II Colóquio AHSA reuniu mais de 150 participantes
Iniciativa focou-se na gestão da água, nas pessoas e na sustentabilidade ambiental. Foram divulgados os dados do inquérito anual aos associados
A AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur promoveu no Cineteatro Camacho Costa, em Odemira, o II Colóquio AHSA. O evento reuniu mais de 150 participantes, entre os quais representantes de entidades públicas, da academia, especialistas e empresários do setor agroalimentar, para um debate sobre o futuro e o desenvolvimento sustentável do Sudoeste Alentejano.
O programa, composto por vários painéis e mesas-redondas, promoveu uma reflexão estruturada em torno de três pilares estratégicos: gestão da água, valorização das pessoas e sustentabilidade ambiental.
O evento contou ainda com a apresentação do Plano de Ação Climática de Odemira pelo Município e com mesas-redondas dedicadas à atração e retenção de talento e à economia circular.
A sessão de abertura esteve a cargo do presidente da AHSA, Luís Mesquita Dias, que sublinhou a urgência de uma visão integrada para o território: “O futuro do Sudoeste Alentejano passa incontornavelmente pela capacidade de aliar a sustentabilidade ambiental à coesão social e à competitividade económica. Os projetos que hoje apresentamos traduzem o compromisso claro da AHSA e dos seus associados e parceiros em liderar respostas concretas para desafios estruturais do setor agrícola, como a água, a habitação digna e a valorização das pessoas, trabalhando em articulação próxima com os municípios, a administração pública e a comunidade local”.
Nove projetos estratégicos para responder aos desafios do território
Durante o evento, a AHSA apresentou publicamente o seu portefólio de projetos estruturantes, desenhados para responder aos principais desafios socioeconómicos e ambientais da região.
No eixo social, habitação e integração, estiveram em destaque o ACTTO (Alojamentos Coletivos para Trabalhadores Temporários em Odemira), que visa criar soluções de alojamento coletivo digno, regulado e sustentável no Perímetro de Rega do Mira, através da criação de quatro unidades na próxima década para acolher 500 trabalhadores e disponibilizar cerca de 2.000 camas adicionais; o WELCOME!, um espaço de trabalho colaborativo focado no recrutamento ético, na responsabilidade social e na integração harmoniosa de trabalhadores migrantes na comunidade; e o Caminhos & Raízes, um diagnóstico participado e conjunto de recomendações para reforçar a mobilidade rural e a acessibilidade no concelho de Odemira, aproximando residentes e trabalhadores dos serviços e do emprego.
Na área do ambiente, energia e economia circular, foram apresentados o Sudoeste +Verde, um programa de capacitação e instalação de sebes e cortinas de abrigo nas explorações agrícolas do Perímetro de Rega do Mira, promovendo a biodiversidade, a retenção de humidade e a proteção do solo contra a erosão; o Segunda Vida, um projeto e criação de uma unidade territorial de compostagem no Sudoeste Alentejano para valorizar resíduos orgânicos agrícolas e vegetais, transformando-os em composto de elevada qualidade; e as comunidades de energia “Sol p’ra todos”, para partilha de energia solar descentralizada entre explorações, município e comunidade local, incluindo modelos de apoio à mitigação da pobreza energética.
No que diz respeito ao emprego, qualificação e recursos hídricos, a AHSA deu a conhecer a Bolsa de Valores, um mecanismo regional no Alentejo para articulação de necessidades de mão de obra entre a agricultura e outros setores económicos, promovendo a circularidade laboral e combatendo a inatividade sazonal; o Horizonte Sudoeste, uma iniciativa direcionada aos jovens para promover a aproximação ao ensino agrícola e à agricultura tecnológica moderna, incentivando a renovação geracional no setor; e o Água que Une, que prevê o acompanhamento e reflexão estratégica sobre a resiliência e segurança hídrica regional, com destaque para o projeto de interligação entre o sistema de Alqueva e a barragem de Santa Clara.
Destaques do inquérito anual aos associados da AHSA
O colóquio serviu também de palco para a divulgação dos dados mais recentes do inquérito anual realizado junto das empresas associadas da AHSA, reforçando o peso económico e social do setor na região.
Neste ponto, refira-se que, à data de hoje, a AHSA estima um volume de negócios de cerca de 500 milhões de euros em 2026, numa dimensão de mais de 40 associados e mais de 20 parceiros. Os cerca de 6.000 hectares cultivados no Sudoeste Alentejano continuam a representar 15% do total das exportações nacionais de frutas, legumes e flores.
O inquérito sublinha também a forte vertente exportadora da agricultura do Sudoeste Alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%. França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha são os principais mercados.
Ao todo, os associados da AHSA empregam mais de 4.400 trabalhadores permanentes. Relativamente à integração social, 55% das empresas contam com mais de 75% de trabalhadores imigrantes nas suas equipas e 74% têm mais de metade de trabalhadores de origem estrangeira.
Entre os principais riscos ou desafios, dois terços das empresas apontaram a escassez de mão de obra como o principal risco para a campanha, identificando as alterações legais, a saída de trabalhadores para outros países e as limitações de alojamento como as principais causas.
Central de Informação