O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, manifestou ontem a sua indignação em relação áquilo que considera ser um crime ambiental em plena Reserva Natural Local da Foz do Almargem e do Trafal,

e anunciou que irá avançar com uma queixa contra os prevaricadores que estão a pôr em causa este ecossistema, com proteção legal desde 2024, e a sobrevivência de espécies únicas, algumas que se encontram em vias de extinção, nomeadamente algumas aves, mamíferos e anfíbios.

Após a abertura inadvertida da lagoa do Almargem ao mar, na madrugada do passado dia 9 de fevereiro, e da solicitação por parte da Câmara Municipal de Loulé para reforço de vigilância às autoridades competentes (GNR, Polícia Marítima) e serviços camarários (Assistentes da Natureza, Proteção Civil e Florestas e Gestão da Orla Costeira), voltou a assistir-se ontem, 14 de abril, à abertura artificial indevida deste sistema húmido, em plena época de reprodução da maioria das espécies da fauna e flora aqui existente, com especial destaque para as aves, colocando em causa toda uma nova geração de espécies que ali se iriam reproduzir, durante a primavera, como acontece todos os anos.

A Autarquia lamenta profundamente o sucedido e relembra que a proteção das espécies e dos seus habitats é uma responsabilidade de todos e que apenas juntos será possível evitar este tipo de perdas e de perturbações no equilíbrio da natureza.

Reforça-se ainda que esta ação, se não for executada pela autoridade competente para esse efeito, a APA, ou sem a autorização da própria constitui uma contraordenação ambiental, punível por lei. Nesse sentido, o Município de Loulé está neste momento a levar a efeito todos os procedimentos necessários para apresentar um processo de queixa contra quem está a cometer esta infração.

Recorde-se que a área ocupada pela Foz do Almargem e Trafal foi classificada como Reserva Natural Local em 2024, para além de estar integrada, na sua maioria, no POOC – Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Santo António. Alberga uma grande diversidade de espécies de fauna, com 329 espécies já identificadas. Integra ainda onze habitats naturais e seminaturais, de onde se destacam 2 habitats prioritários - lagunas costeiras e dunas fixas - com vegetação herbácea, e pelo menos 18 elementos florísticos com interesse para a conservação, das 236 espécies de flora já identificadas.

 

CM Loulé