“Podemos dizer que nos últimos anos já tivemos aquela barragem com 10%, 12%, 15% e agora 82%. É uma coisa que eu fico muito feliz de ter acontecido”, disse à Lusa José Pimenta Machado.
O presidente do conselho diretivo da APA adiantou também que, das seis barragens existentes no Algarve, “cinco já fizeram descargas preventivas para não ultrapassarem o nível que põe em causa a segurança das barragens”.
“Na Bravura, um dia destes, eu vou ter que fazer isso [descarga preventiva] porque já está a ter 82%. Continua a chover, continuam a subir caudais. Um dia desses vamos ter as seis barragens do Algarve, que seria histórico, a fazer descargas preventivas por uma questão de segurança”, afirmou, apontado que poderá já ser “daqui a 15 dias ou ainda menos tempo.
O responsável acrescentou também que a barragem do Alqueva “já passou os 90%” e que, no Algarve, as seis barragens – Odelouca, Odeleite, Beliche, Funcho, Arade e Bravura - “estão, em média, com 89%, o que é histórico”, sublinhando que a média nacional é 87%.
“O Algarve tem mais água em média, o que é uma coisa fantástica”, afirmou.
José Pimenta Machado considerou que se está a viver “um ano muito bom, sem qualquer dúvida”, em termos de água nas barragens, e lembrou que estamos em janeiro “em pleno período húmido” e que ainda vem fevereiro, março e abril “de mais chuva”.
“Neste momento, eu estou a tirar a água das barragens. Quando eu dou médias, é um bocadinho mandar médias, porque neste momento – quinta, sexta-feira, sábado e domingo – estou a esvaziar as barragens, para encaixar se chover mais”, explicou, frisando, no entanto, que agora as barragens estão cheias e “há pouco tempo para esvaziar para preparar as próximas tempestades”.
Pimenta Machado considerou também como positivo para o Algarve “a chuva continuada para os aquíferos”, reconhecendo a importância do sistema aquífero Querença – Silves, cuja água é usada na agricultura.
O responsável lembrou ainda que Portugal continental mantém a previsão de chuva para os próximos dias, frisando que estamos, já neste momento, a “usar a cabeça das barragens”, mas que há limites porque “o solo está encharcado, não se consegue absorver nada e a chuva que cai transforma-se em escoamento e rapidamente aflui às albufeiras”.
Pimenta Machado reconheceu a importância do organismo responsável pelas águas em Portugal estar em “articulação meticulosa” com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), bem como com os municípios e também com Espanha, “onde nascem rios que atravessam o país”.
O presidente do conselho diretivo da APA fez ainda um ponto de situação sobre os caudais dos rios de norte a sul do país, frisando que estão a “circular caudais muito elevados” no rio Zêzere (zona centro do país], com “boa parte da água que provém do degelo da Serra da Estrela”.
“E vamos ter mais chuva hoje. Não com a mesma dimensão da tempestade Joseph e Ingrid. Vem outra, que é Kristen. Traz muito vento, acima de tudo, mas traz também mais chuva para um sistema que está neste momento já muito saturado”, avançou, reconhecendo que a “gestão vai ser ainda mais exigente”.
Lusa




