nem sempre está disponível ou por não ser politicamente correta ou porque essa informação se encontrar fora de Portugal.
O mais interessante foi a divulgação de sociedades lusas em extinção, como os “cristãos escondidos” do Japão, os “índios” do Brasil, o “patuá” de Macau, os “burgher” de Sri Lanka, os “kristang” de Malaca, o português de Goa, os “tugu” das Ilhas Banda … acrescentaria o “papiamento” Caribenho.
Quando estive no Niassa, em 1986, o governador referiu que Portugal recusara uma ajuda em livros escolares … soube que contribuíra com 0,5 milhões de dólares em armamento … enquanto que a Itália enviara 130 milhões de dólares de ajuda, a Suécia 100 milhões, a França 80 milhões …
Leiam os “Navegadores” para conhecerem este assunto que nos toca, sob uma perspetiva nua e crua …