A seleção nacional, composta por 11 nadadores, participa na 12.ª edição do Campeonato do Mundo, que reúne cerca de 180 atletas de 24 países. Vicente Pereira, com 17 títulos mundiais, e Matilde Gaspar são duas das principais esperanças portuguesas numa competição que decorre até 6 de novembro.
Albufeira tornou-se, a partir desta sexta-feira, 30 de outubro, o centro mundial da natação para atletas com Síndrome de Down, ao receber a 12.ª edição do Campeonato do Mundo da modalidade. Portugal apresenta-se na competição com uma equipa de 11 nadadores e ambições elevadas, esperando conquistar várias medalhas e alcançar novos recordes.
A prova, que decorre nas Piscinas Municipais de Albufeira até ao próximo dia 6 de novembro, reúne cerca de 180 atletas de 24 países, colocando o concelho algarvio no centro de uma importante competição internacional de desporto adaptado.
A confiança na prestação portuguesa foi manifestada por Miguel Arrobas, presidente da Federação Portuguesa de Natação, durante a apresentação oficial da prova. O responsável mostrou-se confiante na conquista de medalhas e na possibilidade de os nadadores nacionais estabelecerem novos recordes.
«Queremos que haja um bom lote de medalhas e com certeza vai haver. Tenho a expectativa de haver portugueses a bater recordes e isso é muito possível», afirmou.
Entre os principais nomes da representação portuguesa encontram-se Vicente Pereira e Matilde Gaspar, dois atletas que chegam a esta competição com objetivos bem definidos e uma forte motivação para representar Portugal.
Matilde Gaspar orgulhosa por competir em Portugal
Para Matilde Gaspar, nadadora da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), disputar um Campeonato do Mundo em Portugal tem um significado muito especial. A atleta vai participar em seis provas: 50, 100 e 200 metros bruços, 800 e 1500 metros livres e 400 metros estilos.
Depois de uma preparação intensa, Matilde não esconde a satisfação por poder competir perante o público português e contar com o apoio dos colegas, familiares e amigos.
«Significa muito para mim, porque temos aqui os colegas e a família a apoiar. Os meus treinos foram muito intensos e gosto muito de estar aqui», afirmou, manifestando o orgulho por participar numa competição desta dimensão no seu país.
A presença em Albufeira representa, assim, não apenas mais um desafio desportivo, mas também uma oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses e de procurar alcançar novos objetivos na carreira.
Vicente Pereira quer medalhas e sonha ouvir o hino nacional
Também Vicente Pereira chega ao Mundial com ambições elevadas. O nadador português, que conta já com 17 títulos de campeão mundial, não esconde aquilo que pretende alcançar nesta competição: conquistar medalhas e bater recordes.
«Ganhar medalhas e bater recordes», afirmou, de forma direta, quando questionado sobre os seus objetivos.
Mas há um desejo que assume particular significado para o atleta: voltar a subir ao lugar mais alto do pódio e ouvir o hino nacional.
«É ainda mais espetacular por ser em Portugal e queremos todos evoluir muito», acrescentou, destacando a importância de disputar uma competição mundial em casa, perante o apoio do público português.
A experiência e o percurso internacional de Vicente Pereira fazem dele uma das grandes referências da equipa nacional, que procura aproveitar a realização do campeonato em território português para alcançar resultados de destaque.
Uma competição que também é uma luta pela inclusão
Para além da vertente competitiva, este Campeonato do Mundo assume uma dimensão importante na afirmação da natação para atletas com Síndrome de Down no panorama desportivo internacional.
A Federação Portuguesa de Natação tem defendido o reconhecimento desta modalidade no universo paralímpico, procurando garantir aos nadadores com Síndrome de Down oportunidades de participação e valorização desportiva em condições de igualdade com outros atletas.
Miguel Arrobas considera que a realização desta competição em Portugal representa mais um passo nesse caminho, sublinhando o compromisso da Federação nesta causa, em articulação com a Down Syndrome International Swimming Organisation.
«Queremos que estes nadadores tenham iguais oportunidades a outros níveis, como por exemplo os Paralímpicos. É uma luta que assumimos. Sabemos que é difícil, que demorará o seu tempo, mas nós estamos cá», destacou.
Na natação adaptada para pessoas com Síndrome de Down, os atletas competem divididos em duas classes, de acordo com a classificação desportiva correspondente às suas características e necessidades específicas.
Albufeira no centro do desporto internacional
A organização deste Campeonato do Mundo representa também um momento de particular relevância para Albufeira, que, enquanto Cidade Europeia do Desporto 2026, tem vindo a acolher eventos desportivos de dimensão nacional e internacional.
Até 6 de novembro, as Piscinas Municipais de Albufeira serão palco de uma semana de competição, na qual os 11 nadadores portugueses procurarão transformar a confiança e a preparação em resultados, levando o nome de Portugal ao pódio mundial.