Trata-se de uma realidade que se tem vindo a agravar de forma consistente e que coloca diariamente em causa a disponibilidade operacional dos meios de socorro responsáveis pela primeira resposta às populações.
As ambulâncias dos Corpos de Bombeiros são um recurso essencial do Sistema Integrado de Emergência Médica e da Proteção Civil. A sua missão é prestar assistência no local da ocorrência, estabilizar as vítimas e assegurar o respetivo transporte para a unidade hospitalar.
Concluída essa missão, estes meios devem regressar de imediato às suas áreas de intervenção para responder a novas emergências.
Infelizmente, essa não é hoje a realidade.
Diariamente, diversas ambulâncias permanecem retidas durante várias horas nas urgências hospitalares, aguardando a transferência dos doentes para as equipas clínicas.
Durante esse período deixam, simplesmente, de existir para o sistema de emergência.
Cada ambulância retida representa menos um meio disponível para responder a uma paragem cardiorrespiratória.
Menos um meio para acudir a um acidente rodoviário.
Menos um meio para socorrer uma criança, um idoso ou qualquer cidadão que necessite de assistência urgente.
Enquanto uma ambulância permanece parada à porta de uma urgência... pode existir uma vida à espera de uma ambulância.
Esta situação assume particular gravidade no Algarve, uma região cuja população aumenta significativamente durante grande parte do ano, colocando uma pressão acrescida sobre todo o dispositivo de emergência.
A diminuição da disponibilidade das ambulâncias obriga frequentemente à mobilização de meios provenientes de outros concelhos, aumentando os tempos de resposta, reduzindo a capacidade operacional dos Corpos de Bombeiros e fragilizando a segurança das populações.
Este problema não afeta apenas a emergência pré-hospitalar. A retenção prolongada das ambulâncias compromete igualmente a capacidade de resposta dos Corpos de Bombeiros a outras missões de proteção e socorro, obrigando à afetação de meios de reserva ou à mobilização de recursos de outros concelhos para assegurar ocorrências como acidentes rodoviários com necessidade de desencarceramento, operações de busca e salvamento, resgates, aberturas de porta com suspeita de emergência, entre muitas outras situações em que cada minuto pode ser determinante.
Estamos, por isso, perante um efeito em cadeia que fragiliza todo o dispositivo regional de socorro, colocando em causa a capacidade de resposta operacional dos Corpos de Bombeiros do Algarve nas suas múltiplas missões de proteção e assistência às populações.
Para demonstrar a verdadeira dimensão desta realidade, a Federação de Bombeiros do Algarve e a AMAL procederam ao levantamento da informação junto dos Corpos de Bombeiros da região.
Os dados recolhidos:
- Total de horas de retenção das ambulâncias em cada Corpo de Bombeiros;
- Média de tempo de retenção por ambulância;
- Tempo máximo de retenção registado;
- Total de episódios de retenção.
Federação de Bombeiros do Algarve
AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve


