A exposição reúne dez artistas de diferentes geografias e gerações, entre os quais Mumtazz, John Whitney Sr., Teresa Ramos e João Motta Guedes

Datas: 19 de junho a 22 de agosto de 2026
Local: Galeria Alfaia, Loulé
Artistas: Ana André, Ana Rita de Arruda, Boris Eldagsen, Daniel Costa, Gustavo Jesus, João Motta Guedes, John Whitney Sr., Mumtazz, Teresa Ramos e Tom Haviv
Curadoria: Susana Rodrigues

 

De 5ª a sábado

Quinta e sexta-feira: 14h30-18h
Sábado: 10h-13h30/14h30-18h
 

Programa paralelo:
21 de junho às 17h30 - excursão a Salir, Constelações de Memória, por Filipa Araújo*
24 de julho às 18h - conversa nos Banhos Islâmicos de Loulé  com Filipa Araújo

Investigadora: Filipa Araújo

 

* inscrição através dos endereços producao.alfaia@gmail.com / alfaia.org@gmail.com

 

Inaugura a 19 de junho, às 18h, a exposição coletiva Mão de Baraka na  Alfaia, em Loulé, que reúne o trabalho de 10 artistas de geografias, gerações e práticas distintas, que exploram relações entre símbolo, memória e espiritualidade: Ana André, Ana Rita de ArrudaBoris Eldagsen, Daniel CostaGustavo Jesus, João Motta Guedes, John Whitney Sr., Mumtazz, Teresa Ramos e Tom Haviv. A curadoria é de Susana Rodrigues.

 

Através de práticas que incluem instalação, vídeo, pintura, cerâmica, têxtil e objeto, é feita uma leitura contemporânea de um símbolo-talismã que atravessa milénios e que faz parte do misticismo mediterrânico. 

 

A exposição propõe uma leitura contemporânea do misticismo mediterrânico através da trajetória de um símbolo-talismã que atravessa milénios, geografias e sistemas de crença. No território de Loulé — sucessivamente fenício, romano, islâmico e cristão — a espiritualidade não se organiza por rupturas absolutas, mas por camadas de permanência e transformação simbólica. 

A presença da Hamsá nos Banhos Islâmicos de Loulé, espaço de purificação corporal e espiritual, reforça a sua dimensão ritual. Este símbolo possui, contudo, raízes mais antigas, remontando ao Mediterrâneo oriental e ao Próximo Oriente, onde a mão aberta funcionava já como amuleto protetor. Ao longo de diferentes contextos culturais, a Hamsá assume múltiplas designações e significados: no contexto islâmico, surge como Mão de Fátima; no judaísmo, como Mão de Miriam; noutras tradições, incluindo o hinduísmo e o budismo, relaciona-se com os cinco sentidos, os fluxos de energia do corpo e os princípios da vida. É igualmente herdeira de uma longa linhagem simbólica que inclui figuras como Tanit, divindade fenício-púnica associada à fertilidade, proteção e regeneração. Esta persistência manifesta-se na noção de baraka, entendida como uma energia espiritual que atravessa objetos, corpos e territórios. A mão aberta torna-se, assim, um gesto de proteção, bênção e intercessão — não como objeto isolado, mas como expressão de uma ligação profunda entre corpo, comunidade e espaço.

 

O projeto inclui ainda uma excursão a Salir, no dia 21 de junho, orientada por Filipa Araújo, que parte do vestígio megalítico do menir do Polo Museológico de Salir, atravessando a memória andalusina e o imaginário popular da Moura Encantada. Nos Banhos Islâmicos realizar-se-á, a 24 de julho, uma conversa sensorial idealizada pela mesma investigadora em torno dos aromas e essências do período andalusino, convocando o olfato como via de evocação da memória.
 

Esta exposição é de entrada livre e estará patente até ao dia 22 de agosto.

 

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