O encontro, que teve lugar na igreja de São Luís de Faro, como oportunidade de celebração e partilha daquele serviço que prestam à Igreja algarvia, iniciou-se com a oração da manhã e prosseguiu com a conferência da diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), organismo ligado à Conferência Episcopal.
Na sua intervenção, subordinada ao tema “Acolher, escutar e integrar: a catequese diante dos desafios das migrações”, Eugénia Quaresma referiu-se à catequese como “lugar de encontro, cuidado e esperança”. “De Deus temos de falar sempre com a gramática da comunhão”, acrescentou a conferencista que fundamentou a sua reflexão com várias passagens bíblicas, mas também com palavras do Papa Francisco e do Papa Leão XIV.
Aquela responsável desafiou os catequistas algarvios a “integrar e incluir”, à “proteção, atenção e cuidado”, a “conhecer a realidade”, a “aproximar para servir”, a “escutar para reconciliar”, a “fazer caminho juntos”, a “co-envolver para promover”, a “colaborar para construir” e a “construir pontes”. Nesse sentido, exortou aqueles educadores a “acolher”, “proteger”, “promover” e “integrar/incluir”.
Eugénia Quaresma deu ainda espaço para o testemunho de catequistas que vieram de outros países e que estão inseridos nas comunidades paroquiais e na diocese algarvia.
Na Eucaristia, que se seguiu àquele momento, o bispo do Algarve, que presidiu à celebração em dia da memória litúrgica de São Francisco de Sales, disse-lhes que aquele padroeiro dos jornalistas e comunicadores, viveu a “fidelidade” ao Evangelho “com uma atitude muito concreta: a mansidão”. “Não uma mansidão fraca, mas uma força interior que nasce da confiança em Deus. Ele sabia que o Evangelho se comunica melhor quando é anunciado com ternura, paciência e respeito pelos ritmos de cada pessoa”, complementou D. Manuel Quintas.
O bispo diocesano lembrou que “a catequese não é apenas a transmissão de conhecimentos”. “É acompanhamento, presença, escuta, cuidar, integrar, ajudar crianças, jovens e adultos a descobrir que Deus caminha com eles no meio da vida real, com as suas alegrias e as suas dificuldades”, sustentou.
Apontando o “testemunho de santidade de São Francisco de Sales”, “mestre seguro para a Igreja de hoje, e de modo particular, para todos os catequistas”, como “ensinamento” para a “missão de ser catequista”, D. Manuel Quintas alertou para a tentação, também na catequese, de “medir tudo por resultados visíveis pela assiduidade, pela atenção, pela resposta imediata”. “A palavra de Deus na primeira leitura recorda-nos hoje que o Senhor age muitas vezes em silêncio e que aquilo que semeamos com amor pode dar fruto muito mais tarde, talvez quando já não estivermos presentes para verificar”, alertou.
O bispo do Algarve constatou que “servir fielmente a vontade de Deus nem sempre gera compreensão”. “Até quem nos é próximo pode não entender as nossas opções, o nosso cansaço, a nossa entrega. Também vós, catequistas, conheceis esta experiência. Quantas vezes o vosso serviço passa despercebido ou é pouco compreendido ou até desvalorizado. E, no entanto, como Jesus, sois chamados a permanecer firmes, não por teimosia, mas por amor à missão que a Igreja vos confia e que vós acolheis e assumis”, desenvolveu.
“A nossa diocese precisa de vós, da vossa fé, do vosso tempo, da vossa perseverança, da vossa fidelidade. Mesmo quando vos sentis cansados, mesmo quando parece que pouco muda o vosso serviço é precioso aos olhos de Deus e da nossa Igreja diocesana. Hoje agradeço-vos. Agradeço o bem silencioso que fazeis, as sementes que lançais, as vidas que ajudais a abrir-se à presença de Deus”, afirmou.
“Peçamos a São Francisco de Sales que nos ensine a comunicar a fé com mansidão, a servir com sem nunca perder a alegria e a confiar que Deus age mesmo quando não vemos os frutos. Que o Senhor retribua como só Ele sabe a cada um de vós, caros catequistas, bem como à equipa diocesana da catequese o muito – direi mesmo tudo – quanto dais à nossa diocese na realização desta missão. Que o Senhor abençoe cada catequista”, concluiu.
No final da Eucaristia, o bispo do Algarve regozijou-se com os testemunhos ouvidos de catequistas estrangeiros sobre a sua integração. “Como é bom escutar o seu testemunho, saber que se sentiram acolhidos e sabermos que agora estão a dar o seu contributo, o seu testemunho de fé e o seu serviço como catequistas e a outros níveis. Aliás, isso é uma das características aqui do Algarve: constituímos uma população proveniente de muitos lugares, muito rica e com capacidade de nos enriquecermos todos uns aos outros. É sinal daquilo que queremos e devemos ser do ponto de vista humano e também do ponto de vista cristão”, afirmou D. Manuel Quintas.
Na celebração foram ainda entregues certificados aos catequistas que celebraram 50 e 25 anos de missão e serviço e foi anunciado que no próximo ano o Dia do Catequista será realizado na região pastoral do Barlavento.
O dia, que contou com a presença do diretor do Secretariado da Catequese da Diocese do Algarve, padre Pedro Manuel, e da coordenadora do Setor Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência, irmã Arminda Faustino, que é também a coordenadora do Departamento Nacional da Catequese, incluiu ainda um concerto do grupo musical “Os TradiSons”.
Folha do Domingo
Fotos © Madalena Martinho












