Maio vai ser um mês em cheio no Cineteatro Louletano, com dança, teatro, música, uma espécie de stand-up (mas sem muita comédia) e um festival internacional.

No dia 3, o Cineteatro Louletano recebe Ricardo III, da Companhia Terra Amarela. A peça de Shakespeare, que é uma coprodução internacional, estreou em Espanha, em Madrid, no Centro Dramatico Nacional, e é interpretada em Língua Gestual Portuguesa (LPG) e Língua de Signos Espanhola (LSE), incluindo a participação de vários atores/atrizes surdos/as. Ricardo III é um real documento de propaganda, que prova que uma mentira, repetida mil vezes, se transforma numa oportuna verdade. E este não poderia ser um melhor espelho dos nossos dias: o que parece, não é.

O que é, seca. A partir do lugar cénico todas as tensões, virtuosismos, traições e lugares poéticos, através da força de duas línguas que se expressam na potência do corpo – a Língua Gestual Portuguesa e a Língua de Signos Espanhola, a peça toma a batalha e o grito, o engano e a violência em espaço visual e sonoro. No palco, entre o som e o silêncio que grita, há uma redescoberta do lugar teatral como lugar de espanto. Paradoxalmente, os atores não parecem, são. Não secam, geram futuro. A peça tem múltiplos recursos de acessibilidade, incluindo Audiodescrição (para cegos e pessoas com baixa visão), Língua Gestual Portuguesa, Língua de Signos Espanhola e Legendagem.

No dia seguinte, um nome que para muitos dispensa apresentações: Lloyd Cole vem ao Cineteatro Louletano com um concerto acústico que faz parte da digressão internacional que o traz a Portugal.

O cantor e compositor inglês integrou a banda Commotions, que teve vários sucessos nos anos 90, entre eles a música talvez mais conhecida “Jennifer She Said”. A sua carreira estende-se ao longo de décadas e o fator mais constante tem sido a integridade da sua visão artística e uma capacidade tremenda de não comprometimento da qualidade do repertório. O concerto é no dia 4, às 21h00, e está esgotado.

Entre 6 e 10 de maio, o Palácio Gama Lobo recebe uma residência criativa intitulada “Irrar”, por UmColetivo. Depois de recolhida inspiração e de trabalho de pesquisa e criação, “Irrar” transformar-se-á numa performance dirigida sobretudo a famílias. Em cena, estarão cinco performers que negoceiam entre eles possibilidades de errar para amar a humanidade, a partir das experiências literárias de Salette Tavares. A residência terá uma série de oficinas com escolas do pré-escolar e do 1.º ciclo.

A 11 de maio, sábado, o jornalista Luís Osório encabeça um espetáculo criado a partir do seu livro homónimo, “Ficheiros Secretos”, mergulhando na história recente de Portugal e convocando ao palco memórias de figuras notáveis como Mário Soares, José Saramago e Amália Rodrigues, entre outros. O espetáculo é às 21h00.

Domingo, dia 12, há concerto às 17h00 com o grupo “Lá No Xepangara”. O coletivo, liderado por Manuel de Oliveira, reúne artistas como Isabel Novella (Moçambique), Selma Uamusse (Moçambique), Fred Martins (Brasil), Karyna Gomes (Guiné Bissau) e Edu Mundo (Portugal) e traz a Loulé, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o som da música e da palavra de José Afonso. O projeto reflete a forte presença da cultura africana na vida e obra de Zeca Afonso e o seu papel na luta pela descolonização, democratização e desenvolvimento da sociedade e cultura lusófonas.

Na terça seguinte, dia 14 de maio, há mais um Filme Francês do Mês, com “Annie Colère”. Porque engravida por acidente, Annie, operária e mãe de dois filhos, descobre o MLAC - Movimento pela Liberdade do Aborto e da Contraceção - que pratica abortos ilegais aos olhos de todos. Recebida por este movimento único, baseado na ajuda concreta às mulheres e na partilha dos conhecimentos, vai encontrar na luta pela adoção da lei do aborto um novo sentido na sua vida. É às 21h00, no Auditório do Solar da Música Nova, com entrada gratuita.

