Este prémio, que resultou de uma candidatura, consiste na atribuição de um valor monetário de 1500 euros, na inscrição gratuita no próximo congresso da SFP e ainda na publicação gratuita de um artigo científico numa revista na área da Parasitologia.
Intitulada "Design, Synthesis and Evaluation of Endoperoxide-Based Hybrids and Trypanothione Reductase Inhibitors as New Antiparasitic Candidates", a tese premiada centrou-se no estudo de doenças causadas por parasitas, em particular das leishmanioses humanas, doenças transmitidas por picadas de certos insetos, tendo como principal objetivo identificar e desenvolver novas estruturas químicas capazes de responder às limitações das medicações atualmente disponíveis, nomeadamente a sua reduzida oferta, os seus efeitos adversos e o crescente aparecimento de resistências às mesmas.
Dividida em duas partes complementares, a tese de doutoramento de Inês Costa foi desenvolvida, numa primeira fase, no Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da UAlg, sob a orientação da docente e investigadora, Maria de Lurdes Cristiano, e consistiu “na síntese e no desenvolvimento de novas estruturas químicas com potencial antiparasitário”, explica a alumni da UAlg.
Já a segunda vertente foi desenvolvida em França e incidiu sobretudo na componente microbiológica, ou seja, as moléculas sintetizadas foram avaliadas in vitro, quer diretamente nos parasitas, quer em células infetadas, permitindo determinar a sua atividade antiparasitária e o seu efeito tóxico nas células. Segundo Inês Costa, “foram ainda realizados estudos para compreender os mecanismos de ação destes compostos e, por fim, as moléculas mais promissoras foram testadas in vivo em modelos animais, com o objetivo de avaliar a sua toxicidade e eficácia na redução da carga parasitária”.
Para a investigadora, a distinção de melhor tese pela SFP representa “um enorme motivo de orgulho e um importante reconhecimento do trabalho, dedicação e perseverança investidos ao longo dos últimos anos”, tendo um significado especial por ser atribuída por “uma sociedade científica de referência na área da Parasitologia”, e por “valorizar a qualidade científica da investigação desenvolvida e o seu potencial contributo para o avanço do conhecimento numa área que, apesar do seu impacto em milhões de pessoas em todo o mundo, continua muitas vezes a ser negligenciada”, salienta a premiada.
Inês Costa concluiu o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas na UAlg, em 2019, e, em 2021, ingressou no doutoramento em regime de cotutela entre a UAlg e a Universidade Paris-Saclay, em França. Através deste curso de doutoramento, Inês Costa iniciou o seu percurso de investigação internacional e desenvolveu trabalho científico interdisciplinar relevante, que culminou na obtenção de dois graus de doutoramento, um em Química e outro em Microbiologia. Atualmente, desempenha funções como investigadora na UAlg, integrando o laboratório OrgMedChem do CCMAR, no âmbito do projeto BEAP-MAR. No futuro, pretende seguir uma carreira académica, conciliando a investigação científica com o ensino e, desta forma, contribuir “para a formação das próximas gerações de estudantes na área da Química Orgânica e Farmacêutica”, revela.
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