Em setembro, a taxa de juro implícita para a totalidade dos contratos subiu pelo quarto mês seguido para 3,194%. É o valor mais alto num ano.
A instabilidade geopolítica e o agravamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE) – o regulador subiu as taxas diretoras duas vezes (uma em junho e outra em setembro) – estão a ter impacto nos contratos de crédito habitação em Portugal, tendo a taxa de juro implícita para a totalidade dos empréstimos subido em setembro pelo quarto mês consecutivo, para 3,194%, atingindo o valor mais alto num ano, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE). Já a prestação média fixou-se em 423 euros, cinco euros acima do mês anterior e mais 30 euros que no período homólogo.
“[Em setembro] A taxa de juro implícita no crédito habitação subiu para 3,194%, valor superior em 3,2 pontos base (p.b.). face ao registado no mês anterior. Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro fixou-se em 2,959%, (mais 4,9 p.b. face à taxa observada no mês precedente)”, lê-se no boletim do INE.
Segundo o gabinete de estatísticas nacional, para o destino de financiamento Aquisição de Habitação, o mais relevante no conjunto do crédito habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 3,177% (mais 2,9 p.b. face a agosto). No caso dos contratos celebrados nos últimos três meses, verificou-se um aumento de 4,8 p.b. face ao mês anterior, para uma taxa de 2,945%.
Juros voltam a representar mais de metade da prestação
Relativamente ao valor médio da prestação mensal, considerando a totalidade dos contratos, fixou-se em 423 euros, valor superior em cinco euros face ao mês anterior e 30 euros acima do verificado em setembro de 2025.
“A parcela dos juros voltou a representar mais de metade da prestação mensal, situação que não se verificava desde agosto de 2025. Com efeito, dos 423 euros da prestação de setembro, 213 euros (50,4%) correspondem a pagamento de juros e 210 euros (49,6%) a capital amortizado. Nos contratos celebrados nos últimos três meses, o valor médio da prestação subiu 13 euros, fixando-se em 757 euros (subida de 13,7% face ao mesmo mês do ano anterior)”, indica o INE.
No que diz respeito ao capital médio em dívida para a totalidade dos contratos, subiu em setembro 655 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 80.843 euros. “Para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio em dívida foi 187.246 euros, mais 1.434 euros que em agosto”, conclui o instituto.
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