O projeto, considerado estruturante para reforçar a resiliência do Algarve face às alterações climáticas e à escassez de água, permitirá transformar água do mar em água potável, contribuindo para um abastecimento mais estável e seguro, particularmente numa região reconhecidamente vulnerável a fenómenos de seca.
De acordo com a APA, esta decisão surge na sequência da conclusão da apreciação dos elementos prévios ao início da obra, no âmbito da Decisão de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (DCAPE), emitida a 25 de novembro de 2025, que determinou a viabilidade da infraestrutura, condicionada ao cumprimento de um conjunto rigoroso de medidas de mitigação, minimização, monitorização e compensação ambiental.
A futura unidade recorrerá a um processo avançado de dessalinização, concebido para assegurar elevados níveis de fiabilidade operacional, flexibilidade e capacidade de resposta às necessidades do sistema de abastecimento. O projeto integra ainda soluções orientadas para a otimização do consumo energético, com recurso a equipamentos de elevada eficiência e a sistemas de recuperação de energia, permitindo reduzir o esforço global do processo e reforçar o seu desempenho ambiental.
Numa primeira fase, a infraestrutura terá capacidade para produzir até 16 hectómetros cúbicos de água por ano, podendo ser ampliada futuramente para 24 hectómetros cúbicos por ano. Este reforço será determinante para assegurar o abastecimento público, apoiar as atividades económicas e reduzir a pressão sobre as reservas de água doce, constituindo uma origem alternativa robusta e estratégica.
Do ponto de vista da sustentabilidade, a infraestrutura foi concebida de forma a garantir uma integração responsável no território, minimizando os impactes sobre os ecossistemas marinhos e terrestres. O projeto incorpora um conjunto de medidas ambientais destinadas à proteção da biodiversidade, à preservação dos recursos naturais e à monitorização contínua dos efeitos da operação, assegurando o cumprimento das melhores práticas e das exigências legais aplicáveis. Esta abordagem reflete o compromisso com uma gestão equilibrada entre a necessidade de reforço da disponibilidade hídrica e a salvaguarda dos valores ambientais.
O Governo tem vindo a destacar este investimento como parte integrante da estratégia de adaptação às alterações climáticas, em alinhamento com as políticas europeias de sustentabilidade, eficiência hídrica e transição energética
A construção deverá iniciar-se na próxima semana, prevendo-se que a infraestrutura entre em funcionamento em 2028.
Paralelamente, o projeto integra uma vertente de salvaguarda e valorização do património, assegurando o registo, acompanhamento e eventual valorização de elementos de interesse arqueológico, cultural ou paisagístico que possam ser identificados no decurso da intervenção. Esta abordagem reflete uma preocupação integrada com o território, garantindo que o desenvolvimento da infraestrutura é compatível com a preservação da memória e identidade local, em conformidade com as orientações e boas práticas aplicáveis nesta matéria.
A Águas do Algarve, entidade responsável pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento na região, assume um papel central na concretização deste projeto, assegurando a sua articulação com o sistema existente e garantindo que esta nova origem de água contribua de forma eficiente, segura e sustentável para o abastecimento público. Com uma experiência consolidada na gestão de recursos hídricos, a empresa reforça, através deste investimento, o seu compromisso com a inovação, a adaptação às alterações climáticas e a gestão responsável da água
Este projeto inaugura uma nova fase na gestão da água em Portugal, podendo abrir caminho à implementação de soluções semelhantes noutras regiões do país.
O investimento será executado pelo Agrupamento Complementar de Empresas – ACE, formado pelas empresas LUSÁGUA – SERVIÇOS AMBIENTAIS, S.A., AQUAPOR – SERVIÇOS, S.A e GS INIMA ENVIRONMENT, S.A.U.
Nesta conformidade, foi ontem, dia 22 de Abril de 2026, assinado o Auto de Consignação da Empreitada do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Algarve, a “Conceção-construção e exploração do Sistema de Dessalinização na Região do Algarve”.
Teresa Fernandes
Porta-Voz da Águas do Algarve


