O grupo empresarial cimenteiro português Cimpor negou hoje ter qualquer envolvimento ou participação no processo para criação de uma incineradora de resíduos no Algarve, região onde conta com uma unidade de produção, no concelho de Loulé.
A posição da empresa surge depois de, na segunda-feira, o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, ter pedido esclarecimentos à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, sobre o projeto e manifestado a “oposição frontal” do município à instalação de uma unidade de queima de resíduos no concelho, que tem também no seu território, na freguesia de Salir, o Aterro Sanitário do Sotavento.
“A propósito das informações recentemente divulgadas sobre eventuais soluções de valorização energética de resíduos na região do Algarve, a Cimpor esclarece que não tem qualquer envolvimento ou participação em projetos para a instalação de uma unidade de incineração na região”, posicionou-se hoje a empresa num comunicado.
A Cimpor assegurou que “não promoveu nem mantém quaisquer contactos ou diligências com vista ao desenvolvimento de uma iniciativa desta natureza no Algarve” e afastou o cenário de participação, “direta ou indiretamente, em qualquer projeto nesse sentido”.
Na segunda-feira, a Câmara de Loulé comunicou ao Governo a sua “oposição frontal” à instalação de uma incineradora de resíduos no concelho, rejeitando a “concentração sucessiva de equipamentos com impactes relevantes nos mesmos territórios, sem avaliar os efeitos cumulativos, a capacidade de carga de cada concelho e a justa distribuição dos encargos”.
A ministra do Ambiente lançou o projeto para criação de uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, que está em estudo para encontrar localização e a solução técnica mais vantajosa, mas a Câmara de Loulé quer uma reunião com a tutela e com os técnicos e procura evitar a construção de uma nova incineradora no concelho ou uma solução que passe pela coincineração de resíduos no Centro de Produção da Cimpor já existente no município.
Após o presidente da Câmara de Loulé ter rejeitado a instalação de uma incineradora no concelho e pedido esclarecimentos à ministra do Ambiente, o PSD local, principal partido da oposição ao executivo do PS liderado por Telmo Pinto, divulgou um comunicado a informar ter obtido esclarecimentos da ministra do Ambiente sobre o projeto.
O PSD de Loulé destacou que a ministra assegurou estar em causa “uma infraestrutura nova, construída de raiz”, cuja localização está ainda em avaliação técnica, e elogiou a governante pelo trabalho que está a desenvolver neste âmbito.
O presidente do PSD de Loulé reconheceu que é necessário encontrar uma solução para os resíduos produzidos no Algarve, porque o aterro existente no concelho está a chegar ao limite da sua capacidade, mas considerou que “nenhuma solução deve ser imposta sem rigor, transparência e respeito pelas populações”.
O partido acusou ainda o presidente da Câmara de “instrumentalizar politicamente” o assunto, desrespeitando uma população que “merece respeito” e deve ser informada pelo autarca.
Lusa