No dia 16, há sessões para escolas, no Auditório do Convento do Espírito Santo, para os alunos do ensino secundário do concelho de Loulé. Trata-se de “Planeta R”, pela ArQuente. Parte-se da preocupação de que o Planeta Terra está em perigo e de que este perigo ameaça os seres vivos, de forma geral, com o excesso de poluição e a destruição dos recursos naturais. O espetáculo está inserido na programação da Semana do Clima.

A 18 de maio, sábado, às 11h30, há concerto “Crescendo”, no Auditório do Solar da Música Nova. A entrada é gratuita. Os “Crescendo” são momentos musicais que destacam e promovem o trabalho desenvolvido pelos alunos do Conservatório, valorizando, simultaneamente, as aprendizagens dos jovens artistas, a intervenção cultural e a ligação com a comunidade.

No mesmo dia, mas à noite, às 21h00, há teatro, com uma peça de Sara Barros Leitão. Chama-se “Guião para um País Possível”, espetáculo que conta com o recurso de Audiodescrição. No parlamento português existe exatamente a meio da sala uma secretária sem nada à volta, onde trabalham dois funcionários que têm a missão de transcrever tudo o que ali é dito. São centenas de milhares de páginas que registam debates, assembleias constituintes, votações, avanços e recuos nos direitos sociais, laborais e humanos. Criado a partir destes registos, “Guião para um País Possível” retrata os últimos cinquenta anos da nossa democracia.

De seguida, entre 21 e 25 de maio, o Cineteatro Louletano apresenta o Festival Tanto Mar, uma criação da Associação Folha de Medronho, sediada em Loulé, que já vai na quinta edição. O eixo central passa pela permuta de conhecimentos, experiências e memórias, substanciado em ações de formação, produção e coproduções, num trabalho conjunto com grupos CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Com uma dedicatória especial à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, o Tanto Mar pretende contribuir para a diversidade e qualidade da oferta artística em território nacional, apresentando trabalhos que têm por base outras culturas, outras vias estéticas, que embora se cruzem e contaminem, mantêm idiossincrasias próprias. No dia 22, o Tanto Mar oferece um workshop com Lena Bahule, artista e intérprete moçambicana.

A 26 de maio, domingo, duas sessões com concertos para bebés, pela Musicalmente, às 10h00 e às 11h30. O Auditório do Solar da Música Nova recebe “Nas Asas de um Uirápuru”. Na floresta amazónica há bebés de inúmeros seres vivos. Nas aves, encontramos os mais belos e preciosos seres da liberdade. E um deles é o Uirápuru, que espalha música e poesia.

No mesmo dia, mas à tarde, há concerto duplo da Banda Filarmónica Artistas de Minerva, que desta vez, para celebrar o 148º aniversário, convida os músicos do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado, partilhando o palco com a Orquestra de Sopros e Percussão (2º e 3º ciclos).

E por fim, a 31 de maio, às 21h00, há dança, com “Suores de Mel e a Morte Não Terá Domínio”, de Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão, peça com Audiodescrição. Um espetáculo que trata a Dança como insubmissão e revolução de heterodoxia, articulando o espetáculo com a poesia de Natália Correia e Luiza Neto Jorge, somando ainda a Filosofia/Dança de Nietzsche. Este espetáculo é precedido de uma masterclass com os dois coreógrafos, Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão, no dia 28, às 18h00, no Palácio Gama Lobo. As inscrições podem ser feitas através do email cinereservas@cm-loule.pt

Com uma programação de referência (que pode consultar no site e nas redes sociais do Cineteatro), recorde-se que o CTL está credenciado pela Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses, integrando ainda a Rede de Teatros com Programação Acessível e proporcionando espetáculos com interpretação em Língua Gestual Portuguesa para Surdos (com “S” maiúsculo são falantes de Língua Gestual Portuguesa) e outros com Audiodescrição, para pessoas cegas ou com deficiência visual.

O CTL é uma estrutura cultural da Câmara Municipal de Loulé no domínio das artes performativas, e um dos promotores da Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve e da Rede 5 Sentidos.