Tartaruga Molly regressa ao oceano após reabilitação no Zoomarine

16:51 - 28/10/2026 ALGARVE
A Molly, uma tartaruga-marinha da espécie Caretta caretta, com cerca de 120 quilos, regressou ao oceano após duas décadas de ter sido resgatada na Irlanda com lesões nas duas barbatanas anteriores;

Numa operação realizada com o apoio da Marinha Portuguesa, a devolução ao habitat natural foi possível graças à colaboração entre o Zoomarine Algarve, TAP Cargo e o Dingle Oceanworld Aquarium, na Irlanda, e a um processo de reabilitação comportamental desenvolvido no Porto d’Abrigo.

Depois de ter sido resgatada na Irlanda, a tartaruga-marinha Molly regressou esta quarta-feira, 28 de outubro, ao seu habitat natural, numa operação realizada ao largo da costa algarvia, com o apoio da Marinha Portuguesa. Com cerca de 120 quilos, a tartaruga da espécie Caretta caretta foi devolvida ao oceano após um processo de reabilitação comportamental desenvolvido no Porto d’Abrigo do Zoomarine Algarve, que procurou reforçar competências essenciais para a sua sobrevivência em ambiente selvagem.

A operação decorreu a bordo do NRP Oríon, um Navio da Marinha Portuguesa que partiu durante a manhã do Ponto de Apoio Naval de Portimão, tendo a devolução sido realizada a cerca de 10 milhas náuticas da costa.

Resgatada há cerca de duas décadas na Irlanda, com lesões nas duas barbatanas anteriores, a Molly permaneceu sob cuidado humano no Dingle Oceanworld Aquarium, uma vez que o seu regresso ao oceano foi inicialmente considerado inviável. No entanto, a evolução do conhecimento científico e novas avaliações veterinárias permitiram rever o seu caso e considerar a possibilidade de regressar ao habitat natural. Foi neste contexto que a Molly chegou ao Porto d’Abrigo do Zoomarine, em maio de 2026.

“A reabilitação da Molly foi um processo acompanhado de perto pela nossa equipa, com especial atenção à avaliação e ao reforço de comportamentos naturais essenciais à sua sobrevivência no oceano. Ao longo destes meses, procurámos garantir que reunia as condições necessárias para regressar ao seu habitat natural, respeitando sempre as suas características e necessidades individuais. Este momento demonstra a importância da ciência, do acompanhamento especializado e da cooperação entre instituições na conservação das espécies marinhas”, afirma João Neves, Diretor de Ciência e Conservação do Zoomarine Algarve.

Uma reabilitação centrada na autonomia e nos comportamentos naturais

Durante a sua permanência no Porto d’Abrigo, a Molly foi acompanhada por uma equipa multidisciplinar, que desenvolveu um processo de reabilitação comportamental centrado na recuperação e no reforço de competências essenciais à sua sobrevivência no oceano. A decisão de devolver a Molly ao oceano teve por base uma avaliação clínica favorável, uma condição corporal adequada, e uma aptidão física e comportamental compatível com a vida no oceano. Entre os vários critérios avaliados, destaca-se uma exploração ativa do ambiente, uma alimentação autónoma, movimentos natatórios coordenados, distanciamento de rotinas e cuidados humanos, e um comportamento natural para a espécie. A devolução da Molly foi também sustentada pelo conhecimento científico disponível sobre tartarugas marinhas com lesões nas barbatanas, incluindo registos animais que regressam às praias de Cabo Verde para nidificar, realizando desovas bem-sucedidas e contribuindo assim para a preservação das respetivas populações na natureza. Adicionalmente, existem evidências que animais com este tipo de lesões podem sobreviver com sucesso na natureza após processos de reabilitação e devolução ao oceano, conhecimento para o qual Porto d’Abrigo tem contribuído. Entre os vários casos, destaca-se o caso da Cat, que com uma barbatana amputada, viajou até desde o Algarve até à costa da Brasil, após ter sido devolvida ao oceano juntamente com a Calantha e Tartaruga – duas tartarugas marinhas que prosperaram no oceano, após terem estado longos períodos sob cuidados humanos.

Maria Foley, Head Animal Manager do Dingle Oceanworld Aquarium, destaca que “a Molly fez parte da história do Dingle Oceanworld Aquarium durante cerca de duas décadas e recebeu, ao longo de todos estes anos, a dedicação e os cuidados da nossa equipa. Durante muito tempo, o regresso ao oceano parecia não ser uma possibilidade. Poder agora acompanhar esta nova etapa, graças à colaboração com o Zoomarine, é motivo de enorme satisfação e um momento muito especial para toda a nossa equipa”.

“A Marinha Portuguesa associa-se, com orgulho, a esta missão de conservação marinha, reforçando uma colaboração de longa data com o Zoomarine Algarve em prol da proteção da biodiversidade. O regresso da Molly ao seu habitat natural constitui um exemplo notável de como a ciência, a dedicação das equipas técnicas e a cooperação entre instituições podem contribuir para a preservação das espécies marinhas. A proteção do oceano é uma responsabilidade coletiva e, através dos seus meios e capacidades, a Marinha continuará empenhada em apoiar iniciativas que promovam a sustentabilidade e a conservação dos ecossistemas marinhos.”, afirma o Capitão-de-mar-e-guerra Conceição Duarte, Comandante da Zona Marítima do Sul.

Fundado em 2002, o Porto d’Abrigo do Zoomarine foi o primeiro centro de reabilitação de espécies marinhas em Portugal, tendo realizado mais de 742 intervenções até ao final de 2025. Em 2026, foi alvo de um investimento de cerca de um milhão de euros na modernização das suas infraestruturas, reforçando a capacidade de resposta a processos de reabilitação mais complexos, como o da Molly. A sua devolução ao oceano representa mais um marco no trabalho desenvolvido pelo Zoomarine em prol da conservação da biodiversidade marinha.

 

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